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Copom mantém discurso de juros restritivos e alerta para riscos fiscais, sem indicar próximo passo

há 6 dias
2 min de leitura


O Banco Central afirmou que a política monetária deve continuar restritiva diante da pressão inflacionária, mas evitou indicar qual será o próximo movimento dos juros. A avaliação consta na ata da reunião mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira (22).

Na reunião da semana passada, o Copom reduziu a taxa básica de juros, a Selic, para 13,75% ao ano. Apesar do corte, o colegiado afirmou que a inflação continua pressionada pela demanda e que será necessário manter uma política monetária suficientemente restritiva para garantir a convergência dos preços à meta.

O Banco Central também não antecipou o tamanho ou o ritmo dos próximos movimentos. Segundo a ata, a magnitude total do atual ciclo de ajuste será definida de acordo com a evolução do cenário econômico.

Em um contexto descrito pelo Copom como de incerteza em níveis historicamente elevados, o comitê apontou que os riscos para a inflação permanecem assimétricos para cima. Por isso, a autoridade monetária afirmou que pretende ajustar a intensidade da política de juros conforme os dados e as condições econômicas evoluírem.

Entre os fatores de preocupação destacados pelo Banco Central estão o enfraquecimento do esforço de reformas estruturais e de disciplina fiscal, o aumento do crédito direcionado e as dúvidas sobre a estabilização da dívida pública.

De acordo com o Copom, esses fatores podem elevar a chamada taxa de juros neutra da economia. Essa taxa serve como uma referência para o nível de juros que, em condições normais, não estimula nem contrai a atividade econômica.

Uma taxa neutra mais elevada pode exigir uma Selic também mais alta para que a política monetária produza o efeito necessário sobre a inflação. O Banco Central, portanto, relacionou as condições fiscais e estruturais da economia às condições necessárias para o controle dos preços.

A ata também destacou a influência dos chamados choques de oferta sobre a inflação recente e sobre as perspectivas para os próximos períodos. O Copom avaliou que não deve reagir diretamente aos efeitos primários desses choques, mas afirmou que é necessário acompanhar possíveis efeitos secundários.

Caso esses efeitos secundários se materializem e provoquem uma pressão mais persistente sobre os preços, o Banco Central afirmou que poderá reagir de maneira firme.

No cenário doméstico, o comitê apontou uma desaceleração gradual da atividade econômica. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026 em relação aos três meses anteriores, indicando perda de ritmo da economia.

O cenário internacional também foi citado como fonte de incerteza. O Banco Central afirmou que a continuidade do conflito no Oriente Médio exige cautela das economias emergentes, principalmente diante da possibilidade de maior volatilidade nos preços dos ativos e das commodities.

A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para buscar o cumprimento da meta de inflação. Na avaliação apresentada na ata, a projeção do Copom para a inflação no primeiro trimestre de 2028, que corresponde ao atual horizonte relevante da política monetária, está em 3,2% no cenário de referência.

Com a divulgação do documento, o Banco Central manteve em aberto a definição sobre os próximos movimentos da Selic, reforçando que as decisões dependerão da evolução do cenário econômico, das pressões inflacionárias e das condições fiscais.

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