Empresa fala sobre investimentos, valor do pedágio, duplicação da MGC 491 e sobre repasses à Prefeitura de Varginha
- há 2 horas
- 9 min de leitura
Prefeitura de Varginha já recebeu cerca de R$ 2 milhões de reais da Concessionária

Na última semana a Gazeta de Varginha gravou entrevista exclusiva com o diretor Presidente da EPR Minas Estadual, Diogo Santiago, que falou sobre assuntos importantes para a EPR, como novos investimentos, planejamento da empresa para atender a região e problemas reportados nas vias que administra como altos valores do pedágio e os repasses aos municípios cortados pelas estradas. A EPR venceu o leilão da concessão de estradas no Sul de Minas em 23/06/2023. Após a assinatura do contrato, em 23/10/2023, e o cumprimento das etapas legais, iniciou a fase de transição operacional, assumindo oficialmente a administração do trecho em 26/07/2024. Desde então, a EPR Vias do Café (EPRVC) passou a executar serviços de melhorias viárias, garantindo segurança, conservação e atendimento aos usuários conforme contrato com o poder público.
Administração
Desde o início da concessão (janeiro de 2024), a EPRVC vem executando diversas obras de recuperação de pavimento, sinalização, melhorias na segurança viária e serviços permanentes de conservação. Entre as ações (janeiro de 2024 até dezembro de 2025), destacam-se a obra de drenagem no Trevo de Muzambinho, o apoio Operação Romaria Padre Vitor, a iluminação de mais de 20 trevos, 870,4 km de recuperação funcional de pavimento, 97 mil toneladas de CBUQ aplicados, 1,5 mil km de sinalização horizontal implantas e a instalação de 35,5 mil metros de defensas metálica, iniciativas com foco na segurança e no conforto dos usuários.
Em entrevista exclusiva à Gazeta o diretor da EPR Diogo Santiago falou sobre os investimentos e desafios da empresa.
Gazeta: A EPR vem realizando obras de melhoria nas vias que administra, contudo, ainda temos observado a ocorrência de acidentes. Muitos deles graves e com mortes. O que fazer quanto a isso? A empresa mantém a promoção de campanhas educativas permanentes para conscientização os motoristas nas regiões que atua?
Diogo Santigo: A segurança viária e a preservação de vidas são prioridades permanentes da EPR Vias do Café e orientam todos os investimentos e ações operacionais da concessionária. Os resultados já demonstram avanço: em 2025, a MGC-491 registrou redução de 11% no número de acidentes na comparação entre jul/dez de 2024 e ago/dez de 2025. No mesmo período, houve redução de 20% na letalidade considerando as seis rodovias sob concessão.
Esses números refletem mais de R$ 532,1 milhões investidos entre julho de 2024 e dezembro de 2025, com recuperação de pavimento, reforço de sinalização, correções geométricas e intervenções estruturais. Destaca-se a reconstrução de talude na MGC-491, entre Varginha e Elói Mendes, e a implantação de iluminação em mais de 20 trevos, medida que reduziu em até 77% os acidentes nesses pontos.
Além das melhorias de infraestrutura, a concessionária mantém campanhas permanentes de educação para o trânsito por meio do Programa Conviver, realizado em parceria com prefeituras e a Polícia Militar Rodoviária. Entre as ações, temos exemplos como: “Conviver na Passarela”, voltado à prevenção de atropelamentos realizada em Nepomuceno, ação com os ciclistas em São Sebastião do Paraíso durante o período noturno com a conscientização e doação de itens de segurança e as ações com o uso de simulador de impacto já realizadas em Varginha, que reforça a importância do cinto de segurança, entre outras.
Também está em implantação um semáforo para pedestres no km 42 da MGC-491, na saída para Três Pontas, com sistema de alerta em LED, ampliando a segurança nas travessias.
A concessionária reforça que a redução de acidentes é um esforço conjunto, que envolve infraestrutura adequada, fiscalização, ações educativas e comportamento responsável dos usuários.
Gazeta: A EPR realiza o planejamento das obras de prevenção de acordo com a época do ano? Afinal, o período chuvoso já estava previsto na região, contudo, apenas depois das quedas de barreira ocorrerem que a EPR promoveu obras de prevenção as quedas de barreira na região!
Diogo Santigo: A EPR Vias do Café realiza planejamento contínuo das ações de manutenção e prevenção, considerando fatores como sazonalidade, histórico de ocorrências, condições climáticas e volume de tráfego. O monitoramento das rodovias é permanente, com acompanhamento técnico de pontos classificados como críticos por equipes de engenharia. Em 2025, mais de 100 pontos passaram por monitoramento específico.
Desde o início da concessão, em julho de 2024, foram executadas diversas ações preventivas, como a limpeza de 700 bueiros, manutenção e desobstrução de 1,2 mil quilômetros de sarjetas e a aplicação de hidrossemeadura em mais de 300 mil metros quadrados de áreas com potencial risco de erosão. Também foi realizada contenção de taludes no km 238 da MGC-491, entre Varginha e Elói Mendes, com implantação de mais de 500 m³ de muros de gabiões.
