Coluna Fatos e Versões com Rodrigo Silva Fernandes 22/10/2026
há 23 horas
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RODRIGO SILVA FERNANDES é advogado e articulista político da Gazeta escreve as quartas e sextas. Email:Rs.fernandes@fiemg.com.br
O Império Contra-ataca
Conforme disse a Coluna, passadas as eleições o Governo Ciacci está fazendo uma grande “renovada nos cargos estratégicos da Administração Municipal”. Mais que melhorar a gestão, o Governo se prepara para as eleições de 2028 e quer ter no “time apenas as pessoas com quem pode contar”. Ou seja, era preciso tirar do Governo aqueles que “podem não apoiar a reeleição, ou pior, apoiar a esquerda (ainda sem nome para 2028)”. E esta limpa na gestão começou a ser realizada nos últimos dias. Nos bastidores do Governo uma enorme lista de “suspeitos candidatos a perder o cargo comissionado” muda a cada momento nas mãos de quem está comandando a degola. E dizem que são muitos a serem “provados para continuar ou não”. Na semana passada o Secretário de Habitação e Desenvolvimento Social – SEHAD, José Manoel Magalhães Ferreira foi exonerado. As demissões não ficaram apenas no primeiro escalão, pois a chefe do Departamento de Comunicação, Carla Corrêa Beraldo e, também, Marco Antônio Reis (Marcão Tip Top), que ocupavam cargos de chefia em seus setores, também foram desligados. Em comum, todos os delegados haviam sido contratados pelo ex-prefeito Vérdi Melo e tinham “proximidade política” com o ex-prefeito. Não se sabe se todos os nomes eram “indicações de Verdi, visto que José Manoel, em tese, seria indicação de um dos partidos que apoiou Ciacci, logo, caberia a legenda indicar outro nome”. As mudanças no Executivo municipal, embora esperadas, aconteceram de forma muito repentina, logo não se sabe ainda os próximos passos do Governo para “evitar atritos com a base ou mesmo quem indicará no lugar dos demitidos”. Dizem até que o ex-secretário Roberto Ribeiro poderia voltar ao Governo. Certo mesmo é que o Governo está se preparando para o desafio da reeleição, não será fácil e o Governo já deve saber quem será o maior desafiante de Ciacci para 2028.
Tirou porquê?
A Secretaria Municipal de Turismo de Varginha – SETEC havia criado um grupo de whatsapp com os representantes dos veículos de Comunicação de Varginha e região, a fim de divulgar as ações daquela secretaria. O nome do referido grupo é “Imprensa Turismo e Comércio Varginha” e continua ativo. O grupo de whatsapp é uma forma rápida e prática para que aquela secretaria possa de forma objetiva levar aos representantes da imprensa o conteúdo que produz como releases, fotos etc. As divulgações são gratuitas, a imprensa não cobra para divulgar as ações do Governo, mas também não é obrigada a divulgar todas as matérias enviadas. O material disponibilizado pela Setec no grupo também pode ser questionado e levar ao povo as falhas e/ou acertos das ações daquela secretaria. Mas estranhamente os dois representantes da Gazeta de Varginha foram retirados do grupo pelo titular da Secretaria Municipal de Turismo. Por certo deve ser algum ajuste que estão fazendo no grupo, visto que a Gazeta não pediu a exclusão e, em tese, a Setec deve dar amplitude e transparência às suas ações públicas, ainda mais para a Imprensa. Ademais, porquê a Setec iria perseguir o único Jornal impresso Diário e um dos maiores portais da cidade?
Engordando o contracheque!
