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Coluna Fatos e Versões com Rodrigo Silva Fernandes 24/06/2026

  • há 2 horas
  • 8 min de leitura
RODRIGO SILVA FERNANDES é advogado e articulista político da Gazeta escreve as quartas e sextas. Email:Rs.fernandes@fiemg.com.br
RODRIGO SILVA FERNANDES é advogado e articulista político da Gazeta escreve as quartas e sextas. Email:Rs.fernandes@fiemg.com.br
Justiça reconhece irregularidades em processo político e barra cassação de Cassio Chiodi na Câmara de Varginha
O juiz Wagner Aristides Machado da Silva Pereira, da Vara da Fazenda Pública de Varginha, reconheceu as irregularidades no processo político de cassação do vereador Cassio Chiodi e concedeu liminar para suspender todo o processo. A decisão foi na última sexta (18/06). No dispositivo da decisão o magistrado diz “Ante o exposto, com fundamento no art. 7º, inciso III, da Lei nº12.016/2009, DEFIRO A MEDIDA LIMINAR para determinar a imediata suspensão dos efeitos da deliberação plenária, no que tange ao impetrante (vereador Cassio Chiodi), ocorrida na 33ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Varginha, realizada em 03 de junho de 2026, sobrestando-se, por conseguinte, todos os atos subsequentes da Comissão Processante instaurada, inclusive o mandado de citação expedido em 08 de junho de 2026, até o julgamento definitivo do presente mandado de segurança”. O processo de cassação de Cassio Chiodi é baseado em ofício do prefeito Leonardo Ciacci, enviado, votado e aceito na mesma tarde do dia 03 de junho na 33ª sessão plenária da Câmara de Varginha. No ofício do prefeito, em resumo, é argumentado que as fiscalizações nas escolas públicas municipais realizadas pelo vereador Cassio Chiodi seriam irregulares e estariam perturbando o andamento do ensino ministrado. Junto ao ofício do prefeito, foi anexado carta de 23 diretoras escolares que estariam contrárias as fiscalizações legislativas, vale pontuar que a maioria das diretoras que subscrevem a carta não foram visitadas pelo vereador Cassio Chiodi. Outro ponto importante é que na grande maioria das fiscalizações do vereador, foram encontradas irregularidades graves como uma escola com trincas em parte de sua estrutura, o local foi interditado pelo Corpo de Bombeiros após a denúncia do vereador. Em outra visita, Cassio Chiodi filmou a caixa de água da escola com fezes de pombos que infestavam o local, além de problemas de esgoto a céu aberto entre outros casos. As fiscalizações de Chiodi diferenciam de outras vereadores em razão de, além de enviar ofícios cobrando melhorias, o edil também registra as falhas e divulga em suas redes sociais.

Justiça reconhece irregularidade em processo político e barra cassação de Cassio Chiodi na Câmara de Varginha – Parte 02
Com a decisão liminar da Justiça, a Câmara deverá recomeçar de forma regular todo o processo político, bem como atentar para as questões legais do processo legislativo de cassação, dando permissão de ampla defesa ao vereador. O processo de cassação de Cassio Chiodi foi pedido pelo prefeito Leonardo Ciacci após a audiência pública, convocada por Chiodi, onde a secretária de Educação Juliana Mendonça foi obrigada a ir ao Legislativo explicar problemas na pasta. No evento a secretária foi cobrada pela falta de investimentos legais e nomeações necessárias na Educação. Outros temas como o alto gasto em diárias de viagens da secretária Juliana Mendonça e falta de estrutura na Educação não puderam ser abordados na audiência, embora sejam de conhecimento corrente da pasta e seus colaboradores. Além disso, investigações externas buscam saber sobre trama envolvendo a secretária Juliana Mendonça e diretoras escolares que visavam interferir em processo Legislativo e atacar membro da Câmara. O Sindicato do Professores do Magistério (Sinpromag) participa ativamente do processo de apuração do caso e apoia as ações de fiscalização do vereador Cassio Chiodi. As ações de fiscalização de Cassio Chiodi não se limitam apenas a área de Educação. Na semana passada o vereador realizou teste laboratorial na água da Mina pública gerenciada pela Prefeitura de Varginha no Bairro Campos Elíseos. O resultado de laboratório apontou que a água oferecida à população teria a presença de coliformes e estaria imprópria para consumo. A Prefeitura de Varginha não manifestou sobre o caso. O vereador Chiodi divulgou o resultado do exame laboratorial em suas redes sociais e disse que vai apresentar ofício no Legislativo cobrando solução para o caso. Fica claro que a fiscalização de Chiodi no cumprimento do seu dever legislativo tem dado trabalho ao Governo, talvez por isso seja importante ao Executivo não ter alguém com o perfil de Chiodi na Câmara. Será que o Legislativo vai aceitar esta interferência no seu trabalho?

