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Coaf aponta repasses de R$ 1 bilhão a fundo ligado a esquema do PCC no mercado financeiro

  • há 1 hora
  • 2 min de leitura
Comunicados bancários encaminhados ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam que o Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) Gold Style, administrado pela Reag, recebeu R$ 1 bilhão de empresas apontadas pela Polícia Federal como integrantes de um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) no mercado financeiro.
Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o fundo é administrado, controlado, gerido, custodiado e distribuído pela própria Reag, administradora de investimentos que também é citada pela Polícia Federal em investigações relacionadas a fraudes envolvendo o Banco Master.
As informações foram repassadas pelo Coaf à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado, e abrangem transações realizadas entre os anos de 2023 e 2025. O total movimentado chega a R$ 1 bilhão.
De acordo com informações divulgadas à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o FIDC Gold Style possui ativos estimados em R$ 2 bilhões. Entre os valores recebidos pelo fundo, destacam-se R$ 759,5 milhões oriundos da Aster Petróleo, distribuidora de combustíveis associada ao PCC.
Conforme apontam as investigações da Operação Carbono Oculto, a empresa era utilizada como parte de um esquema de lavagem de dinheiro e sonegação de impostos no setor de combustíveis, com atuação em oito estados brasileiros. O comunicado sobre essas movimentações foi feito pelo Banco do Brasil em agosto de 2024, antes da deflagração da operação.
Além disso, o fundo recebeu R$ 158 milhões da BK Bank, fintech apontada pela Polícia Federal como um dos núcleos financeiros utilizados pelo PCC para movimentação de recursos ilícitos.
Outro repasse relevante foi de R$ 175 milhões provenientes da Inovanti Instituição de Pagamento, empresa mencionada em comunicados ao Coaf por ter movimentado mais de R$ 778 milhões relacionados a pessoas físicas e jurídicas investigadas na mesma operação.
Em comunicado enviado ao Coaf, a própria Reag informou que o fundo também realizou transferências, incluindo o envio de R$ 180 milhões para a empresa Super Empreendimentos. A companhia teve como diretor, entre 2021 e 2024, Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro.
Esse comunicado foi registrado uma semana após a primeira fase da Operação Carbono Oculto, em setembro de 2025. A Reag também foi alvo da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes relacionadas ao Banco Master e resultou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro em 4 de março.
De acordo com os investigadores, há suspeitas de que a empresa tenha participado da estruturação e administração de uma rede de fundos com movimentações atípicas, com indícios de fraude, ocultação de riscos e lavagem de dinheiro.
A Reag também figura entre os alvos da Operação Carbono Oculto, que apura um esquema bilionário de fraudes no setor de combustíveis atribuído a integrantes do PCC.
As investigações indicam ainda a possibilidade de que a estrutura de fundos administrada pela empresa tenha sido utilizada para movimentar recursos com um único cotista, o que dificulta a identificação dos beneficiários finais dos valores.

Gazeta de Varginha

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