Decisão sobre Carla Zambelli na Itália reacende debate diplomático ligado ao caso Cesare Battisti
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A decisão da Justiça italiana de negar a extradição e autorizar a soltura da ex-deputada federal Carla Zambelli reacendeu discussões sobre antigos atritos diplomáticos entre Brasil e Itália relacionados a pedidos de extradição.
O episódio passou a ser comparado ao caso de Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália e que teve a extradição negada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010. Na época, a decisão brasileira provocou forte reação do governo italiano e gerou tensão diplomática entre os dois países.
Especialistas em Direito Internacional apontaram que os dois casos possuem diferenças importantes. No caso de Battisti, o governo brasileiro concedeu asilo político ao italiano sob o entendimento de que poderia haver perseguição política e ideológica. Já a situação envolvendo Carla Zambelli ainda está em fase judicial e envolve critérios técnicos analisados pela Justiça italiana.
Durante visita à Itália em 2025, os senadores Flávio Bolsonaro e Magno Malta apresentaram o caso Battisti ao vice-primeiro-ministro italiano Matteo Salvini como argumento favorável à ex-deputada. Magno Malta afirmou que Jair Bolsonaro foi responsável por cumprir o pedido italiano de extradição de Battisti, ao contrário do que ocorreu no governo Lula.
Carla Zambelli foi presa na Itália após ter o nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol. Ela deixou o Brasil depois de condenações relacionadas à invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça e à emissão de um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, além de condenação por porte ilegal de arma em São Paulo.
Alexandre de Moraes determinou que o Ministério da Justiça e o Itamaraty adotassem providências para iniciar o processo de extradição da ex-deputada. Dois dias depois da determinação, a Corte Suprema de Cassação italiana rejeitou o pedido de retorno de Zambelli ao Brasil, permitindo sua soltura.
Após deixar a prisão, Carla Zambelli publicou um vídeo agradecendo pela liberdade e afirmou que continuará uma “vida de missão”. Apesar da decisão judicial, a palavra final sobre o destino da ex-deputada será do ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, subordinado à primeira-ministra Giorgia Meloni.
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