Coluna Fatos e Versões com Rodrigo Silva Fernandes 14/01/2026
gazetadevarginhasi
há 4 dias
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RODRIGO SILVA FERNANDES é advogado e articulista político da Gazeta escreve as quartas e sextas. Email: Rs.fernandes@fiemg.com.br
Caso Marquinho: Renúncia muda mesa diretora, mas não restaura imagem do Legislativo, nem garante Justiça no atropelamento e omissão de socorro
A Câmara de Varginha viveu momentos intensos e únicos nos últimos dias. Conforme a Coluna informou na semana passada, o ainda vereador Marquinhos da Cooperativa renunciou ao cargo de presidente, como era previsto nos bastidores do Legislativo. Todavia, foi preciso que a unanimidade dos vereadores votasse pela abertura do processo de cassação de Marquinhos. A renúncia resolveu uma “sangria pública na imagem do Legislativo e um constrangimento imediato aos integrantes da Câmara, mas não é certeza de Justiça no caso do atropelamento, omissão de socorro e mentira pública quanto aos crimes cometidos”. Não resta dúvida se Marquinhos ingeriu ou não bebida antes do atropelamento, bem como não resta dúvida da omissão de socorro, e apenas a renúncia da presidência não restaura a imagem e responsabilidade do Legislativo e dos vereadores responsáveis por votar a cassação de mandato. As restrições impostas pela Justiça ao vereador Marquinho da Cooperativa, por si só já trazem constrangimento a todos os integrantes do Legislativo e traz limitações ao mandato, não dá condições ao vereador de exercer com plenitude sua função pública, visto que não pode, por exemplo, nem deixar a cidade sem autorização do Judiciário! A comissão processante parlamentar, criada para analisar as provas e colher elementos a fim de dar parecer sobre a cassação de Marquinho da Cooperativa é formada pelos vereadores: Zilda Silva, Davi Martins e Miguel da Saúde. O parecer elaborado pela comissão será levado para votação do plenário, possivelmente antes do Carnaval, e dará a palavra final se Marquinho da Cooperativa vai ou não ser cassado. Até lá, não tenham dúvidas que o processo da vítima Felipe Lisboa, que foi atropelado pelo vereador terá vários reveses e sobressaltos, da mesma forma que o acompanhamento da imprensa, que agora volta os olhos à Comissão Processante e a nova mesa diretora do Legislativo!
Alexandre Prado assume o Legislativo e fortalece o Avante em ano eleitoral
O advogado e vereador em primeiro mandato, Alexandre Prado (Avante), assumiu a presidência da Câmara de Varginha após a renúncia de Marquinho da Cooperativa. A eleição de Alexandre Prado fortalece o Partido Avante neste ano eleitoral de 2026. A legenda elegeu 3 vereadores em Varginha, Alexandre Prado, Jose Morais e Dudu Ottoni, que deve ser candidato a deputado estadual nas eleições deste ano. A expectativa de renúncia de Marquinho projetava o nome de Dudu Ottoni para liderar o Legislativo, contudo Alexandre Prado foi escolhido para presidente, o que não deixa de ser também uma vitória para Dudu Ottoni, que é o líder do Avante na cidade e possui bom relacionamento e influência junto a Alexandre Prado. O novo presidente é advogado, ex-presidente da OAB Varginha, é cauteloso nas palavras e ações, não será impulsivo como seu antecessor. Todavia, a pressão sobre Alexandre Prado será crescente quanto aos problemas e soluções que envolvem o trabalho do Legislativo. A fiscalização do Executivo municipal, que tem obras atrasadas como a restauração do Rio Branco e a entrega do Novo Mercado do Produtor, por exemplo. Além disso, o Legislativo terá que ser presente e eficiente neste ano eleitoral de 2026, mesmo que alguns de seus integrantes sejam candidatos a deputado, o que traz “melindres a política local e ao relacionamento do Legislativo com o Executivo”. Matérias importantes estão no Legislativo para serem apreciadas e muitas outras devem ser enviadas neste ano.
