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Déficit de armazenagem de grãos na Ucrânia pode chegar a 11 milhões de toneladas

  • 10 de ago.
  • 2 min de leitura

Reprodução
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A Ucrânia corre o risco de encarar um gargalo de até 11 milhões de toneladas na capacidade de armazenar grãos nesta temporada de colheita. O alerta foi emitido nesta segunda-feira (10) pelo Ministério da Agricultura do país, embalado pelas constantes travas no escoamento via Mar Negro.

Historicamente, as rotas marítimas pelo Mar Negro respondiam por cerca de 90% de tudo o que os agricultores ucranianos enviavam ao exterior. Com os portos operando sob severas restrições, o país caminha para um acúmulo inédito de safras sem ter onde guardar a produção.

O problema ganha urgência porque os trabalhos no campo estão em ritmo acelerado. Até agora, mais de 17 milhões de toneladas de grãos já foram colhidas, cobrindo perto de 34% da área plantada. Para tentar conter a crise, o governo apelou a parceiros nos Estados Unidos pedindo socorro financeiro para comprar equipamentos de estocagem temporária, como os chamados silos-bolsa, para instalação direta nas fazendas.

Projeções da consultoria APK-Inform indicam que a safra ucraniana de grãos pode ultrapassar as 60 milhões de toneladas em 2026. As exportações devem girar em torno de 39 milhões de toneladas, o que deixaria os estoques de passagem no patamar recorde de 14,3 milhões de toneladas.

O nó logístico deve apertar ainda mais entre setembro e outubro. É nesse intervalo que os silos estarão lotados com o trigo e a cevada retidos no mercado interno, justamente no momento em que a colheita do milho entra em força total e exige espaço imediato nos armazéns.

O fantasma atual lembra o sufoco vivido no início da guerra com a Rússia, em 2022. Naquela época, o bloqueio naval gerou um déficit de armazenamento estimado em 15 milhões de toneladas, amortecido posteriormente por doações internacionais de bolsas plásticas de grande porte.

O governo ucraniano mantém sob sigilo o tamanho real de sua infraestrutura de estocagem. Sabe-se, no entanto, que parte considerável da rede de silos foi destruída ou danificada por bombardeiros russos. Além do prejuízo físico, produtores e tradings vêm evitando estruturas situadas perto do front de batalha ou de alvos militares, afunilando ainda mais a disponibilidade de armazéns seguros.
Fonte: CNN

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Gazeta de Varginha

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