Desejo por status domina o mercado e intensifica pirataria
- gazetadevarginhasi
- 16 de out. de 2025
- 2 min de leitura

“Aqui vendemos AirPods que são réplicas do produto original. As pessoas não se importam se haverá diferenças nos recursos. Elas só querem ostentar como se estivessem usando o fone que custa mais de R$ 2.000, mas que na verdade pagaram R$ 120.”
A declaração é de um vendedor que trabalha há dois anos em um shopping popular na Região Metropolitana de Belo Horizonte e prefere não se identificar. Ele percebeu um aumento na compra de produtos falsificados, observando clientes de todas as idades e classes sociais.
O tema é o foco da última matéria da série “O custo da farsa”, que investiga os motivos pelos quais as pessoas compram e vendem produtos piratas.
Preço e status: o que atrai o consumidor
O principal fator que leva os consumidores a shoppings populares é o preço baixo aliado ao status.
“Faço compras em shoppings populares a vida toda. Os preços me atraem, embora a qualidade seja uma loteria que depende puramente da sorte”, afirma o educador social Luciano Amorim, de 36 anos.
Segundo o sociólogo Luciano Gomes, a busca por produtos de marca, mesmo falsificados, está ligada ao desejo humano de pertencimento e prestígio:
“Como os produtos originais estão fora do alcance da maior parte da população, esses itens aparecem como alternativa. As pessoas buscam se aproximar de um padrão de vida sonhado, mesmo que de forma simulada.”
O presidente do Fórum Nacional contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), Edson Vismona, complementa que a pirataria atravessa todas as classes sociais:
“Quem tem alto poder aquisitivo compra porque ninguém vai desconfiar que está usando uma bolsa falsa. É uma questão de status: algumas peças originais, outras falsificadas.”
Quem vende produtos piratas
Para os vendedores, os produtos falsificados representam uma alternativa econômica. Uma empreendedora de 35 anos, que pediu anonimato, afirma que o alto custo de produtos originais e impostos inviabiliza o comércio legal:
“Manter uma loja pagando todas as taxas é uma fortuna. Por isso, muita gente recorre aos produtos paralelos para sobreviver. Para mim, que sou mãe, a situação é ainda mais pesada. Não somos criminosos, somos trabalhadores buscando sustentar a família com dignidade.”
Denúncias e riscos à saúde
O Procon de Minas Gerais registra, em média, quatro reclamações semanais relacionadas a produtos falsificados. Entre 1º de janeiro e 14 de outubro de 2025, foram 183 queixas, número próximo ao total de 2024, que registrou 185 reclamações.
Especialistas alertam que algumas falsificações podem prejudicar a saúde. É o caso dos tênis falsos:
“As réplicas não reproduzem as tecnologias de amortecimento, estabilidade e suporte dos produtos originais. Isso aumenta a pressão e a instabilidade do tornozelo, podendo causar lesões graves”, explica o ortopedista e traumatologista Paulo Feliciano, do Hospital Orizonti.
Feliciano recomenda atenção aos preços muito baixos e à procedência do produto:
Tênis originais: mais leves, palmilhas confortáveis e maior durabilidade.
Tênis falsificados: desconfortáveis, menor durabilidade e risco de lesões.

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