O Governo municipal enviou para à Câmara de Vereadores de Varginha o ofício 64/2026 que "acrescenta dispositivo ao Artigo 3º da Lei Municipal número 6.371, de 06 de novembro de 2017 e dá outras providências”. A proposta do Governo Municipal é dar e possibilitar um “aumento de 25% no salário para os servidores de carreira que forem nomeados para desempenharem o cargo de Secretário Municipal”. A proposição tem por finalidade complementar a alteração promovida pela Lei Municipal n° 7.567, de 20 de maio de 2026, uma vez que, quando do envio do Projeto de Lei que deu origem à referida legislação, não foi contemplado o acréscimo de 25% (vinte e cinco por cento) sobre o salário-base do servidor titular de cargo efetivo nomeado para o cargo de Secretário Municipal, embora tal possibilidade já ocorra em relação ao servidor comissionado. O acréscimo remuneratório previsto na proposição deverá observar o limite remuneratório constitucional aplicável aos agentes públicos municipais, nos termos do art. 37, inciso XI, da Constituição Federal. Dessa forma, a opção pelo percentual de 25% (vinte e cinco por cento) sobre o salário-base não poderá resultar em remuneração que ultrapasse o teto constitucional vigente, devendo eventual excedente ser limitado ao valor máximo permitido pela ordem constitucional. A presente proposta da Prefeitura, busca sanar essa questão, permitindo que o servidor efetivo nomeado para o cargo de Secretário Municipal que optar por receber seu vencimento de origem, receba referido acréscimo, conferindo maior coerência e isonomia ao tratamento remuneratório.
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A proposta enviada pelo Governo para dar 25% de aumento para cerca de uma dúzia de servidores provocou reações imediatas no Legislativo, principalmente da oposição que questiona o gasto. Mas o estranho não é isso, pois o papel da oposição é mesmo questionar e fiscalizar as ações do Governo! Mas o burburinho que se constrói no seio do próprio Governo, uma vez que pessoas ouvidas pela Coluna (sob sigilo), inclusive que ocupam cargos na atual gestão, manifestaram a contrariedade com a forma como a mudança está sendo proposta. Não é mistério que o valor pago aos secretários de Varginha é baixo frente ao tamanho da responsabilidade, inclusive criminal, e enorme expectativa de retorno dos ocupantes das pastas. Algumas pastas têm centenas de servidores sob o comando do secretário. Outras tem orçamento de centenas de milhões como Saúde e Educação, e os secretários são ordenadores de despesa, podem ser responsabilizados direta e criminalmente por desvios e falhas burocráticas (que podem ser comuns tendo em vista o volume de trabalho em alguns casos), sem falar nos processos cíveis e criminais por desvios e problemas diversos. O Ministério Público é parte constante na prestação de contas de muitos dos ocupantes das secretarias. Além disso, o poder de negociação dos secretários é muito grande, em tese, apenas o prefeito está acima dos secretários. E não se vê o prefeito “desfazendo ou mudando as negociações realizadas pelos secretários”! Logo, as negociações realizadas pelos secretários com outras instituições e com a iniciativa privada é muito importante e praticamente definitiva.
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E temos no secretariado diversos bons profissionais, não concursados, muitos deles que estão indo bem e fazendo a diferença nas áreas que atuam. Temos também alguns secretários que são funcionários de carreira e igualmente trabalham muito. Mas daí se pergunta: Porquê haveria diferenciação de salários entre os secretários municipais se todos, em tese, realizam o mesmo serviço? Imaginem uma reunião de secretariado onde aqueles que são funcionários de carreira, (muitas vezes com desempenho ou responsabilidades menores) receberiam 25% a mais que aqueles que estão atuando bem, mas não são concursados e por isso receberiam 25% menos?! Isso traria um desconforto e até injustiça entre o primeiro escalão. Aliás, já há um “reme reme de bastidor” entre alguns secretários, que poderia inclusive ser agravado com a diferenciação salarial. Mas como o Governo deveria tratar deste assunto, visto que é preciso ter boa remuneração para contratar bons profissionais? Ora, o certo seria que o cargo de secretário tivesse melhor remuneração de forma geral, de modo que nenhum servidor com funções e responsabilidades menores ganhasse mais que o cargo do primeiro escalão! Ademais, temos outra comparação interessante, para provarmos que o cargo de secretário em Varginha ganha menos que o necessário! Vejam por exemplo a simetria que existe hoje entre o salário de vereador e de secretário, que ganham remuneração bem semelhante, em torno de R$10 mil reais! Mas a dedicação do secretário é exclusiva para o cargo e tem jornada certa de trabalho, fora os muitos desafios já ditos acima. Diferente do vereador, que não precisa de dedicação exclusiva (pode ter outras funções/empregos), e ainda possui (em tese) apenas o compromisso de trabalho de 8 dias por mês e 8 sessões plenárias para apreciar projetos e votar leis, sendo que cada sessão dura em média 2 horas. Nem se compara o volume médio de trabalho de um vereador e um secretário, contudo ganham de forma similar. Claro que temos “vereadores e vereadores, da mesma forma que temos secretários e secretários”. Traduzindo em miúdos, tem vereador que muito realiza e secretários que muito realizam, mas o valor similar na remuneração é um descalabro!
