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Consumo paterno de ultraprocessados é associado a maior peso e gordura no bebê ao nascer

  • há 1 dia
  • 2 min de leitura
Reprodução
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O consumo de alimentos ultraprocessados pelos pais antes da concepção pode estar associado ao peso e à quantidade de gordura dos bebês ao nascer, segundo um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP). A pesquisa analisou 43 grupos formados por pai, mãe e recém-nascido atendidos pela rede pública de saúde de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Os resultados apontaram que, quanto maior a participação dos ultraprocessados na alimentação do pai, maior tendia a ser o peso do bebê ao nascer e o acúmulo de gordura em determinadas regiões do corpo.

Os pesquisadores avaliaram especificamente a alimentação paterna antes da concepção. Para identificar o consumo de ultraprocessados, foram utilizados dois recordatórios alimentares de 24 horas, classificados de acordo com o sistema NOVA. Entre os alimentos mais consumidos pelos pais estavam carnes processadas, bebidas açucaradas e biscoitos. Em média, os ultraprocessados correspondiam a cerca de 30% da energia total consumida pelos homens analisados.

Além do peso ao nascer, os pesquisadores avaliaram medidas corporais dos recém-nascidos e estimaram a quantidade de gordura corporal. O maior consumo paterno de ultraprocessados esteve relacionado a maior acúmulo de gordura nas coxas e na região supra-ilíaca, localizada próxima à lateral do abdômen, conhecida popularmente como região dos “pneuzinhos”.

O trabalho chama atenção para a participação da alimentação masculina no período anterior à gravidez. Segundo os pesquisadores, orientações de saúde e planejamento familiar tradicionalmente dão maior atenção à alimentação e às condições de saúde das mulheres, enquanto os hábitos dos homens recebem menos atenção. Os resultados indicam que a qualidade da dieta paterna antes da concepção também merece ser considerada nas orientações relacionadas à saúde reprodutiva.

A pesquisa faz parte de uma linha de estudos que investiga a relação entre as condições de saúde dos pais e características dos recém-nascidos. Em um trabalho anterior, a mesma equipe havia observado uma associação entre o excesso de peso dos pais e características do bebê ao nascer. Na nova análise, os pesquisadores procuraram avaliar especificamente a qualidade da alimentação paterna, em vez de considerar apenas o peso corporal.

Os autores ressaltam, porém, que o estudo tem uma amostra pequena, formada por apenas 43 famílias. Por isso, os resultados ainda precisam ser investigados em pesquisas maiores para que a associação observada seja melhor compreendida. O trabalho não estabelece, por si só, que o consumo de ultraprocessados pelo pai seja a causa direta das alterações observadas nos recém-nascidos.

O estudo foi publicado na revista científica Nutrition Research e teve como objetivo investigar a relação entre o consumo paterno de alimentos ultraprocessados e medidas corporais dos recém-nascidos. Para os pesquisadores, os resultados reforçam a necessidade de ampliar as orientações de saúde antes da concepção para incluir também os homens e seus hábitos alimentares.

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Gazeta de Varginha

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