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Casos de Chagas no Norte de Minas preocupam autoridades e revelam avanço silencioso da doença

  • gazetadevarginhasi
  • 14 de out. de 2025
  • 2 min de leitura

Reprodução
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O crescimento das notificações de doença de Chagas em municípios do Norte de Minas Gerais, como Espinosa, Porteirinha e Janaúba, tem acendido um alerta entre autoridades de saúde de todas as esferas. O tema foi debatido nesta quinta-feira (9/10), durante reunião da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que contou com a participação de pesquisadores e profissionais diretamente envolvidos com o combate à doença. Segundo especialistas, o que está em curso não é um aumento real no número de casos, mas sim uma maior visibilidade a uma enfermidade historicamente negligenciada. A pesquisadora da Fiocruz Andrea Silvestre de Sousa, que atua nos projetos federais Integra Chagas Brasil e Cuida Chagas, explicou que a criação desses programas trouxe à tona a realidade de milhares de pessoas que já conviviam com a doença, mas permaneciam invisíveis aos dados oficiais. “Não estamos falando de recrudescimento. Os projetos estão dando visibilidade a essas pessoas que sempre tiveram a doença”, afirmou.
A prevalência dos casos no Norte de Minas, de acordo com a pesquisadora, está diretamente ligada à vulnerabilidade social da região. Em municípios como Espinosa, onde parte significativa da população vive em áreas rurais e há altos índices de analfabetismo, a taxa da doença supera a média nacional. Também pesquisadora dos projetos e atuando diretamente em Espinosa, Eliana Amorim de Souza detalhou que o município conta com 30% a 40% da população vivendo no campo, 17% de analfabetos e forte demanda por melhorias em saúde e moradia.
Com o objetivo de identificar casos com maior agilidade, os projetos implantaram uma linha de cuidado que culminou na aplicação de testes rápidos para triagem. Produzido por Biomanguinhos, o teste permite, em apenas 15 minutos, identificar pacientes com suspeita de Chagas, que em seguida devem realizar exames confirmatórios. Dos 10 mil testes aplicados em Espinosa, 600 foram positivos. Em Porteirinha, de quase 9 mil testagens, 550 casos foram confirmados.
Eliana destacou que a doença tem atingido também adultos e jovens, o que derruba o mito de que Chagas seria exclusiva da população idosa. Outro dado alarmante é que 31% dos diagnosticados apresentam sintomas cardíacos ou digestivos, o que exige atendimento especializado de média e alta complexidade, nem sempre disponível na região.
A médica cardiologista Michella Assunção Roque, que atua em Espinosa e integra o grupo de estudos sobre doenças negligenciadas da Sociedade Mineira de Cardiologia, reforçou que o combate à desinformação é essencial. “A doença de Chagas é causada pela infecção pelo protozoário Trypanosoma cruzi e não se limita à transmissão pelo inseto barbeiro. Também pode ocorrer por via congênita, transfusão de sangue ou consumo de alimentos contaminados”, explicou.
Segundo a especialista, cerca de 70% dos infectados entram na chamada fase crônica indeterminada, sem sintomas aparentes, enquanto 30% desenvolvem a fase crônica determinada, marcada por complicações no coração, esôfago e intestino. Entre os sintomas mais recorrentes estão arritmias cardíacas, dilatação do coração, dificuldade para engolir, dilatação intestinal e até ocorrência de acidentes vasculares cerebrais (AVC).

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Gazeta de Varginha

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