China restringe exportações de fertilizantes e acende alerta para abastecimento no Brasil
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A China passou a restringir as exportações de fertilizantes com o objetivo de proteger seu mercado interno, em meio a um cenário global já pressionado por conflitos e escassez de insumos. A decisão ocorre enquanto o mercado internacional enfrenta dificuldades de abastecimento agravadas pela guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
O país asiático está entre os maiores exportadores mundiais de fertilizantes, com embarques que superaram 13 bilhões de dólares no último ano. Historicamente, a China adota controles sobre as exportações para manter preços internos mais baixos e garantir o abastecimento agrícola doméstico.
As restrições incluem a proibição, em meados de março, da exportação de misturas de fertilizantes à base de nitrogênio e potássio, além de algumas variedades de fosfato. A medida não foi oficialmente anunciada, mas foi confirmada por fontes do setor e já havia sido reportada anteriormente.
Além dessas limitações, outras restrições e cotas já existentes, especialmente para ureia, reduzem ainda mais a oferta disponível. Apenas alguns produtos, como o sulfato de amônio, seguem liberados para exportação. Estimativas indicam que entre metade e até três quartos das exportações chinesas podem estar afetadas, o que representa até cerca de 40 milhões de toneladas.
A decisão ocorre em um momento de pressão adicional causada por problemas logísticos, como as interrupções no Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela relevante do comércio global de fertilizantes. Esse cenário intensifica a escassez e contribui para a alta dos preços no mercado internacional.
O impacto é significativo para países importadores, como o Brasil, que depende fortemente do mercado externo para suprir sua demanda agrícola. A China se tornou um dos principais fornecedores de fertilizantes para o país, respondendo por uma parcela relevante das importações brasileiras.
Com a redução da oferta global, os preços dos fertilizantes já apresentam alta, o que pode elevar os custos de produção agrícola e influenciar decisões de plantio. O cenário gera preocupação quanto ao abastecimento e à manutenção da produtividade no setor agropecuário.
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