Dólar abre em queda após disparada na véspera, enquanto mercado tenta recuperar perdas
há 8 horas
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O dólar abriu em queda frente ao real nesta terça-feira (27), depois de registrar uma das maiores altas diárias das últimas décadas na sessão anterior. Às 9h, a moeda norte-americana recuava 0,20%, cotada a R$ 5,3960, em um movimento de ajuste após a forte turbulência que atingiu o mercado financeiro brasileiro na segunda-feira (26).
A reação dos investidores ocorreu após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), resultado que contrariou as expectativas de parte do mercado, que havia se posicionado para uma possível vitória de Flávio Bolsonaro (PL), líder do primeiro turno.
Na véspera, o dólar comercial encerrou o pregão com alta de aproximadamente 8,2%, chegando à faixa de R$ 5,40. Durante a manhã, a cotação ultrapassou R$ 5,60. A valorização diária foi a mais expressiva em mais de duas décadas, refletindo a revisão das apostas e estratégias adotadas por investidores antes da definição eleitoral.
Bolsa enfrenta os efeitos da turbulência
A sessão de segunda-feira também foi marcada por uma forte queda do Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira. O indicador recuou 13,88%, aos 176.608 pontos, depois de atingir uma baixa superior a 17% durante o pregão.
A intensidade da desvalorização levou à ativação do circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações quando as perdas atingem determinados níveis. A medida foi acionada pela primeira vez em seis anos e evidenciou a dimensão da reação do mercado ao resultado das eleições.
O volume financeiro negociado chegou a R$ 88,6 bilhões, muito acima da média diária de aproximadamente R$ 25 bilhões. A queda eliminou os ganhos acumulados pelo índice em outubro, que passou a registrar perdas no mês, embora ainda mantivesse valorização no acumulado de 2026.
Mercado tenta ajustar as posições
Na abertura desta terça-feira, o recuo do dólar indicava uma tentativa de acomodação dos preços após as movimentações intensas do dia anterior. Parte dos investidores começou a rever posições tomadas antes da votação, enquanto o mercado acompanhava os desdobramentos políticos e as possíveis definições sobre a equipe econômica do próximo governo.
A forte reação da véspera foi associada à quebra das expectativas de investidores que apostavam em uma mudança de governo. Com a confirmação da vitória de Lula, esses agentes precisaram reavaliar suas estratégias, provocando vendas expressivas de ativos brasileiros.
A continuidade da recuperação, porém, dependeria dos próximos sinais econômicos e políticos, especialmente em relação à condução das contas públicas, às decisões fiscais e à composição da equipe responsável pela política econômica.
O comportamento do mercado ao longo desta terça-feira seria acompanhado de perto pelos investidores, que buscavam identificar se a queda anterior representava uma reação concentrada ao resultado eleitoral ou o início de um período mais prolongado de instabilidade.
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