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Estudo de 22 anos descarta savanização e aponta recuperação da Amazônia

  • há 1 hora
  • 2 min de leitura
Estudo de 22 anos descarta savanização e aponta recuperação da Amazônia
Divulgação
Estudo descarta “savanização” e aponta capacidade de recuperação da Amazônia após queimadas.

Um estudo realizado em Querência, na região da Amazônia historicamente pressionada pelo desmatamento, trouxe novos dados sobre os impactos de secas e queimadas na floresta. Após 22 anos de pesquisa, cientistas descartaram a hipótese de “savanização” — teoria que previa a substituição da floresta por vegetação típica de savanas.

A pesquisa, conduzida com participação de especialista da Universidade de Yale e apoio do Instituto Serrapilheira, demonstrou que, mesmo após distúrbios ambientais, a floresta apresenta capacidade de regeneração, com retomada das espécies originais.

“O que a gente está mostrando é que a floresta recupera, que ela é altamente resiliente e tem essa capacidade de voltar e de retornar aos espaços altamente degradados”, afirmou o pesquisador Leandro Maracahipes.

Metodologia e impactos observados
O estudo teve início em 2004, em uma área de 150 hectares, dividida em três partes. Duas áreas foram submetidas a queimadas controladas — uma anualmente e outra a cada três anos até 2010 — enquanto a terceira permaneceu intacta.

Nos primeiros anos, os impactos foram significativos. A biodiversidade caiu 20,3% nas áreas queimadas anualmente e 46,2% nas queimadas periódicas. Além disso, uma tempestade em 2012 provocou a perda de 5% das árvores, agravando a degradação.

Com o passar do tempo, no entanto, a floresta começou a se regenerar. O fechamento do dossel reduziu a presença de gramíneas e favoreceu o retorno de características típicas do ambiente florestal, principalmente no interior da área estudada.

Recuperação com limites e maior vulnerabilidade
Apesar da regeneração, os pesquisadores destacam que a floresta não retorna ao estado original. Ainda há perda de biodiversidade, com redução entre 31,3% e 50,8% das espécies, dependendo da intensidade dos impactos.

Além disso, a nova vegetação apresenta maior vulnerabilidade. As espécies predominantes possuem características que as tornam mais sensíveis a novos distúrbios, como casca mais fina e menor densidade da madeira.

Outro fator de preocupação é o aumento das secas intensas, associado às mudanças climáticas, que pode dificultar o processo de recuperação.

Condições para a regeneração
Segundo o estudo, a recuperação depende de fatores essenciais, como a interrupção das queimadas e a existência de áreas de floresta preservada próximas, que funcionam como fonte de sementes e biodiversidade.

Os pesquisadores também destacam a importância da atuação de animais na dispersão de sementes e na recomposição do ecossistema.

A região, antes conhecida como “Arco do Desmatamento”, passa agora a ser vista como “Arco da Restauração”, indicando o potencial de recuperação da floresta quando há condições adequadas.
Fonte: AgBrasil

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Gazeta de Varginha

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