CPMI do INSS aprova quebra dos sigilos bancário e fiscal de Lulinha em meio a investigação sobre fraudes previdenciárias
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A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aprovou, na manhã desta quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026, a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luis Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão faz parte de uma série de requerimentos votados pelo colegiado no âmbito da investigação sobre o suposto esquema de fraudes e irregularidades na concessão de benefícios previdenciários que teria lesado aposentados e pensionistas.
O requerimento para a quebra de sigilo, apresentado pelo relator deputado Alfredo Gaspar (União-AL), foi aprovado de forma simbólica junto com outros 87 requerimentos relacionados à apuração. Entre os documentos que embasaram o pedido, segundo parlamentares, estão mensagens interceptadas e indícios que possam apontar movimentações financeiras atípicas atribuídas a Lulinha no período entre 1º de janeiro de 2022 e 31 de janeiro de 2026. A comissão ainda incluiu em sua pauta outros pedidos de quebra de sigilo e convocações de pessoas e instituições envolvidas nas apurações.
Após a aprovação, a sessão foi marcada por discussões e tumulto entre parlamentares, com embates verbais e empurra-empurra registrado no plenário, o que levou à interrupção da transmissão da reunião pela TV Senado. Parlamentares governistas criticaram o resultado e questionaram a forma como os requerimentos foram votados, enquanto membros da oposição comemoraram a aprovação das medidas.
A CPMI foi instalada para investigar a chamada Operação Sem Desconto, que apura um esquema bilionário de descontos indevidos em benefícios do INSS. A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) realizaram fases da operação que culminaram em apreensões de celulares e documentos, nos quais o nome de Lulinha teria sido citado em mensagens relacionadas a repasses de recursos, incluindo menções a um pagamento de R$ 300 mil que poderia ter sido destinado ao filho do presidente, conforme informações levantadas pelos parlamentares.
A comissão também ouviu depoimentos e pautou a oitiva, ao longo do dia, de outros envolvidos na investigação, incluindo empresários e representantes ligados ao esquema investigado. A CPMI tem prazo até o final de março de 2026 para concluir seus trabalhos, e a inclusão da quebra de sigilo de Lulinha ocorre em um momento em que as apurações ainda estão em andamento.
A defesa de Lulinha nega que ele tenha qualquer relação com as fraudes, afirmando que o empresário não participou de desvios nem recebeu valores de fontes criminosas, e declarou que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos assim que tiver acesso aos autos da investigação.
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