COI diz que pode revisar regras de expressão de atletas após caso que tirou ucraniano da competição
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O Comitê Olímpico Internacional (COI) afirmou, na sexta-feira 13 de fevereiro de 2026, que está “aberto” a rever as diretrizes que regem o direito de atletas se expressarem livremente durante os Jogos Olímpicos, em meio à polêmica provocada pela desclassificação de um competidor ucraniano dos Jogos de Inverno de Milão-Cortina por violar as normas de expressão da entidade. A declaração foi feita pela presidente do COI, Kirsty Coventry, em coletiva de imprensa, na manhã desta sexta-feira em Milão.
A questão voltou ao centro do debate após o piloto de skeleton ucraniano Vladyslav Heraskevych ter sido impedido de competir na quinta-feira 12 de fevereiro de 2026 por utilizar um capacete com imagens de atletas que morreram desde o início da invasão russa à Ucrânia em fevereiro de 2022 — item que as regras do COI consideraram uma manifestação política proibida nos locais de competição. Heraskevych recorreu ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) exigindo a sua reintegração às Olimpíadas.
Coventry explicou que eventuais mudanças nas normas seriam discutidas por um grupo de trabalho encarregado de analisar “todos os princípios fundamentais do Olimpismo”. Ela afirmou que conversou com diversos atletas nos últimos dias e que muitos continuam a apoiar as regras vigentes, que, segundo ela, “são boas regras” e servem para proteger os competidores de serem usados politicamente.
Atualmente, as regras vigentes permitem que atletas levantem questões importantes durante entrevistas coletivas, nas zonas mistas, em reuniões de equipe, ou nas redes sociais, mas proíbem qualquer manifestação política nos momentos de competição ou nas cerimônias de premiação. A chamada Regra 50.2 da Carta Olímpica estabelece que “nenhum tipo de demonstração ou propaganda política, religiosa ou racial é permitida em qualquer local, sede ou área olímpica”, com o COI argumentando que espaços de prova devem permanecer livres de distrações.
No caso de Heraskevych, a desclassificação desencadeou um debate mais amplo sobre os limites da liberdade de expressão nos Jogos Olímpicos, justamente em um momento em que as tensões políticas globais estão em foco e com os Jogos de Los Angeles 2028 no horizonte, o que pode levar à ampliação das discussões sobre a política de neutralidade do movimento olímpico.
A presidente do COI disse que a entidade está receptiva a analisar e, se necessário, revisar as diretrizes se os atletas assim desejarem, mas ressaltou que a maioria dos competidores, até o momento, endossa as regras atuais como relevantes no contexto global contemporâneo.
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