Alexandre Prado assume o Legislativo e fortalece o Avante em ano eleitoral - 02
Alexandre Prado terá que se valer mais do que seu conhecimento legal das leis, mas também do bom relacionamento fora do Legislativo, bem como no trato incisivo com os colegas de plenário, quando for necessário! Trocando em miúdos, Prado não poderá ter medo de desgastes se quiser fazer entregas para a sociedade neste ano como presidente. E o teste de fogo para sabermos a coragem para mudar do novo presidente, será quando da conclusão do parecer sobre a cassação do ex-presidente Marquinho da Cooperativa. É Alexandre Prado que deverá pautar a matéria, bem como analisar a extensão dos estragos na imagem do Legislativo e fazer as mudanças necessárias na casa. Prado já mudou a pessoa responsável pelo Jurídico do Legislativo, nomeando advogado de sua confiança. Há pressão para mudança do Diretor Geral da Câmara, que é presidente de partido e indicado por Marquinho. Nos bastidores sabe-se que o diretor geral da Câmara pode até tornar-se secretário no atual Governo Municipal, o que resolveria um problema para Alexandre Prado, que precisaria encontrar alguém competente e de confiança para desempenhar o cargo. Vamos acompanhar, juntamente com vários vereadores que também observam o caso.
Rateio do Fundeb e renúncia de Marquinho mostram fragilidade da base governista
Duas derrotas do governo no Legislativo mostraram que a base governista na Câmara não esta forte como na gestão passada. A votação no final do ano passado que aprovou o rateio do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica – Fundeb, permitindo que R$ 2,8 milhões de reais fosse distribuído aos servidores da Educação municipal no final de 2025, mostrou que o Governo municipal não tem gestão para contenção de crises em temas delicados e polêmicos. Tal observação foi confirmada com a aprovação por unanimidade da abertura de processo de cassação do vereador Marquinho da Cooperativa. Mas podemos nos perguntar: o que estes dois temas têm a ver com o Executivo Municipal? Sim, nos dois casos, o Governo municipal (nos bastidores) era contra o rateio dos recursos do Fundeb e contra a abertura do processo de cassação de Marquinho. O governo municipal já havia se manifestado internamente e para a sua base de apoio na Câmara que não desejava fazer o rateio dos recursos do Fundeb no montante de R$ 2,8 milhões. O governo queria manter o recurso em caixa para utilizar neste ano eleitoral. No caso do processo de cassação, o Governo Ciacci sempre esteve nos bastidores do apoio a Marquinho, sendo decisivo para elegê-lo na presidência da Câmara e pedindo apoio a sua base para “abafar o caso sem a abertura de um processo de cassação. Afinal, Marquinho já tinha apoiado o Governo Ciacci quando segurou a abertura de processo de CPI contra a Prefeitura de Varginha, para apurar as irregularidades da Secretaria de Obras”. O governo já “conhecia o modos operandi de Marquinho e tinha conhecimento de como negociar com o mesmo. Agora terá que aprender a negociar com Alexandre Prado e seu colega Dudu Ottoni, que dizem ter influencia nas decisões do novo presidente”. Os dois episódios, (rateio do Fundeb e renúncia de Marquinho), mostram que o Governo Ciacci não possui uma liderança efetiva e eficiente no Legislativo, nem pode garantir a firmeza de sua base quando se trata de temas polêmicos e com apelo popular/eleitoral. Não se sabe se as “negociações entre o Executivo municipal e o Avante de Prado e Ottoni serão melhores ou mais exigentes que as antigas tratativas com Marquinho, nem mesmo se o ex-presidente pode ressentir com o prefeito pelo abandono político no caso do atropelamento”. Certo é que os próximos 6 meses do Legislativo prometem ser bem mais intensos para o Executivo, demandando muita articulação do Secretário de Governo, que embora eficiente por seus métodos ortodoxos, esta cada dia mais distante do prefeito.
Pousando para foto?
