Líderes da União Europeia reafirmam apoio a Zelensky em cúpula de Bruxelas; UE prepara pacote de inverno com ajuda financeira, defesa aérea e sanções à Rússia
há 32 minutos
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Os líderes da União Europeia reuniram-se em Bruxelas nesta sexta-feira para receber o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, e reafirmar o apoio do bloco ao país num dos momentos mais difíceis da guerra. A solidariedade europeia acontece em contraste com as críticas vindas dos Estados Unidos: o presidente Donald Trump classificou recentemente os ataques ucranianos a refinarias russas como uma "vergonha", além de ter anunciado um suposto acordo de trégua energética sem confirmação de Moscou e fechado um acordo sobre compra de diesel russo que causou desconforto em Kiev e entre os próprios aliados europeus. A cúpula busca garantir que a Ucrânia conte com recursos e proteção para enfrentar o inverno, quando as temperaturas caem e a pressão sobre a infraestrutura energética tende a se intensificar.
Ao chegar à reunião, Zelenskiy abraçou diversos chefes de Estado e de governo e explicou a prioridade imediata: "Queremos acabar com essa guerra o mais rápido possível. Não vemos, no momento, sinais do lado russo de que estejam prontos para isso". O pacote de medidas em preparação não se restringe ao fornecimento de energia, mas engloba também reforço na defesa aérea e linhas de financiamento para o governo ucraniano. O primeiro-ministro da Estônia, Kristen Michal, adiantou que a UE provavelmente precisará conceder um novo empréstimo para ajudar a cobrir o déficit orçamentário de Kiev no próximo ano. "O inverno passado já foi um inferno; este será, mais uma vez, como um inferno", avaliou, destacando que a Europa não pode se cansar de apoiar a Ucrânia enquanto a guerra prossegue.
A preocupação com a capacidade de combate ucraniana ampliou-se com problemas no sistema de satélites Starshield, da SpaceX — versão militar do Starlink, essencial para comunicações e operações com drones no campo de batalha. Uma fonte do Ministério da Defesa da Ucrânia confirmou que os receptores passaram a funcionar apenas a velocidades de até 160 km/h, o que limita seu uso em missões móveis. Autoridades americanas negaram que Trump tenha ordenado redução deliberada do desempenho, e o próprio presidente afirmou que o compartilhamento de inteligência segue em curso. A realidade, porém, é que a Europa não dispõe de alternativa imediata para substituir o sistema: "Infelizmente, no curto prazo, a Europa não pode substituir essa capacidade", reconheceu a chefe de política externa da UE, Kaja Kallas.
Enquanto os aliados debatem formas de sustentar a Ucrânia, a situação no terreno continua grave. Ataques com drones russos à cidade de Kharkiv deixaram três pessoas mortas recentemente, e bombardeios em outras regiões deixaram centenas de milhares de habitantes sem energia elétrica — cenário que tende a piorar com a chegada do frio. A UE trabalha também num novo pacote de sanções para pressionar a Rússia a negociar, com a intenção de coordenar a medida com parceiros globais. O esforço conjunto demonstra a tentativa europeia de manter coesão num momento em que a postura dos Estados Unidos gera incerteza sobre a continuidade do apoio militar e diplomático à Ucrânia.
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