As intervenções seguem cronograma técnico, ajustado conforme as condições climáticas e operacionais. Para reforçar a atuação preditiva, a concessionária utiliza o Sistema de Monitoramento e Alerta (SMAC), em parceria com o Climatempo, que fornece informações meteorológicas em tempo real ao Centro de Controle Operacional (CCO), permitindo a mobilização preventiva das equipes. Nos casos recentes de quedas de barreira e alagamentos em trechos das rodovias concessionadas (veja relação ao final desta resposta), os registros indicam volumes de chuva atípicos. Ainda assim, a concessionária atuou de forma imediata, com limpeza de pista e execução das obras de contenção necessárias, restabelecendo as condições de segurança e tráfego nos trechos afetados.
A concessionária reforça que as ações de prevenção são permanentes e seguem critérios técnicos, mas eventos climáticos extremos podem demandar respostas emergenciais adicionais.
Alagamentos e erosão de talude
BR-146 – km 515 | Guaxupé – Alagamento
Realizada a conformidade da faixa de domínio para viabilizar a retirada da água acumulada na pista, mitigando riscos de alagamento no local.
MGC-491 – km 152,632 | Alfenas – Erosão de Talude
Executada a recomposição do talude de aterro, com utilização de rachão, visando à estabilização da estrutura e prevenção de novos processos erosivos.
BR-146 – km 527 | Muzambinho (Trevo) – Drenagem
Alagamento recorrente solucionado por meio da execução de obras de drenagem, incluindo implantação de sarjetas, drenagem profunda, construção de calçadas e melhorias em cinco caixas de captação.
MGC-491 – km 225 | Elói Mendes – Alagamento
Realizada reunião com a Prefeitura Municipal para apresentação das necessidades de melhorias no município. Até o momento, não houve avanço ou retorno positivo para execução das intervenções.
BR-265 – km 350 | Nepomuceno – Alagamento
Conduzida reunião com representantes do município para apresentação de projeto desenvolvido pela concessionária. A execução permanece condicionada à definição e posicionamento do poder público municipal.
CMG-369 – km 148,571 | Campos Gerais – Alagamento
Efetuada a limpeza da pista e melhoria das condições de tráfego.
Gazeta- Ainda existe desconforto de muitos motoristas quanto ao valor cobrado de pedágio nas vias administradas pela EPR. Gostaríamos de saber qual a porcentagem da divisão do valor cobrado? Ou seja, do valor total, quanto vai para União, Estado e Municípios e qual a porcentagem líquida fica para a concessionária realizar o cuidado com a via e manter sua estrutura?
Diogo Santigo: A tarifa de pedágio é definida conforme as regras do contrato de concessão e somente entra em vigor após análise e aprovação da Agência Reguladora de Transportes do Estado de Minas Gerais (ARTEMIG).
O valor arrecadado não é dividido por percentual fixo entre entes públicos e concessionária. Ele compõe o equilíbrio econômico-financeiro do contrato, garantindo investimentos, manutenção, operação 24 horas, atendimento médico e mecânico, monitoramento, tecnologia e demais obrigações previstas ao longo de toda a concessão.
Sobre a receita incidem tributos previstos em lei, como PIS e COFINS (3,65%) e ISS, cuja alíquota varia de 2% a 5%, conforme o município. O ISS é recolhido pela concessionária e integralmente repassado às prefeituras lindeiras, representando importante fonte de receita local. Desde o início da operação, já foram repassados mais de R$ 15 milhões (até o 4º trimestre de 2025) aos municípios da área de influência.
A composição tarifária considera o volume de investimentos previstos, a extensão da malha concedida, o número de praças de pedágio, a projeção de tráfego e a atualização anual pelo índice inflacionário contratual, sempre sob regulação e fiscalização do poder concedente.
Além disso, todas as praças oferecem o Desconto de Usuário Frequente (DUF), com abatimentos progressivos para veículos leves com TAG. Dependendo da praça e do volume de passagens, o desconto pode chegar a 92% da tarifa cheia.
Gazeta - O caso da MGC 491, desde o início da cobrança do pedágio, quanto a EPR já investiu na via e quanto já repassou a cada um dos municípios cortados pela rodovia?
Diogo Santiago: Desde o início da cobrança de pedágio, em julho de 2024, a EPR Vias do Café já investiu mais de R$ 532,1 milhões na malha sob concessão, contemplando melhorias estruturais, frentes de manutenção, recuperação de pavimento, reforço de sinalização, implantação de dispositivos de segurança e operação 24 horas.
Por ser a rodovia de maior extensão do contrato, com mais de 230 quilômetros concedidos, a MGC-491 concentra parte relevante desses investimentos. Os recursos viabilizaram intervenções voltadas à ampliação da segurança e da fluidez do tráfego, como a implantação de sonorizadores, reforço da sinalização horizontal e vertical, melhorias em trechos em curva e instalação de sistema de iluminação em pontos estratégicos, a exemplo do Trevo da Walita, no km 248, em Varginha.
