Estudo aponta que mais de 30 grupos criminosos disputam o controle da Amazônia
há 1 dia
2 min de leitura
Reprodução
A Amazônia deixou de ser apenas uma rota estratégica para o tráfico internacional de drogas e passou a figurar como uma das principais fronteiras de expansão do crime organizado na América Latina. A conclusão é de um estudo do Instituto Igarapé, que identificou a atuação de mais de 30 grupos criminosos disputando influência em diferentes áreas da Bacia Amazônica.
De acordo com o relatório, as organizações ampliaram significativamente suas atividades e hoje exploram uma série de economias ilícitas além do narcotráfico. Entre elas estão o garimpo ilegal, a extração clandestina de madeira, a grilagem de terras, o tráfico de animais silvestres, o comércio irregular de combustíveis, a logística, a agricultura e operações ligadas ao comércio internacional. Para os pesquisadores, essas atividades passaram a formar uma economia criminosa integrada, fortalecendo a capacidade de atuação dos grupos.
O cofundador do Instituto Igarapé e coordenador do estudo, Robert Muggah, afirmou que a região exemplifica a transformação estrutural do crime organizado na América Latina. Segundo ele, mais de 30 grupos armados atuam em toda a Bacia Amazônica e, em algumas localidades, chegam a cobrar taxas de garimpeiros, controlar o transporte fluvial e decidir quem pode trabalhar em áreas sob disputa. Ainda de acordo com Muggah, atividades como o garimpo e a exploração ilegal de madeira passaram a gerar renda e ampliar a influência territorial dessas organizações.
O levantamento destaca que a disputa na Amazônia vai muito além do controle das rotas do tráfico de drogas. As facções buscam dominar rios, pistas de pouso clandestinas, áreas de mineração, comunidades e corredores logísticos utilizados para transportar cocaína, ouro, madeira e outros produtos obtidos de forma ilegal.
Segundo os pesquisadores, as diferentes atividades ilícitas passaram a funcionar de maneira complementar. Recursos provenientes do garimpo ilegal podem financiar o tráfico de drogas, enquanto a grilagem de terras facilita a expansão da mineração clandestina. A infraestrutura utilizada para transportar madeira também pode servir para o deslocamento de armas e entorpecentes, ampliando a integração entre os diversos mercados ilegais.
O estudo conclui que essa diversificação das fontes de receita tornou as organizações criminosas mais resistentes às ações de repressão do Estado. Na avaliação do Instituto Igarapé, o fortalecimento dessas redes representa um desafio crescente para as políticas de segurança e de proteção ambiental na Amazônia, onde o controle territorial passou a ser um dos principais objetivos das facções criminosas.
Comentários