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Escolas de educação especial em Cuba resistem à crise; aulas são reduzidas e professores improvisam materiais para alunos com deficiência

há 1 hora
2 min de leitura

Reprodução
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Yarnelys Bec Abalela chegou à Escola Especial Abel Santamaría, em Havana, aos três anos de idade, quando uma catarata congênita já comprometia seriamente sua visão. Crescendo no ambiente que a acolheu, formou-se professora e retornou à mesma instituição, onde leciona há 21 anos, atuando atualmente como professora terapêutica do quinto ano. Sua trajetória simboliza o esforço que Cuba tradicionalmente dedica à educação especial — área que o governo ainda busca priorizar, mesmo diante de profunda crise econômica e energética agravada pelo bloqueio imposto pelos Estados Unidos.

A escola que ela ajuda a manter aberta atende 44 alunos cegos ou com baixa visão vindos de diferentes municípios da capital. Quatro ônibus escolares fazem o transporte, mas a falta de combustível obrigou a reduzir as aulas presenciais para quatro dias por semana; às sextas-feiras, as atividades são feitas em casa, com orientação remota. A diretora Suramis Rodriguez Haberroff reconhece que a experiência não é a mesma: "Não é a mesma coisa ter aulas presenciais, com professores capacitados, e ter aulas com o auxílio de um familiar", ressalta. A redução também exigiu cortes em conteúdos e carga horária de disciplinas específicas.

A escassez de energia elétrica, com apagões que ultrapassam 12 horas diárias, representa outro obstáculo — em um espaço onde a iluminação é essencial para alunos com visão reduzida. Sem eletricidade, os professores deslocam as crianças para perto de janelas, pátios e corredores, aproveitando a luz natural. Faltam lupas, óculos, papel para impressão em Braille e equipamentos de escrita que já estão obsoletos. Como solução, os educadores improvisam: fazem suportes de papelão e cola para aproximar os livros dos alunos e criam guias de leitura que facilitam o acompanhamento das linhas de texto.

A realidade da instituição reflete o quadro nacional: Cuba mantém 330 escolas de educação especial, mas a diretora nacional do setor, Beatriz Lopez Morales, revela que existem impressoras Braille em apenas três centros regionais, embora haja uma unidade de atendimento por província. Os prejuízos ao setor no último ano somam mais de US$ 70 milhões, valor que Havana atribui às sanções americanas, enquanto a Casa Branca afirma que as medidas visam pressionar o regime e não a população. Para Yarnelys Bec, manter as portas abertas é mais do que prioridade: "Oferecemos aos alunos a oportunidade de estudar, preparar-se e desenvolver as habilidades de que precisam para a vida".

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