Empresas brasileiras ampliam migração industrial para o Paraguai em busca de menos impostos e custos menores
26 de mai.
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Divulgação
Custos menores e incentivos fiscais impulsionam transferência de empresas brasileiras para o Paraguai.
O Paraguai tem se consolidado como um dos principais destinos de indústrias brasileiras em busca de redução de custos operacionais e tributários. Segundo levantamento divulgado pelo site Poder360, 232 empresas do Brasil instalaram operações no país vizinho desde 2007, sendo que 40 delas iniciaram atividades a partir de 2023.
O principal fator para essa migração é a diferença na carga tributária e nos encargos trabalhistas. Enquanto no Brasil esses custos podem representar até 80% do valor de produção de uma peça de vestuário, no Paraguai o percentual gira em torno de 12%.
Mesmo com salário mínimo superior ao brasileiro — aproximadamente R$ 2,4 mil contra R$ 1,6 mil no Brasil — o custo final de um trabalhador formal no Paraguai pode ser entre 30% e 40% menor. A legislação paraguaia prevê jornada semanal de 48 horas, sem pagamento de FGTS e seguro-desemprego, além de férias mais restritas.
Atualmente, as empresas brasileiras instaladas no Paraguai empregam cerca de 25 mil trabalhadores.
Grande parte das indústrias atua por meio da chamada Lei de Maquila, regime especial criado para incentivar exportações. Nesse modelo, empresas estrangeiras podem instalar fábricas no Paraguai para produzir exclusivamente para o mercado externo, pagando apenas 1% de imposto sobre o valor agregado da produção, além de obterem isenção sobre dividendos e importação de máquinas e matérias-primas.
O setor de confecções lidera a presença brasileira no regime, seguido pelas indústrias de plásticos e alumínio. Redes varejistas e marcas conhecidas como Renner, Riachuelo, C&A, Lunelli e Dass transferiram parte da produção ou firmaram parcerias industriais no país.
Entre as maiores exportadoras brasileiras no Paraguai também aparecem grupos como Ball Corporation, Inpasa e Yazaki.
O Brasil é o principal destino dos produtos fabricados pelas maquiladoras, absorvendo cerca de 64% das exportações dessas indústrias.
Além do regime de maquila, o Paraguai também atrai empresas pelo chamado sistema “triplo 10”, que estabelece alíquotas de 10% para imposto de renda empresarial, imposto de renda pessoal e IVA.
Empresas como JBS, Karsten, Vale e Nestlé também mantêm operações ou serviços administrativos no país vizinho.
Representantes do setor têxtil afirmam que fatores como alta carga tributária no Brasil, mudanças na legislação e propostas de redução da jornada semanal podem acelerar ainda mais a migração industrial.
A tendência é de continuidade do movimento após a reforma da Lei de Maquila aprovada em 2025, que ampliou os incentivos fiscais para até 20 anos e passou a incluir também o setor de serviços.
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