É curioso o comportamento de algumas figuras políticas da cidade, aqueles que aparecem apenas de quatro em quatro anos, quando tem eleição. Outros que somente aparecem depois do problema resolvido, tentando ganhar mérito nas soluções que outros penaram a conquistar ou mesmo aqueles que não enfrentam problemas ou desgastes, mas depois de “morta a onça, aparecem para tirar foto sobre o cadáver”. Vejam que a imprensa de Varginha marcou presença para cobrar apuração no caso das irregularidades comprovadas pelo Ministério Público na Secretaria Municipal de Obras, bem como também se mobilizou para cobrar providencias sobre o atropelamento e omissão de socorro protagonizados pelo ex-presidente da Câmara. Diversos populares e lideranças locais não políticos também tomaram frente para buscar apuração dos dois casos. Alguns vereadores até se envolveram também nos casos, mas foram minoria. De modo geral nenhum político (sem mandato) deu a cara para bater ou para cobrar nada! Todavia, depois da queda do secretário municipal de obras por flagrantes ilicitudes, bem como a queda do ex-presidente da Câmara por mentiras e crimes cometidos, aparecem nas redes sociais ex-vereadores como Zacarias Piva, que tinham tomado “chá de sumiço depois da derrota nas urnas”! Ora, a cobrança por apuração é sempre bem-vinda, mas quando iniciada no momento dos fatos e com o enfrentamento de todos os desgastes, como fez por exemplo o atual vereador Cassio Chiodi e Dandan. Quando a indignação e cobrança aparecem oportunamente apenas depois de definida a questão e superado os maiores desafios, a cobrança repentina e tardia cheira a oportunismo!
Pinga Fogo
Como será possível conseguir “laudo médico da rede de saúde municipal para atenuar irresponsabilidades”? Será que o Hospital Bom Pastor vai investigar os laudos de análises de embriaguez emitidos por seus médicos, ou isso será esquecido?
O Diretor Geral da Câmara vai pra berlinda por atuação estratégica e apoio a um vereador ou por descaso com vários outros? Será que fica no poder graças a seu amigo prefeito e sua influencia no Legislativo ou por não ter substituto na casa?
O prefeito Ciacci esteve pelo menos 3 vezes na Capital com o Governo de Minas, mas, nada de investimento direto ou resolução de problemas para a cidade! Será que as fotos sorridentes no Palácio Tiradentes serviram só para bajulação política?
A Guarda Municipal não esclareceu as responsabilidades da morte de adolescente que levou tiro pelas costas de integrante da tropa, e as medidas tomadas para que novas covardias como esta não aconteçam novamente! O que foi feito até agora?
Se o imóvel do VTC agora pertence a Prefeitura de Varginha, quem está cobrando e recebendo pela publicidade em outdoors e muros pintados no local, na Av. Benjamin Constant? Ou será que o antigo VTC, continua a “casa da mãe joana”? Alô MPMG!
Dança das cadeiras
Já esta certo que a Prefeitura de Varginha terá novos secretários neste ano. As mudanças começaram pela Secretaria Municipal de Saúde e devem chegar a pelo menos mais duas pastas. O prefeito não parece seguro de fazer as mudanças neste momento, visto as reviravoltas e derrotas no Legislativo, bem como as “brigas de bastidores” que vai comprar a depender das mudanças. Pressões existem para trocas na Secretaria de Governo e de Planejamento, bem como insatisfações em áreas como Educação e cargos de chefia pelo Executivo. O Secretário de Governo, Carlos Honório Ottoni Junior, (Honorinho), em que pese a eficiência e entrega de resultados, seus métodos e fama são questionáveis. Já a pasta de Planejamento, entregue à incompetência e baixa eficiência, parece se sustentar no puxa-saquismo e ilações similares as vistas na Secretaria de Obras, onde graves irregularidades foram descobertas pelo Ministério Público e Polícia Civil, e ainda sem explicação ou identificação de culpados e ressarcimentos. O prefeito precisa mudar seu secretariado, mas parece estar refém da inexistência de nomes competentes, e os poucos que restam em seu primeiro escalão não são de sua confiança. Talvez porque saibam que também não podem confiar no chefe do Executivo! Uma base política formada pela abundancia de recurso não se sustenta sem confiança no comando. Uma hora a abundancia acaba, os resultados não aparecem e as cobranças chegam! O mundo político percebe que as promessas e a palavra empenhada não será cumprida e as necessárias fiscalizações identificam que “coisas erradas podem manchar a imagem de quem trabalha sério, talvez por isso, alguns do governo municipal nem devem esperar a inquieta indecisão do prefeito, mas devem comunicar breve o desejo de sair e preservar suas imagens! Difícil será para este governo encontrar nomes competentes e aptos para gerir a coisa pública com responsabilidade e transparência o que, atualmente, vem sendo tocado como se uma padaria fosse!
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