Coluna Fatos e Versões com Rodrigo Silva Fernandes 27/03/2026
há 4 horas
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RODRIGO SILVA FERNANDES é advogado e articulista político da Gazeta escreve as quartas e sextas. Email: Rs.fernandes@fiemg.com.br
Câmara vota cassação: Povo mineiro atento ao
Legislativo de Varginha
Hoje os olhos de Minas vão olhar para o voto de cada um dos vereadores de Varginha no processo de cassação aberto contra o vereador Marquinho da Cooperativa. A imprensa em peso vai estar presente na Câmara, levando as imagens e resultados para todo o Brasil, visto que as emissoras de TV planejam usar a pauta para divulgação nacional, devido a repercussão do tema. O caso Marquinho da Cooperativa ganhou proporção por conta de vários fatores. O vereador sempre manteve perfil belicoso e de confronto, seja com os colegas de plenário que sofreram ameaças veladas do mesmo ou atritos com a imprensa e instituições. Além disso, o desempenho legislativo de Marquinho também é baixo, sem nenhum projeto de relevância aprovado na Câmara, ou mesmo nenhuma ação de destaque na fiscalização do Executivo ou redução dos gastos públicos. Pelo contrário, no período em que esteve na presidência da Câmara, tentou gastar milhões na construção de uma nova e desnecessária sede para o Legislativo. Mas embora o baixo desempenho do vereador não fosse foco da atenção de seus colegas de plenário, o crescente desgaste do Legislativo provocado pelo ex-presidente da Câmara, começou a incomodar os vereadores, principalmente os novatos que sabem da necessidade de retidão e ética na função pública legislativa. Diante deste histórico de conflitos internos e externos, bem como o crescente desgaste do Legislativo que chega na forma de cobranças de eleitores pela cidade, os vereadores de Varginha vão votar o pedido de cassação de Marquinho nesta sexta. A expectativa é de “casa cheia” e amplo acompanhamento da sessão nas plataformas digitais e redes sociais, que gravam hoje as falas e votos dos vereadores, para futura apresentação em eleições futuras, o que é sempre um risco para quem não vota com responsabilidade e consciência!
Câmara vota cassação: Povo mineiro atento ao
Legislativo de Varginha - 02
Surpreendeu a dedicação da Comissão Processante que analisou o caso Marquinho da Cooperativa, com um trabalho idôneo e primoroso na construção do parecer final sobre o caso. A observação do processo legal, critérios técnicos fundamentados e isenção nas oitivas e condução do caso. Em que pese dois dos vereadores da comissão processante da Câmara serem novatos em primeiro mandato, surpreende o profissionalismo e capacitação da comissão na condução do processo, o que pode ser indício que os vereadores da comissão são realmente capacitados ou tiveram bom apoio técnico do Legislativo. De qualquer forma, fica claro que o caso Marquinho da Cooperativa, embora seja um enorme desgaste para todo o Legislativo, será um aprendizado social e político para esta legislatura e tem tudo para marcar história como o primeiro caso de cassação da cidade. E por certo que, se a cassação for aprovada, não será um demérito para o Legislativo, pelo contrário. Será a prova que esta legislatura está atenta e vigilante da necessidade de critérios mínimos de ética e decoro público no desempenho do cargo político de vereador de Varginha. Aliás, a opinião pública está atenta e revoltada com o caso Marquinho, o que pode ser verificado nas inúmeras manifestações nas redes sociais e questionamentos dos munícipes aos vereadores desta legislatura. Os vereadores e vereadoras desta legislatura não podem se omitir a dar resposta sobre este caso à população, bem como responsabilizar-se pelo posicionamento individual de cada um dos integrantes do Legislativo. A conferir!
Sai atirando?
