Epidemia avança pelo nordeste, é quatro vezes mais rápida que crise de 2014 e já é a segunda maior do mundo
há 12 minutos
2 min de leitura
Michel Lunanga/Getty Image
Dados oficiais divulgados nesta quarta-feira (2) pelo governo da República Democrática do Congo confirmam que o atual surto de Ebola já causou mais de três mil mortes. A epidemia, provocada pela cepa Bundibugyo, superou o registro de 2018–2020 e tornou-se a mais letal já registrada no país, espalhando-se pela região do nordeste e mantendo-se em expansão. Em âmbito mundial, fica atrás apenas da crise ocorrida na África Ocidental entre 2014 e 2016, que deixou mais de 11 mil vítimas.
A velocidade da disseminação é o que mais preocupa autoridades de saúde. Segundo balanço oficial, o número de mil mortes foi atingido em apenas dois meses — período quatro vezes mais rápido do que os oito meses registrados na epidemia da África Ocidental. Até o momento, o surto já infectou mais de cinco mil pessoas. Esse ritmo acelerado levou especialistas a alertarem que o cenário exige atenção imediata e apoio internacional, sob risco de se repetir ou superar a tragédia anterior.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) foi acionada em maio deste ano, após confirmação de casos na província de Ituri e também na capital, Kinshasa. Equipes de resposta foram enviadas à região, mas enfrentam obstáculos graves. Ataques a unidades de saúde e postos de atendimento, em localidades como Nyakunde, Mongbwalu e Rwampara, forçaram a suspensão de atividades e a fuga de profissionais e pacientes. A violência, alimentada por desconfiança da população, soma-se às dificuldades de controle da doença.
O Ebola transmite pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas ou de vítimas fatais, causando febre, dores no corpo, vômitos e diarreia. Trata-se do 17º surto registrado no país desde a descoberta do vírus em 1976. Para conter a disseminação, o Congo recebeu mais de 16 mil doses de vacina e iniciou campanha de imunização, mas a chegada de insumos ainda é considerada insuficiente diante do tamanho e da velocidade da epidemia.
Enquanto isso, Uganda declarou oficialmente o fim do surto em seu território, mas a República Democrática do Congo segue em situação crítica. Autoridades reforçam que a combinação entre alta velocidade de contágio, dificuldades de acesso e violência contra equipes de saúde mantém a epidemia em trajetória de crescimento, exigindo reforço internacional e medidas urgentes para evitar que o número de mortes continue crescendo.
Comentários