Estudo da UFMG ganha destaque internacional ao investigar lesão hepática por paracetamol
gazetadevarginhasi
há 2 horas
2 min de leitura
Reprodução
Um estudo desenvolvido pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Hepatologia 360º, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), foi selecionado e premiado no 18º Encontro Internacional da Sociedade Europeia do Cálcio (ECS), que acontece entre os dias 1º e 4 de fevereiro, em Doha, no Qatar. O evento, organizado pela Weill Cornell Medicine – Qatar, é um dos mais relevantes do mundo na área e reúne pesquisadores internacionais para debater avanços científicos relacionados ao cálcio.
Além de aprovado em um processo altamente competitivo, o estudo recebeu apoio financeiro da organização do congresso para apresentação do trabalho, incentivo concedido a pesquisas consideradas de elevada relevância científica, além de premiação pelo mérito do estudo.
A pesquisa trata de um tema de grande impacto na saúde pública: a lesão hepática causada pela overdose de paracetamol, um dos medicamentos mais utilizados no mundo e uma das principais causas de insuficiência hepática aguda. No Brasil, o fácil acesso ao fármaco e a venda em grandes quantidades ampliam os riscos de intoxicação, indicando a necessidade de maior controle na dispensação.
Segundo a professora da UFMG e coordenadora do INCT Hepatologia 360º, Maria de Fátima Leite, a intoxicação pode levar rapidamente à falência do fígado. “Quando ocorre a lesão, existe uma janela terapêutica muito curta, de cerca de seis horas, para tentar reverter o quadro. Após esse período, o risco de óbito é elevado”, explica.
Atualmente, o único tratamento disponível para casos de overdose é o N-acetilcisteína (NAC), medicamento administrado em ambiente hospitalar, que neutraliza metabólitos tóxicos formados no fígado após a ingestão excessiva do paracetamol. A eficácia, no entanto, depende do tempo de administração. “Os melhores resultados ocorrem nas primeiras 8 a 10 horas após a intoxicação. Depois disso, as chances de reversão diminuem significativamente”, destaca a pesquisadora.
O estudo busca compreender como o fígado reage à agressão causada pelo excesso do medicamento e qual é o papel do sistema imunológico nesse processo. Para a graduanda em Farmácia da UFMG, Isadora Zhong Liang Ferreira Feng, a pesquisa pode abrir caminho para novas estratégias terapêuticas. “O objetivo é entender os mecanismos celulares envolvidos na lesão para, no futuro, identificar tratamentos complementares ou ampliar a janela de intervenção”, afirma.
Para Maria de Fátima, o reconhecimento internacional reforça a relevância científica do trabalho desenvolvido na UFMG. A mestranda Barbara Fidelix Santana, autora de dissertação vinculada ao projeto, também destaca a importância da premiação, ressaltando o potencial da pesquisa para contribuir com novas abordagens terapêuticas e salvar vidas.
Comentários