Dona do Habib's entra em recuperação judicial com dívida de R$ 265,2 milhões
há 2 horas
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Foto: Reprodução/Twitter
O Grupo Gennius, controlador das redes Habib's, Ragazzo e Tendall Grill, entrou com pedido de recuperação judicial na segunda-feira (24), após declarar uma dívida de R$ 265,2 milhões. A solicitação foi aceita pela Justiça de São Paulo, que determinou medidas para proteger o grupo enquanto ele busca uma forma de reorganizar as finanças.
O processo envolve 178 pessoas jurídicas, entre elas dez franqueadoras e holdings de participação, 17 sociedades de estrutura operacional, seis churrascarias Tendall, 119 lojas Habib's e 26 unidades Ragazzo. Os sócios Alberto Saraiva e Belchior Saraiva também aparecem no pedido. Segundo o grupo, a atividade rural exercida pelos dois possui relação direta com a cadeia produtiva das empresas.
A Gennius atribui a crise financeira a uma combinação de fatores. Entre eles estão os impactos provocados pela pandemia de Covid-19, o crescimento das plataformas de delivery, que teria prejudicado os resultados das lojas físicas, e o aumento das taxas de juros. Segundo os argumentos apresentados à Justiça, a alta da Selic, de 4% para cerca de 15%, elevou os custos de captação e de rolagem das dívidas.
Antes de recorrer à recuperação judicial, o grupo havia buscado uma solução por meio de uma mediação judicial. No fim de junho, a empresa pediu a abertura de um procedimento de mediação pré-processual no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) de Santo Amaro, em São Paulo. A tentativa, porém, não foi suficiente para solucionar a crise financeira, levando o conglomerado a recorrer à recuperação judicial.
Com o processo aceito, a Justiça suspendeu as ações de execução de dívidas contra as empresas do grupo e determinou que credores não interrompam ou rescindam contratos apenas em razão do pedido de recuperação judicial. A medida busca preservar o funcionamento das atividades enquanto a empresa prepara seu plano de reestruturação.
A Justiça, por outro lado, negou o pedido para liberar recebíveis bancários que haviam sido cedidos como garantia fiduciária. Com isso, instituições financeiras poderão manter esses recursos vinculados às dívidas garantidas. O processo também estabelece que fornecedores não podem interromper serviços ou insumos essenciais apenas por causa da recuperação, desde que recebam o pagamento à vista.
O grupo tem prazo de 60 dias, sem possibilidade de prorrogação, para apresentar um plano de recuperação judicial. Caso não entregue o documento dentro do período determinado, poderá ser iniciado um processo de falência. A KPMG Corporate Finance foi nomeada administradora judicial e terá 15 dias para apresentar um relatório sobre as empresas envolvidas.
O processo permanecerá público, embora documentos que contenham informações consideradas sensíveis, como dados sobre salários de funcionários e bens dos controladores, tenham acesso restrito. Os credores também terão prazos para contestar valores, solicitar habilitação de créditos e, depois da apresentação do plano, apresentar objeções que podem levar à convocação de uma assembleia.
Apesar da recuperação judicial, o Grupo Gennius afirmou que as operações continuam funcionando normalmente e que o objetivo do processo é preservar a sustentabilidade e a continuidade dos negócios. A empresa também informou que pretende promover uma reorganização societária e manter planos de expansão, incluindo novas unidades em mercados considerados de crescimento e lojas com maior foco no delivery.
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