Derrota republicana nas midterms agrava crises no governo Trump; Hegseth ameaçado de impeachment e Rubio nega saída
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A perda do controle do Senado pelos republicanos — com os democratas conquistando 54 cadeiras contra 44 — desencadeou uma onda de instabilidade interna na administração Trump. Dois dos principais nomes do governo enfrentam agora dificuldades distintas: o secretário de Estado, Marco Rubio, viu-se obrigado a negar que deixará o cargo para concorrer à Presidência em 2028; e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, enfrenta ameaça de processo de impeachment no Legislativo agora dominado pela oposição. O resultado das eleições de meio de mandato reconfigurou o equilíbrio de poder em Washington e ampliou a pressão sobre a equipe de governo.
Hegseth é apontado como figura central na decisão de iniciar operações militares contra o Irã. A rejeição da opinião pública americana ao conflito é considerada um dos fatores que contribuiu diretamente para o mau desempenho republicano nas urnas. Com o Congresso em mãos adversária, os democratas dispõem de instrumentos para investigar, fiscalizar e avançar com a possível remoção do secretário de Defesa — um desdobramento que transforma o descontentamento eleitoral em pressão institucional direta sobre o núcleo do governo.
Enquanto isso, o presidente Trump mantém tom beligerante em relação ao Irã. Em declaração na Casa Branca, afirmou que pode precisar "destruir o que sobrou do Irã" e não descartou a retomada de ataques. O mandatário havia sugerido que buscaria encerrar o conflito após as eleições, mas não apresentou roteiro de saída. Reunião com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, realizada no próprio dia da votação, alimentou questionamentos sobre o momento e a articulação externa da política americana.
Paralelamente, o Irã apresentou nova proposta sobre a questão nuclear, mas as negociações permanecem estagnadas. Teerã estabeleceu exigências para a retomada das conversas, sem que haja acordo sobre uma agenda comum. A situação expõe o paradoxo da administração: no exterior, a guerra segue sem resolução clara; no interior, o Congresso mudou de mãos e a capacidade de agir sem contrapeso diminuiu. O que acontece no Oriente Médio e o que acontece em Washington passaram a influenciar-se mutuamente, com desfechos ainda incertos.
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