Em julgamento histórico nos EUA, Mark Zuckerberg rebate acusações de que Instagram mira crianças e discute idade mínima
19 de fev.
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O CEO da Meta Platforms, Mark Zuckerberg, afirmou repetidamente em 18 de fevereiro de 2026, durante um julgamento considerado histórico sobre vício em redes sociais entre jovens, que o Instagram não foi projetado para “ter crianças como alvo” e que a empresa não permite o acesso de menores de 13 anos às suas plataformas, mesmo quando confrontado por advogados com evidências sugerindo que esse grupo demográfico foi um foco importante em discussões internas da companhia.
O depoimento de Zuckerberg ocorreu diante de um júri no Los Angeles County Superior Court, na Califórnia (EUA), em um processo no qual a Meta e o YouTube, da Google, são acusados de causar danos à saúde mental de usuários jovens — em especial por supostamente projetar suas plataformas de forma a incentivar vício e maximizar tempo de uso de crianças e adolescentes.
A ação foi movida por uma mulher da Califórnia que começou a usar Instagram e YouTube ainda na infância e alega que a experiência precoce nas redes sociais contribuiu para depressão, pensamentos suicidas e outros problemas de saúde mental, responsabilizando as empresas por não protegerem adequadamente menores de idade.
O advogado da autora do processo, Mark Lanier, pressionou Zuckerberg ao longo do depoimento sobre declarações anteriores feitas por ele ao Congresso dos Estados Unidos em 2024, nas quais Zuckerberg afirmou que usuários com menos de 13 anos não eram permitidos nas plataformas. Lanier apresentou documentos internos da Meta mostrando que a empresa discutiu metas relacionadas ao envolvimento de usuários, incluindo ideais de aumentar o tempo gasto na plataforma, bem como conversas sobre alcançar usuários mais jovens — incluindo menções a atingir adolescentes ao “trazer tweens” (crianças pré-adolescentes) — que segundo ele contradiziam a posição de Zuckerberg.
Em resposta, Zuckerberg sustentou que tais documentos foram mal interpretados e defendeu sua versão, afirmando que a Meta não desenvolveu nem implementou versões especiais do Instagram para crianças menores de 13 anos e que as metas apresentadas nos documentos não eram objetivos de execução, mas sim indicadores internos para avaliar o desempenho da empresa.
O executivo admitiu também, segundo relatos de agências internacionais, que é “muito difícil” verificar com precisão a idade dos usuários, porque muitos mentem ao informar sua data de nascimento ao se registrarem, e ressaltou que a responsabilidade pela verificação etária, em parte, recai sobre fabricantes de dispositivos móveis, um argumento que tem aparecido em outros relatos do julgamento.
Durante o processo, foram exibidos documentos internos da empresa, incluindo apresentações e e-mails datados de anos anteriores, que indicavam discussões sobre como o Instagram poderia aumentar o tempo médio diário de uso da plataforma nos anos seguintes, o que também foi objeto de debate no tribunal, com Zuckerberg insistindo que tais referências não refletiam políticas formais da empresa.
As alegações da autora do processo fazem parte de um grupo maior de processos semelhantes nos Estados Unidos, muitos dos quais estão sendo consolidados ou ainda aguardam decisão, com este julgamento servindo como um dos primeiros casos a chegar a um júri popular e ser visto como potencial precedente legal sobre a responsabilidade das redes sociais pelos efeitos que possam ter sobre crianças e adolescentes.
Zuckerberg foi confrontado não apenas sobre a questão da idade dos usuários, mas também sobre as decisões de design e mecanismos de engajamento que, segundo os advogados da parte autora, priorizam o tempo gasto na plataforma e podem ter efeitos adversos sobre a saúde mental de usuários jovens — alegações que ele e a Meta contestam, defendendo que o foco da empresa é proporcionar uma experiência positiva e segura para todos os usuários.
O julgamento prossegue, e sua conclusão poderá influenciar não apenas as indenizações em disputa, mas também o debate mais amplo sobre regulação, segurança digital e responsabilidade das empresas de tecnologia pelo impacto de suas plataformas em usuários menores de idade.
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