Coluna Fatos e Versões com Rodrigo Silva Fernandes 04/11/2026
há 41 minutos
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RODRIGO SILVA FERNANDES é advogado e articulista político da Gazeta escreve as quartas e sextas. Email:Rs.fernandes@fiemg.com.br
Lideranças mineiras do Judiciário
O Governo Lula vai precisar mudar a forma de escolha das lideranças que pretende indicar no Judiciário ao longo dos próximos 4 anos. A oposição no Congresso está atenta ao perigo de aumentar a instrumentalização de instituições como o STF, Polícia Federal e outras entidades. Nos bastidores da Política, 3 nomes de Minas despontam como possíveis candidatos a cargos no Judiciário. 2 deles muito conhecidos em Varginha. Se o PT não buscar nomes “menos petistas e mais imparciais, poderá travar as indicações e isso dá força aos nomes mineiros”.
Mudança de foco
A Coluna já abordou este tema antes, mas agora com mais objetividade: A mudança de foco político, do cenário estadual e federal para o foco municipal! As eleições estaduais e federais acabaram. Deputados, governador e presidente estão eleitos, não vão mudar nos próximos 4 anos, achem isso bom ou ruim. Teremos que “nos virar com o que foi escolhido nas urnas”. A decisão de transformação que temos nas mãos é a mudança no município, daí entra no radar político a eleição municipal. Claro que o resultado das eleições de 2026 vai influenciar na escolha de 2028, mas o que se acredita determinante de agora em diante é mesmo a atuação municipal dos pretensos candidatos. Um deles já temos certeza: a disputa pela reeleição de Leonardo Ciacci, pelo PSD. O atual prefeito tem muitos desafios para continuar no cargo. Diuturnamente, até as eleições de 2028, será provado, provocado, desafiado e analisado pelo eleitor e os muitos que querem ocupar seu cargo. E o atual Governo tem muito a entregar, a começar pelas promessas de campanha e grandes obras em andamento. Ciacci atualmente vem fazendo bem o “arroz com feijão”, coisa que seu vice, Antônio Silva, sempre soube fazer quando era prefeito. Mas os anos políticos que estamos vivendo exigem mais que o “arroz com feijão”, a população quer ganhos reais na qualidade de vida, serviços públicos e melhoria da cidade. E o prefeito Ciacci sabe disso, talvez por isso esteja reconstruindo sua equipe com pessoas de confiança e técnicos do Executivo. O momento agora é de buscar melhorar a equipe, ganhar aliados leais para 2028 e limitar o crescimento dos principais adversários, principalmente o ex-prefeito Vérdi Melo, visto como o principal risco para a reeleição.
Pinga Fogo
Acredita-se que pelo menos 4 vereadores vão mudar de partido em Varginha com a janela eleitoral que se abrirá para as eleições de 2028. Mas é certo que as mudanças vão acompanhar as articulações do Governo e do ex-prefeito Vérdi Melo. A conferir!
Em breve, os deputados Diego Andrade (PSD) e Dimas Fabiano(PP) vão se encontrar em Brasília para debater o resultado eleitoral de Varginha, as votações de “estrangeiros como Nikolas Ferreira e Greice Elias e o rendimento de seus aliados locais”.
A disputa política não acabou! Os mais fervorosos da direita engoliram, mas não aceitaram o resultado das urnas; E o “você votou em quem?” vai definir contratações, demissões e até apoio social por mais algum tempo! Isso é fato que a lei não muda!
Os demitidos e não atendidos pelo Governo Ciacci vão para os braços de Verdi Melo, ou da oposição em 2028? Será que o PP de Dimas Fabiano vai lançar uma terceira via para captar apoio e perigosamente fracionar ainda mais a Direita na cidade?