Fontes da Coluna indicam que o desespero tomou conta do (ainda) vereador Marquinho da Cooperativa, que depois de muito pressionar (e fazer ameaças veladas) a colegas de plenário, identifica que pode mesmo perder o mandato nesta sexta. Nos bastidores o ex-presidente da Câmara alega que vai tentar judicializar o tema, caso venha a ser cassado nesta noite. Se isso realmente ocorrer, a Justiça vai receber o pedido do vereador, afinal a Justiça é a última opção de socorro para todo cidadão. Contudo, não se acredita que uma sentença judicial definitiva seja deferida antes do final do mandato. Ou seja, se mesmo depois de perder no plenário Marquinho da Cooperativa judicializar, corre o risco de se vier a ganhar, não levar! Os casos na Justiça são demorados e o mandato desta legislatura termina em dezembro de 2028. Ademais, diante de toda a robusta documentação probatória do caso, dificilmente algum magistrado daria ganho de causa ou mesmo uma liminar neste caso. Além disso, tem também a questão estratégica e política que envolve o caso. Embora o Governo Ciacci tenha abandonado publicamente Marquinho para evitar ser contaminado pelo desgaste eleitoral na opinião pública. Nos bastidores Ciacci ainda colabora com o ex-presidente da Câmara, que possui cargos indicados no Executivo e, (por tudo que sabe e já fez), pode vir a conseguir outras benesses, mesmo que deixe o cargo. Contudo, se “sair atirando, corre o risco de perder realmente o pouco que ainda lhe resta”, dizem fontes dentro do Executivo e Legislativo. Caso Marquinhos trilhe o caminho do ataque aos vereadores que “diz ter debaixo do balaio”, vai encontrar nestes mesmos vereadores a iniciativa para barrar qualquer tipo de apoio posterior por parte do Executivo ou Legislativo ao ex-presidente e seus aliados e indicados.
Pinga Fogo
O ex-secretário que saiu do Governo Ciacci para integrar a banca de advocacia sabe que o relacionamento entre poder público e iniciativa privada tem critérios éticos e legais. Deveria ter dado estas informações ao seu ex-colega da Secretaria de Obras!
A greve prevista na empresa de transporte público coletivo de Varginha é um claro desleixo e pouco caso da empresa e do Município com o cidadão que usa o transporte coletivo. Empresa e Município não tiveram interesse em debater o caso na Câmara!
Discreto e dedicado, o reitor do UNIS Felipe Flausino vem realizando grande trabalho de bastidores para estruturar o Centro Universitário e conquistar apoios importantes para o UNIS continuar sua trajetória de crescimento.
Após o encerramento da janela eleitoral em 04 de abril, quando saberemos a filiação partidária de cada um dos candidatos das eleições de 2026, teremos uma “nova fase” da relação entre o ex-prefeito Vérdi Melo e o atual prefeito Ciacci. Aguardem!
Parque São Francisco: Como utilizar este patrimônio
em favor do Meio Ambiente e da população de Varginha?
O Parque Natural Municipal São Francisco de Assis (PNMSFA), um dos mais antigos do Brasil e importante patrimônio ambiental de Varginha, acaba de alcançar um marco histórico para sua preservação e gestão. A unidade de conservação foi oficialmente contemplada com o reconhecimento para recebimento do ICMS Ecológico, benefício que bonifica municípios pela existência de áreas protegidas em seu território. A conquista representa um alívio financeiro aos cofres públicos municipais, e, também, um importante avanço na valorização da biodiversidade local. Com 147,25 hectares, o PNMSFA está estrategicamente localizado entre os bairros Padre Vitor, São Francisco e Imperial, fazendo divisa ainda com o Jardim Sion e a fazenda Experimental da Fundação Procafé. Criado em 1957, o parque protege uma área de transição entre dois dos biomas mais ricos e ameaçados do país: a Mata Atlântica e o Cerrado. Apesar de atualmente encontrar-se fechado para visitação, a unidade guarda em seus domínios um verdadeiro santuário ecológico, com nascentes, fauna diversificada e espécies vegetais nativas que despertam interesse de pesquisadores de todo o estado. A adequação do parque aos critérios exigidos para o ICMS Ecológico demandou um esforço coletivo da administração municipal, com o apoio de parceiros institucionais. A Prefeitura de Varginha atualizou o Plano de Manejo da unidade, promoveu a reformulação da legislação que denomina o Parque e reestruturou o Conselho Consultivo do PNMSFA, o COPARQUE. Essas medidas foram fundamentais para comprovar a efetiva gestão da área protegida e garantir o ingresso no programa estadual. Com a regularização concluída, a expectativa agora se volta para a reabertura do espaço à população. Em breve, o Parque São Francisco — como é carinhosamente chamado pelos moradores — poderá receber atividades de recreação, turismo ecológico, esportes ao ar livre, programas de educação ambiental e projetos de pesquisa científica.
