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Data center bilionário de IA mira energia de Itaipu no Paraguai e acende alerta para o Brasil

há 57 minutos
4 min de leitura
Data center bilionário de IA mira energia de Itaipu no Paraguai e acende alerta para o Brasil
FotoDivulgaçãoItaipu/O projeto da norte-americana Crusoe com a paraguaia Araico prevê iniciar operações em 2027 e poderá alcançar 280 MW em etapas futuras. Enquanto o Paraguai amplia o consumo interno de energia de Itaipu, o Brasil acompanha a redução dos excedentes recebidos da hidrelétrica.
Data center de inteligência artificial no Paraguai prevê usar energia de Itaipu e pode chegar a 280 MW

Os Estados Unidos anunciaram, em 21 de outubro, um acordo para a instalação de um grande centro de inteligência artificial no Paraguai, abastecido com energia da Usina Hidrelétrica de Itaipu. O comunicado oficial destacou a parceria entre a empresa norte-americana Crusoe e a paraguaia Araico, sem mencionar o Brasil, que divide com o país vizinho os direitos sobre a produção da usina.

O projeto prevê uma capacidade inicial de expansão tecnológica e poderá alcançar, em etapas futuras, cerca de 280 megawatts (MW). Segundo informações divulgadas pela Crusoe em 22 de outubro, a primeira operação está programada para meados de 2027, com capacidade de tecnologia da informação de até 106 MW.

O empreendimento será desenvolvido em território paraguaio, na região de fronteira, próximo a uma subestação de Itaipu. A iniciativa ocorre em um momento de aumento do consumo de energia pelo Paraguai, o que pode reduzir o volume excedente disponibilizado ao mercado brasileiro.

A parceria foi anunciada durante a visita do vice-secretário de Estado norte-americano Christopher Landau a Assunção. O Departamento de Estado dos Estados Unidos apresentou o acordo como parte dos compromissos comerciais firmados entre os dois países e afirmou que a instalação atenderá clientes de computação em nuvem nos Estados Unidos e na América Latina. O valor do investimento específico da parceria não foi divulgado.

A Araico ficará responsável pelo desenvolvimento do terreno e da infraestrutura local, enquanto a Crusoe administrará os equipamentos de processamento e os serviços de sua plataforma de computação em nuvem. A capacidade de 280 MW corresponde a uma possibilidade de expansão futura, e não ao consumo atual do empreendimento.

A redução da energia excedente enviada ao Brasil já aparece nos dados do setor elétrico. Em 2023, o país recebeu 22,203 milhões de megawatts-hora (MWh) da parcela paraguaia de Itaipu. O volume caiu para 12,973 milhões de MWh em 2024 e 10,455 milhões de MWh em 2025, uma redução aproximada de 53% em dois anos.

No mesmo período, o fornecimento de energia de Itaipu ao próprio Paraguai aumentou de 19,515 milhões para 25,768 milhões de MWh, avanço de aproximadamente 32%. A mudança está associada ao crescimento do consumo interno e à atração de empreendimentos que demandam grandes quantidades de eletricidade, como os centros de processamento de dados.

Caso opere continuamente com 280 MW, o complexo consumiria cerca de 2,45 milhões de MWh por ano. Esse volume equivaleria a aproximadamente 23,5% da energia excedente paraguaia recebida pelo Brasil em 2025. A estimativa, porém, considera o funcionamento ininterrupto de toda a capacidade futura, cuja implantação ainda depende de novas etapas e decisões de investimento.

Itaipu tem potência instalada de 14 mil MW. Pelo tratado firmado em 1973, Brasil e Paraguai têm direito à metade da produção da hidrelétrica. Tradicionalmente, o Paraguai utiliza parte de sua parcela e disponibiliza o excedente ao Brasil, conforme as regras de comercialização estabelecidas entre os dois países.

A instalação do data center no Paraguai não representa uma transferência da parcela brasileira da usina. Segundo informações atribuídas à Itaipu Binacional, a visita de Landau foi organizada pela administração paraguaia, sem a participação de representantes da diretoria brasileira ou do governo do Brasil. A empresa também explicou que cada país pode receber autoridades estrangeiras e que projetos voltados ao consumo interno de energia não são definidos diretamente pela usina.

A Araico também desenvolve o projeto Iguazú AI City, no departamento paraguaio de Alto Paraná. Em setembro, seu dirigente, Alejandro Zuccolillo, informou ao jornal ABC Color que negociava com a Administração Nacional de Eletricidade (ANDE) uma tarifa inicial de US$ 45 por MWh, sujeita a reajustes anuais. Na ocasião, a empresa mencionou um plano mais amplo de investimento de US$ 12 bilhões para seu campus de inteligência artificial, valor que não foi confirmado como investimento específico da parceria com a Crusoe.

No Brasil, a diminuição dos excedentes de Itaipu já integra o planejamento do setor elétrico. Segundo informações publicadas pela MegaWhat, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Thiago Prado, afirmou que a redução dos volumes destinados ao país está sendo considerada nos estudos. Entre as medidas mencionadas está a modernização prioritária do primeiro dos dois bipolos de transmissão que transportam energia de Foz do Iguaçu, no Paraná, até Ibiúna, em São Paulo.

A evolução do consumo paraguaio e a disponibilidade futura de eletricidade também influenciam as decisões sobre possíveis intervenções no segundo bipolo. Além disso, as negociações entre os governos sobre o Anexo C do Tratado de Itaipu seguem relevantes para as condições de compra e comercialização da energia após 2026.

Com início previsto para 2027 e possibilidade de expansão nos anos seguintes, o projeto da Crusoe e da Araico reforça a estratégia paraguaia de utilizar sua disponibilidade energética para atrair investimentos em tecnologia. Ao mesmo tempo, a redução dos excedentes de Itaipu destinados ao Brasil representa um fator considerado no planejamento elétrico brasileiro.
Fonte: SociedadeMilitar

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