Além dos investimentos diretos na infraestrutura, a arrecadação também gera impacto positivo para os municípios lindeiros. Desde o início da operação, mais de R$ 15 milhões já foram repassados a 22 municípios da área de influência da concessão, a título de ISS (Imposto Sobre Serviços). O valor destinado a cada município varia conforme a extensão da rodovia em seu território e o volume de atividades e serviços executados na localidade, incluindo obras e operação.
Os repasses reforçam a arrecadação municipal e contribuem para o desenvolvimento regional, ao mesmo tempo em que os investimentos realizados na rodovia promovem geração de empregos, melhoria logística e aumento da segurança viária.
A EPR Vias do Café reafirma que todos os investimentos e repasses seguem rigorosamente as diretrizes estabelecidas no contrato de concessão e sob fiscalização do poder concedente.

Gazeta - Ainda quanto a MGC 491, existe desejo dos municípios e autoridades estaduais para que algumas obrais prioritárias sejam antecipadas no cronograma de investimentos da EPR. Uma delas é a conclusão da duplicação da MGC 491 entre a Rodovia Fernão Dias até Varginha. Qual a data para entrega desta obra? O que seria necessário para antecipar esta entrega?
Diogo Santigo : A duplicação de 7,6 quilômetros da MGC-491, no trecho entre Varginha e Três Corações (ligação com a Fernão Dias), está prevista contratualmente para o 8º ano da concessão, ou seja, 2031. O cronograma integra o planejamento econômico-financeiro aprovado no momento do leilão e considera uma série de premissas técnicas, regulatórias e de equilíbrio contratual.
A antecipação de uma obra dessa magnitude exige análise detalhada e concordância do poder concedente e do órgão regulador, a Agência Reguladora de Transportes do Estado de Minas Gerais (ARTEMIG). Isso porque qualquer alteração no cronograma impacta diretamente o fluxo de investimentos, a modelagem financeira do contrato e as obrigações assumidas ao longo de toda a vigência da concessão.
Atualmente, estão em curso tratativas técnicas para avaliar alternativas que possam viabilizar a antecipação parcial do empreendimento. Caso haja autorização formal, a concessionária poderá iniciar a duplicação de um trecho prioritário de 2,8 quilômetros, entre a praça de pedágio de Três Corações e o Trevo da Walita, em Varginha (km 250). O projeto contempla ainda a construção de uma nova ponte sobre o Rio Palmela, além da implantação de retornos operacionais.
É importante destacar que obras de duplicação envolvem etapas complexas, como elaboração e aprovação de projetos executivos, licenciamento ambiental, desapropriações, reequilíbrio contratual e captação de recursos. Por essa razão, eventuais antecipações demandam segurança jurídica, técnica e econômico-financeira.
A EPR Vias do Café mantém diálogo permanente com o poder concedente e adota postura de escuta ativa junto aos municípios, lideranças regionais e comunidade, avaliando as demandas apresentadas. O compromisso da concessionária é buscar soluções que ampliem a capacidade e a segurança da MGC-491, sempre em conformidade com o contrato e com a sustentabilidade da concessão.
Gazeta - Atualmente, dos veículos que trafegam mensalmente pela MGC 491, qual a porcentagem de usuários que possuem algum desconto no valor do pedágio, tendo em vista o programa da empresa para usuários rotineiros e moradores da região?
Diogo Santiago: O Desconto de Usuário Frequente (DUF) é uma das principais iniciativas da EPR Vias do Café para tornar a tarifa mais justa para quem utiliza a rodovia de forma recorrente. O benefício é progressivo e destinado a veículos leves com TAG de pagamento automático, com descontos aplicados a partir da segunda passagem pela mesma praça, no mesmo sentido e dentro do mesmo mês.
Na prática, quanto maior a frequência de uso, maior o desconto concedido, que pode chegar a até 92% sobre a tarifa cheia, representando uma redução significativa no custo para trabalhadores, moradores e usuários que dependem diariamente da rodovia.
Atualmente, cerca de 60% dos veículos leves que trafegam pelo trecho concedido já utilizam o DUF, demonstrando a adesão expressiva ao programa e seu impacto positivo para a população local.
Para ter acesso ao benefício, o usuário precisa possuir uma TAG de pagamento automático, que pode ser adquirida junto às operadoras habilitadas no mercado, por meio de canais digitais (sites e aplicativos), pontos de atendimento das próprias empresas ou instituições financeiras parceiras. Após a instalação da TAG no veículo e sua ativação, o desconto passa a ser aplicado automaticamente conforme as regras do programa.
A concessionária mantém ações contínuas de orientação e campanhas informativas nos municípios lindeiros para ampliar o acesso ao DUF, reforçando o compromisso com a modicidade tarifária e com o desenvolvimento regional.
Tabela DUF










Comentários