Comando do Legislativo
E como um dos principais desafios, depois das eleições de 2026, o Governo municipal tem pela frente a eleição da mesa diretora da Câmara. Sabe-se que os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário são independentes, mas isso é “balela para quem acredita que existem regras claras e inquebráveis em política, e as eleições nacionais de 2026 mostraram isso: o que importa são os resultados e a vitória é o foco de quem busca o Poder”. Trocando em miúdos, o Governo Ciacci precisa fazer o próximo presidente da Câmara para garantir alinhamento de agenda entre Executivo e Legislativo nos próximos dois anos, que são essenciais para garantir a reeleição do prefeito Ciacci. Já no Legislativo o clima é “ameno depois de muitas brigas internas, e favorável a interferências ocultas externas”. Ou seja, a oposição sabe que não pode deixar o Legislativo escolher um nome muito subserviente para a presidência. Mas a oposição também sabe que, sozinha, não tem poder de eleger um nome próprio. Logo, nomes de centro e com diálogo no Governo e Oposição despontam com favoritismo para comandar o Legislativo. Joãozinho Enfermeiro é o que vem trabalhando abertamente para comandar a Câmara em 2027 e 2028. Joãozinho ampliou o diálogo com a oposição, falando mais com nomes como Rogério Bueno e Cássio Chiodi, bem como, mantém proximidade com o Governo Ciacci, que é um apoiador de suas pretensões futuras. Certamente, Joãozinho não será um “dificultador do projeto de reeleição de Ciacci, mas não vai ignorar ou manifestar ingratidão para com o ex-prefeito Vérdi Melo se chegar à presidência da Câmara”. Outra oportunidade que desponta é a disputa a reeleição de Alexandre Prado, o que até a pouco tempo não “estava nas opções políticas para 2027”. Prado teria apoio na oposição e dividiria a base governista num eventual confronto com Joãozinho Enfermeiro. Será que o Legislativo será a primeira arena política das eleições de 2028, com uma eventual disputa de chapas para o controle da mesa diretora? A conferir!
Verdi será candidato? Quem vai apoiá-lo?
O Governo Ciacci e o mundo político local acredita que o ex-prefeito Verdi Melo será candidato a prefeito em 2028, concorrendo contra o atual prefeito Leonardo Ciacci. Esta convicção existe mesmo sem Verdi Melo ter dito nada sobre 2028! Isso porque o ex-prefeito conquistou uma grande votação em Varginha nestas eleições, cerca de 25 mil votos, e ainda assim não conseguiu se eleger deputado estadual. Mas Verdi será mesmo candidato em 2028? A coluna acredita que hoje ainda não é possível confirmar isso! Mesmo porque, Verdi Melo está como primeiro suplente de deputado no Avante e, eventualmente, pode ser chamado para ocupar a vaga em caso de cassação ou mesmo eleição de algum deputado para outro cargo, como prefeito por exemplo! Foi assim que a ex-primeira-dama de Varginha, Geisa Teixeira (PT) tornou-se deputada estadual após perder a eleição, e dois anos depois foi chamada em razão de que um deputado de sua chapa foi eleito prefeito e deixou a vaga aberta na ALMG. Mas a possibilidade de ocorrer a mesma coisa com Verdi Melo é bem pequena, mas não impossível! Vale ainda dizer que o ex-prefeito ainda avalia, com cuidado, seu potencial para 2028. Pois sabe que uma segunda derrota em 2028 poderia ser fatal para sua carreira política, ainda mais porque vai disputar “com adversário que o conhece bem, foi seu vice e hoje tem o poder na mão”. Além disso, o ex-prefeito viu nestas eleições que “a lealdade política é relativa quando se tem do outro lado um adversário no Poder”. Muitos dos “supostos amigos de Verdi não puderam apoiá-lo ou o fizeram em sigilo para não se indisporem com o atual Governo Ciacci”. Isso diz muito dos desafios de bastidores que Verdi teria que enfrentar para construir uma base aliada forte capaz de garantir força política para uma disputa em 2028.
Verdi será candidato? Quem vai apoiá-lo? – 02
O ex-prefeito tem hoje o apoio do Avante, que pouco ou nada contribui em termos de tempo de TV e Rádio. Além disso, dos vereadores da sigla, apenas Alexandre Prado, supostamente apoiaria o ex-prefeito em uma candidatura em 2028. Verdi precisaria de mais aliados no Legislativo municipal e na classe política local que hoje se divide entre base governista e oposição. Os vereadores e partidos próximos da base governista, mas hipoteticamente vistos como independentes, poderiam no futuro apoiar uma candidatura de Verdi Melo a prefeito, a depender do desgaste do Governo Ciacci no início de 2028. Partidos como União Brasil, PSDB e PP (que possuem vereadores eleitos em Varginha) poderiam ser o fiel da balança para Verdi ou Ciacci e quem definiria este caminho seria o deputado federal Dimas Fabiano (PP/MG). Além disso, temos também o PL que tem vereadores e estrutura invejável para apoiar candidatos majoritários em 2028. O PL não tem deputado eleito na cidade, seria influenciado por parlamentares como Nikolas Ferreira, Marcelo Álvaro Antônio e até os federais Diego Andrade e Dimas Fabiano, que possuem boa entrada com as lideranças nacionais do PL. Verdi Melo e Leonardo Ciacci vão disputar o apoio destas legendas e suas lideranças locais. Para Ciacci, ter o apoio desses partidos seria mais que o fortalecimento de uma reeleição, mas principalmente o sufocamento político dos adversários. Já para Verdi Melo, ter o apoio do PL, PP, União Brasil seria questão de sobrevivência na disputa de 2028. Mas é também possível que legendas como o PP e o PL queiram lançar candidatos próprios, o que é bem possível, neste caso, a situação da direita em Varginha complica ainda mais, pois haveria a divisão dos votos na cidade, dando chances para que a “raquítica, mas barulhenta esquerda tenha novamente chances de ganhar na cidade”.
