Disputa bilionária envolve herança de Anita Harley, herdeira das Casas Pernambucanas
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A herança da empresária Anita Harley, uma das principais acionistas da tradicional rede Casas Pernambucanas, tornou-se o foco de uma disputa jurídica bilionária à medida que diferentes partes reivindicam direitos sobre seu patrimônio avaliado em cerca de R$ 2 bilhões.
Anita Harley, de 79 anos, está em coma desde novembro de 2016, após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) e permanece internada em um leito de UTI sem condições de comunicar-se ou tomar decisões sobre sua vida pessoal e seu patrimônio. O estado de incapacidade motivou o início do imbróglio judicial, em que herdeiros potenciais disputam o controle de seus bens e do grupo varejista associado ao seu nome.
Um dos principais pontos da disputa envolve Sônia Soares, também conhecida como Suzuki, que entrou com uma ação no juízo civil um ano após o AVC de Anita, alegando que manteve uma relação de união estável por 36 anos com a empresária. A Justiça reconheceu essa união, e Sônia apresenta-se como companheira e parte interessada nos direitos sucessórios e na administração do patrimônio acumulado por Anita ao longo de décadas.
Contudo, essa versão é contestada por Cristine Rodrigues, ex-funcionária de confiança da empresária, que também reivindica na Justiça o reconhecimento de união estável e, consequentemente, direitos sobre a herança. Cristine afirma que mantinha uma relação afetiva com Anita e que a narrativa apresentada por Sônia não corresponde à realidade dos fatos, gerando outro eixo de conflito nos autos.
Outro personagem central é Artur Miceli, filho biológico de Sônia Soares, que teve reconhecido pela Justiça o status de filho socioafetivo de Anita Harley, conferindo-lhe posição de herdeiro conforme a legislação aplicável ao caso. A inclusão de Artur na disputa amplia ainda mais a complexidade do processo, pois envolve a interpretação dos vínculos familiares e afetivos em relação à herdeira incapacitada.
A disputa judicial envolve, além das reivindicações de direitos sucessórios, questões patrimoniais como a administração de imóveis, investimentos e participação societária no grupo Pernambucanas. Entre os bens em debate está uma mansão de 96 cômodos e 37 banheiros localizada no bairro da Aclimação, em São Paulo, avaliada em cerca de R$ 50 milhões e que foi doada a Sônia antes do AVC de Anita, mas cujo status sucessório também é objeto de contestação.
O processo segue em andamento no sistema judiciário brasileiro, com diferentes estratégias legais sendo adotadas por cada um dos representados, e sem um desfecho definitivo. A série documental que estreou nesta segunda-feira pretende aprofundar a compreensão pública sobre as múltiplas versões apresentadas, a complexidade das relações pessoais envolvidas e os argumentos jurídicos em disputa, enquanto o futuro do controle do patrimônio de Anita Harley ainda permanece incerto.