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Desta feita, o que deveria fazer o Governo municipal para garantir igualdade, isonomia e até justiça para com o primeiro escalão? Deveriam instituir que a remuneração do secretário municipal estivesse mais distante do salário do vereador e mais próxima do salário do Procurador Geral do Município, que não trabalha mais que a secretária de Educação, nem tem menos responsabilidades que o Secretário de Saúde, ou entrega mais eficiência que o Secretário de Governo! O difícil é convencer o Governo a dar esta canetada pela Justiça e Igualdade no primeiro escalão e evitar maior discórdia entre os assessores diretos do prefeito. Ademais, o Legislativo sempre quis “casar o salário do vereador com o de secretário, o que é um erro e dificilmente o Governo, a esta altura, conseguiria corrigir”. Mas é certo que o aumento salarial torto e tendencioso de 25% apenas para os servidores de carreira que estão no cargo de secretário será a maneira mais rápida de “desestímulo aos bons profissionais do mercado que estão ou desejam entrar no Governo”. E podem apostar que o “buchicho interno com esta diferença salarial” daria pano pra manga. Além disso, se formos verificar quem serão os “contemplados com o aumento, daí o descontentamento seria ainda maior, pois não faltam na lista quem enfrenta muita crítica no trabalho e ineficiência na atuação”. Mas por sorte, o Ofício 064/2026 que "acrescenta dispositivo ao Artigo 3º da Lei Municipal número 6.371 começou a ser debatido internamente pelo Legislativo na sessão da reunião da Câmara no dia 19 de outubro, última segunda, quando sabiamente o Governo viu o equívoco da matéria e pediu a retirada de pauta da proposta. Por certo que o Governo vai encontrar forma de valorizar os servidores de carreira, sem desmerecer aqueles que não são de carreira, ou seja, valorizando o cargo de secretário, independente da origem do servidor, se de carreira ou não!
Pedindo referência
Boa parte dos grandes empresários que chegam a Varginha passam por caminhos distintos até se definirem por aportar milhões em nossa cidade. Muitos deles chegam por meio de articulações do Governo Federal, outros por articulações do Governo Estadual, e mesmo os poucos que são prospectados diretamente pelo Governo municipal, antes conversam com dois ou três “pessoas bem relacionadas na cidade que conhecem caminhos e indicam saídas, brigar com estes poucos bem relacionados é um erro que o Governo e a Oposição estão aprendendo a evitar”. Se quiserem saber quem são estes felizardos, é só observar as referências locais trazidas pelos principais empresários que aportam em Varginha.
Pinga Fogo
A Coluna avisou mas não adiantou: Quem deseja estar no comando do Executivo em 2028, precisa evitar a polarização eleitoral deste ano. E se precisar escolher, que não seja a minoritária esquerda! Tem quem não ouviu, foram muitos os registros para 2028
Se trouxer de volta ao Governo o ex-secretário Roberto Ribeiro, o Governo Ciacci estaria ressuscitando todas as picuinhas e polêmicas que envolveram a saída de Ribeiro no passado? Será que desta vez ele para de arrumar confusão? Veremos!
Com a Comunicação sem comando no Executivo, o Governo Ciacci teria na cartola a possibilidade de transferir o Jornalista titular da pasta de Turismo para a Comunicação. Afinal, é melhor ficar vago no Turismo do que não ter uma Comunicação eficiente!
Com boa votação na eleição de 26, Ademir é hoje o mais cotado para ocupar a vice de Ciacci em 2028. Difícil é encontrar vaga para Antônio Silva e convencer nomes como Dudu Ottoni e outros a desistirem do Executivo e da vaga de vice. Missão difícil!
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