A Cesar o que é de Cesar!
O Theatro Municipal Capitólio, principal espaço cultural público de Varginha, recebeu um novo sistema de climatização e a entrega de novos equipamentos. A cobrança por parte do setor cultural era antiga. O espaço público agora poderá oferecer mais conforto e estrutura para grandes espetáculos, como apresentação da Orquestra Filarmônica de Varginha entre outros. O diretor-superintendente da Fundação Cultural de Varginha, Marco Aurélio da Costa Benfica, conhecido como Marquinho Benfica, é nome próximo do prefeito Ciacci e tem suportado bem a pressão do setor cultural que sempre tem novas demandas e acusações, embora pouca união e mobilização para causas comuns. A decisão de climatizar o teatro surgiu em 2021, quando o desconforto térmico enfrentado pelo público e por alunos em eventos como formaturas foi criticado. Além da climatização e novos aparelhos o Capitólio vai receber outros investimentos em torno de R$ 2 milhões, para a modernização do sistema cênico do teatro. A data final da entrega de todas as obras não foi apresentada. Vejam que desde 2021 foi identificada a necessidade de obras e apenas em 2026 foi concluída a climatização. De qualquer forma, vale pontuar que tal entrega é um ponto importante para a Gestão Ciacci junto ao setor cultural que vive apontando descontentamentos. Resta saber se este primeiro ponto positivo na entrega de obras e promessas antigas vai continuar ou se é apenas um ponto fora da curva na atual gestão. A conferir!

Investimento x Sobrevivência
O Shopping Via Café é o maior empreendimento comercial de varejo de Varginha e recebe milhares de pessoas, mas foi vítima do próprio grupo empresarial que o idealizou e depois mergulhou em maus negócios com outros empreendimentos. O resultado foi que o lucrativo Via Café passou um bom tempo custeando o prejuízo dos demais empreendimentos até que o Banco Bradesco (credor do grupo empresarial criador do Via Café) levasse todos os empreendimentos para leilão, a fim de quitar o financiamento. Todavia, a pujança da economia regional e a boa gestão do Via Café sobreviveram ao pior momento de sua recente história. O Via Café ainda tem muito a caminhar, mas já começou a investir em sua nova fase. Boatos contam que o Bradesco teria conseguido “passar para frente o empreendimento em Varginha”, o que não é coisa difícil! Talvez isso explique o atual momento de investimentos do shopping. A Coluna sabe de pelo menos dois grupos empresariais que interessam no Via Café, mas será que alguém comprou efetivamente? Quem seria? A manutenção e crescimento do Via Café em Varginha é fundamental para o comércio local e regional, pois o centro de compras traz inovação, investimento e novas ideias que estão forçando o comércio local a mudar também, e mudar pra melhor! Engana-se o comerciante local que torce contra o Via Café, pois o empreendimento impulsionou toda a região e fidelizou muitos consumidores a visitar Varginha semanalmente! E isso precisa ser equacionado na relação do Via Café com o comércio de rua, pois ambos estão mudando pra melhor e muito por conta do Via Café e dos perrengues que passam a economia nacional. A Coluna torce pelo melhor para o Via Café e para os muitos comerciantes locais.

