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Daniel Vorcaro comemorou reportagem sobre contrato do Banco Master com escritório da mulher de Alexandre de Moraes

há 54 minutos
3 min de leitura
Reprodução
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O ex-banqueiro Daniel Vorcaro comemorou, em abril de 2025, a publicação de uma reportagem que revelou a existência de um contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma conversa com Augusto Lima, ex-sócio do banco, Vorcaro classificou a notícia como a “melhor matéria” publicada sobre os negócios da instituição naquela semana.

As mensagens foram extraídas do celular de Vorcaro pela Polícia Federal (PF). No diálogo, Lima encaminhou ao antigo parceiro de negócios um link de uma reportagem publicada pelo jornal O Globo, cujo título era “Banco Master contratou mulher de Alexandre de Moraes”.

Ao receber a notícia, Vorcaro respondeu: “Melhor matéria que fizeram nossa na semana”.

Naquele momento, a reportagem havia revelado a existência da relação contratual entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes e dos dois filhos do ministro, mas o valor do acordo ainda não havia sido divulgado.

Posteriormente, a Polícia Federal encontrou um contrato que indicava o montante de R$ 131 milhões.

Contrato previa R$ 131 milhões

O acordo entre o Banco Master e o escritório de advocacia ganhou maior relevância após a divulgação de informações sobre os valores envolvidos. Quebras de sigilo realizadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado apontaram que o escritório recebeu R$ 80 milhões entre 2024 e 2025.

O restante do valor previsto no contrato não teria sido repassado porque o acordo foi interrompido após a prisão de Vorcaro.

A conversa entre o ex-banqueiro e Augusto Lima também evidencia que os dois mantinham contato frequente mesmo depois da saída oficial de Lima da sociedade do Banco Master, em maio de 2024.

Segundo as informações obtidas pela investigação, Lima costumava encaminhar reportagens a Vorcaro, e os dois conversavam por telefone sobre acontecimentos relacionados aos negócios e ao cenário político.

Outras mensagens mencionavam Alexandre de Moraes

O diálogo sobre o contrato não foi a primeira ocasião em que Augusto Lima encaminhou a Vorcaro uma notícia relacionada ao ministro Alexandre de Moraes.

Em março de 2025, Lima havia enviado uma reportagem sobre a decisão do magistrado de arquivar a investigação contra Ibaneis Rocha (MDB), então governador do Distrito Federal, relacionada aos atos de 8 de janeiro de 2023.

De acordo com o registro das conversas, Vorcaro telefonou para Lima seis minutos depois de receber aquela notícia.

Cerca de um mês mais tarde, o ex-sócio encaminhou a reportagem sobre o contrato entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes. Foi nessa ocasião que Vorcaro reagiu com a mensagem em que classificou a publicação como a melhor matéria da semana sobre os negócios do grupo.

Polícia Federal identificou alteração no contrato

Outro elemento relacionado ao acordo apareceu em um relatório da Polícia Federal que analisou a relação entre Vorcaro e Alexandre de Moraes.

Segundo a corporação, os metadados do arquivo digital do contrato indicam que o documento teve sua última modificação realizada por um usuário associado ao ministro do STF.

O arquivo havia sido enviado por Viviane Barci de Moraes diretamente a Vorcaro por meio de um aplicativo de mensagens e posteriormente foi extraído do celular do ex-banqueiro durante a investigação.

Os metadados apontaram o nome e o usuário vinculados a Alexandre de Moraes como responsáveis pela última alteração registrada no documento. A informação, por si só, não esclarece o conteúdo exato das modificações nem demonstra, isoladamente, a existência de irregularidade na contratação.

Em manifestação divulgada anteriormente, Viviane afirmou que consultou o marido sobre a eventual existência de impedimentos legais para a contratação do escritório pelo banco.

Segundo a advogada, a consulta foi feita considerando a condição de Moraes como marido da sócia-diretora da banca. Ela afirmou que buscou esclarecer se havia impedimentos relacionados a processos sob a relatoria do ministro no STF ou a julgamentos de interesse do possível cliente.

A reportagem procurou Alexandre de Moraes, o escritório de Viviane Barci de Moraes e Augusto Lima para obter posicionamentos sobre as mensagens e as informações relacionadas ao contrato. Nenhum dos três quis se manifestar.

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