Esquerda barulhenta e agora esperançosa
Os partidos de esquerda em Varginha são liderados pelo PT, isso mesmo quando o partido estava em baixa com Lula preso. Agora que o PT reelegeu Lula para um 4 mandato, a esquerda de Varginha parece esperançosa de voltar ao comando da cidade em 2028. Mas a esquerda tem um problema local, não tem nome forte nem organização interna para unificar suas lideranças e angariar recursos. Precisaria ainda dividir a direita para vencer, pois em Varginha a esquerda é minoria, o que ficou claro com o placar eleitoral de Bolsonaro x Lula nas eleições deste ano. O PT local não tem uma “liderança raiz que unifique a legenda”, último nome com tais adjetivos foi Rogério Bueno que hoje nem está no PT e não possui saúde e disposição para uma candidatura em 2028. Já o vereador novato Cassio Chioddi, hoje no Partido Solidariedade, vem “paquerando a esquerda com o desejo de consolidar-se como maior liderança da esquerda na cidade”. Esquece Cássio que o “vespeiro de esquerda na cidade não aceita liderança de fora do PT”, prova disso é o tratamento dado ao deputado estadual Cleiton Oliveira (PV), que mesmo sendo oficialmente o deputado da Federação Brasil da Esperança, que reúne PT, PV e PCdoB, não contou com o apoio dos petistas e comunistas da cidade e perdeu a reeleição por míseros 200 votos! O próprio Rogério Bueno, petista histórico que saiu do PT e agora está no PV, não tem mais a mesma influência na legenda, que parece caminhar acéfala na cidade. Mas é certo que a vitória de Lula em 2026 acendeu na esquerda local o desejo de lançar candidato em 2028 para tentar voltar ao comando da cidade. Mas quem seria o nome da esquerda? O PT teria condições de construir um candidato próprio para liderar os partidos de esquerda na cidade? Ou o PT aceitaria um nome de fora da legenda para comandar a esquerda local em 2028?
Entrega das obras
Um fator importante para o atual governo se credenciar para a reeleição em 2028 é entregar as principais obras públicas prometidas e em andamento na cidade. Obras como o Mercado do Produtor, o Centro de Eventos do Rio Branco e a modernização do antigo prédio do VTC. O prédio do Mercado do Produtor já está pronto, faltando algumas obras de adaptação para que possa ser utilizado. Mas o Governo Ciacci precisa ficar atento, pois se o prédio não for utilizado pelos feirantes, vai precisar entregar novo espaço para os feirantes, sob pena de amargar forte oposição do setor e dar vitrine aos adversários com as polêmicas que envolvem o Mercado. Já o centro de eventos do Rio Branco, a obra está muito atrasada e pesa sobre esta administração a responsabilidade de dar fim a obra. Além disso, a inauguração e utilização do espaço, no centro da cidade, seria um mérito significativo para uma gestão que busca reeleger. Já quanto a modernização do prédio do VTC, a Gestão Ciacci já começou a reformar o Ginásio do Minhocão e deve entregá-lo neste ano, o que alivia a pressão, mas muita coisa ainda existe de obras a serem realizadas no local. O Governo pode realizar muitos projetos rápidos e ações governamentais no grande espaço no centro da cidade onde fica o VTC, mas precisa mostrar à população que o espaço está servindo a sociedade. Entregar estas três obras é fundamental para que o Governo Ciacci mostre que está preparado para mais 4 anos à frente do Executivo. Do contrário, vai enfrentar duras críticas eleitorais à sua eficiência.
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