Copasa não é mais pública
Foi concluída na semana passada em cerimônia na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), a venda da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) no valor total de R$ 8,3 bilhões. A venda na bolsa marcou a transferência do controle acionário da empresa para o setor privado. O movimento integra o processo de desestatização do saneamento mineiro, iniciado no governo anterior e concluído após aprovação dos órgãos reguladores. O Grupo Equatorial Energia adquiriu 30% do capital social da Copasa, enquanto a Perfin ficou com 12,76% das ações. O governo do Estado manteve 5% de participação, e os outros 65% permaneceram distribuídos entre os demais acionistas da companhia. Com essa configuração, a Equatorial passa a ser a maior acionista individual, assumindo a liderança na gestão da empresa, que atende cerca de 750 municípios mineiros e é responsável por grande parte do abastecimento de água e tratamento de esgoto do estado. Apesar da perda do controle societário, o Governo de Minas Gerais garantiu participação estratégica por meio de uma "Golden Share" (ação dourada), instrumento que confere ao poder público o direito de veto em decisões consideradas de risco para os interesses da população e do Estado. Entre as matérias sujeitas a esse poder estão eventuais mudanças na concessão dos serviços, alterações contratuais e decisões regimentais que possam comprometer a universalização do saneamento básico no território mineiro. A capitalização da empresa permitirá ampliar a cobertura de serviços de água e esgoto no interior do estado. Autoridades e representantes do mercado financeiro projetam um novo ciclo de expansão e eficiência para a companhia sob a nova governança corporativa. Vale ressaltar que as centenas de municípios mineiros que constroem loteamentos, bem como empreendedores de todo Estado, devem ficar atentos para que as estruturas de saneamento instaladas nos municípios, agora, deverão ser passadas para as Prefeituras, que por sua vez podem repassar para a nova Copasa em comodato ou mesmo alugadas a nova empresa. Além disso, cabe saber se a Prefeitura de Varginha vai começar a cobrar o salgado IPTU da empresa privada Copasa a partir de 2027?

Pinga Fogo
Varginha e muitas cidades da região receberam promessas do Governo Estadual no período em que tais cidades polo da região “viraram Capital por alguns dias”. O desafio é saber o que é promessa política e o que é realmente possível de fazer!

A concessionária EPR tem passado despercebida pelas muitas cobranças populares e políticas para antecipar investimentos, visto que não deseja reduzir o valor do pedágio, e ninguém fala do quanto os municípios da região ganham com a salgada cobrança!

O aeroporto de Varginha vem crescendo em número de passageiros, mas é a aviação de cargas que parece ser o dom do empreendimento. Resta saber se aquela estrutura pública vai continuar dando lucro apenas para uma empresa ou para toda cidade?

O ex-vereador cassado Marquinho da Cooperativa esta perseguindo seus antigos colegas do Legislativo em busca de vingança ou esta a mando de alguém em outro Poder? A julgar pela bussola moral do vereador cassado, pode ser as duas coisas!

Jornada empreendedora em Brasília
Na semana passada, André Yuki, presidente da Abrasel no Sul de Minas, do SEHAV e da ACIV, cumpriu agenda estratégica em Brasília voltada ao fortalecimento do desenvolvimento regional e à defesa dos empreendedores do setor de alimentação. A programação teve início com o 38º Congresso Nacional da Abrasel, realizado no Centro de Eventos e Convenções Brasil 21, que reuniu autoridades e lideranças empresariais para debater desafios e oportunidades do setor. Durante o congresso, foram discutidos temas como Reforma Tributária, trabalho intermitente, saúde mental corporativa, empreendedorismo feminino e tendências internacionais, além de inovações em delivery, presença digital e estratégias comerciais. Paralelamente, André Yuki reuniu-se com o senador Carlos Viana e os deputados federais Pedro Aihara e Marcelo Álvaro Antônio. Na ocasião, foram entregues três documentos estratégicos: o Plano de Restauração do Setor de Alimentação, o Manifesto Simplifica Brasil e o Manifesto do Sul de Minas. Entre os pontos apresentados, André destacou a importância da PEC 12/2026, que trata do modelo de trabalho flexível, permitindo que trabalhadores escolham entre o regime tradicional da CLT ou um sistema baseado em horas trabalhadas. Também foram ressaltadas demandas regionais como manutenção e ampliação de estradas, retomada da ferrovia, viabilidade de trem de alta velocidade, melhoria da infraestrutura aeroportuária, investimentos em destinos turísticos, capacitação profissional e redução da carga tributária. Os documentos entregues representam a voz de milhares de empreendedores e reúnem propostas voltadas à simplificação de processos, incentivo a investimentos e criação de um ambiente mais favorável para quem produz e gera empregos.

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Gazeta de Varginha

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