Parque São Francisco: Como utilizar este patrimônio em favor do Meio Ambiente e da população de Varginha? – 02
O Parque São Francisco possui um enorme potencial de apoio ao meio ambiente, não apenas arrecadando recursos estaduais, mas também desenvolvendo projetos turísticos e ambientais voltados à sociedade. Trazer para Varginha projetos de ecoturismo, ações com alunos das escolas públicas, projetos de cultivo e de plantas e árvores nativas que podem ser plantadas pela cidade. O município poderia, inclusive, desenvolver um viveiro de mudas no local. Além disso, o cuidado e desenvolvimento de nascentes no parque poderia melhorar a vazão da água que abastece os aquíferos da cidade, entre muitos outros benefícios. Todavia, atualmente, o Parque São Francisco e sua enorme área está fechado para uso da sociedade. Mas não para a invasão de delinquentes que já provocaram incêndios e muitas perdas no local. As cercas de fechado do parque estão surradas e muitas frágeis sendo um convite para meliantes e usuários de drogas. A criação de projetos ambientais e sociais é um ideal projetado pela Prefeitura de Varginha, que pode ou não sair do papel, a depender da competência do prefeito Ciacci. Já a segurança, fechamento e fiscalização do local é uma obrigação da qual o Governo Ciacci não pode correr ou tentar se esquivar, mesmo porque possui recursos em caixa para cumprir sua obrigação para com este patrimônio municipal.
Todos iguais, mas uns mais iguais que os outros!
Nesta semana uma realidade foi desmascarada no poder público de Varginha: o Governo Ciacci trata de forma diferente sua base em relação à (crescente) oposição! Isso pode parecer óbvio, ou difícil de ocorrer tendo em vista, por exemplo, que existem as emendas impositivas que são obrigatoriamente executadas independente da posição do vereador. Todavia, os vereadores da base têm suas respostas a requerimentos respondidas mais rapidamente com o maior detalhamento que as informações requeridas pelos vereadores da oposição. A falta de habilidade política do Governo Ciacci não está no tratamento diferenciado entre oposição e situação, mas sim na clara demonstração deste tratamento injusto. Em cidades próximas e mesmo no Governo Estadual, vereadores e deputados da oposição até imaginam que são tratados “com menor atenção pelos governos, mas não tem certeza ou prova desta diferenciação”. Já em Varginha existe uma “política institucional belicosa clara, onde secretários são orientados a evitar atender este ou aquele vereador. O prefeito não atende a oposição e persegue quem não está alinhado às suas vontades”. Existe vereador que tem “coleção de recusas de tentativas frustradas para marcar audiência com o prefeito e/ou secretários”. Neste caminho, o Governo não vai chegar longe e fecha portas para composições conjuntas necessárias para a conquista de grandes investimentos.
Boladona!
A coluna vem dialogando com muitas autoridades municipais, estaduais e com a Empresa de Concessões EPR, que possui a concessão da MGC 491. A Coluna identificou que existe mudança de comportamento das lideranças políticas, a depender da situação da liderança política na cidade. Quando a liderança política está no comando governista do município sua “sensibilidade às muitas reclamações populares quanto ao valor do pedágio são menores”. A diferença é clara daqueles que não estão no poder, que estão esperneando e cobrando soluções cotidianamente! No caso de Varginha, o pouco caso e ineficiência do prefeito Ciacci em procurar reduzir o valor do pedágio cobrado na MGC 491 ou antecipar as obras de conclusão da duplicação da via até Varginha são “explicadas pela bolada anual em torno de Hum Milhão de reais repassados pela concessionária à Prefeitura de Varginha. Que recebe o dinheiro “limpo e sem carimbo para fazer o que quiser”. E o que será que Ciacci está fazendo com esta bolada?
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