Fundador do movimento "baratas", Abhijeet Dipke, é detido pela polícia em Nova Délhi antes de protesto; manifestação pede renúncia de chefe da Comissão Eleitoral
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A polícia da Índia deteve nesta sexta-feira (16) Abhijeet Dipke, fundador do movimento conhecido como "baratas", momentos antes de um protesto convocado por ele no centro de Nova Délhi. Imagens transmitidas ao vivo pelo próprio grupo registraram o momento em que ele saía de casa e foi abordado por agentes, que o conduziram até uma viatura. "Estamos detendo você neste momento", disse um policial. Dipke respondeu: "Não violei nenhuma lei... como podem me deter?". Ainda na manhã desta sexta-feira, as autoridades já haviam se reunido com ele e o advertido para que não realizasse a manifestação. Até o momento, a polícia não apresentou justificativa oficial para a prisão.
O movimento, formalmente chamado de "Cockroach Janta Party" (CJP), atua junto a organizações estudantis e partidos de oposição em uma série de protestos que vêm ocorrendo quase diariamente ao longo deste mês. O principal pedido é a renúncia do presidente da Comissão Eleitoral da Índia, Gyanesh Kumar. A controvérsia se originou de uma revisão nas listas de eleitores: críticos afirmam que o processo favorece o Partido Bharatiya Janata (BJP), do primeiro-ministro Narendra Modi, enquanto a Comissão Eleitoral nega qualquer parcialidade e informa que os cidadãos que foram excluídos indevidamente podem se recadastrar.
A situação ganhou força com os números da revisão: mais de 130 milhões de eleitores tiveram seus nomes retirados dos cadastros. O governo e o partido no poder reagem classificando as críticas como tentativa de desestabilizar instituições democráticas. O próprio Dipke convocou o ato desta sexta-feira em solidariedade a dois outros líderes do CJP que haviam sido presos e encaminhados à prisão por cinco dias, por terem se manifestado em local proibido. A concentração estava marcada para o Central Park, no bairro de Connaught Place, região movimentada da capital, onde os participantes pretendiam hastear a bandeira nacional e fazer manifestações pacíficas.
A detenção do fundador do grupo reforça o clima de tensão em Nova Délhi. As imagens que circularam mostram a ação de forma direta e sem violência explícita, mas a rapidez com que as autoridades agiram — advertindo pela manhã e detendo à tarde — demonstra esforço para impedir que o movimento ganhe força nas ruas. A oposição e entidades estudantis mantêm a posição de que a revisão eleitoral precisa ser reavaliada de forma transparente, enquanto o governo defende a legitimidade de todos os procedimentos realizados pela Comissão Eleitoral.
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