Exame de sangue desenvolvido no Brasil pode ajudar a detectar câncer de mama precocemente
há 8 horas
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A possibilidade de identificar o câncer de mama por meio de uma simples amostra de sangue pode se tornar realidade com uma nova tecnologia desenvolvida por pesquisadores brasileiros. O exame, ainda em fase de testes, tem como objetivo auxiliar no rastreamento da doença e ampliar o acesso ao diagnóstico precoce.
A proposta é detectar sinais do câncer a partir de biomarcadores presentes no sangue, permitindo que o teste funcione como uma ferramenta rápida para fornecer informações às pacientes em todo o país.
O avanço surge em um contexto preocupante. O câncer de mama é o terceiro tipo de câncer que mais causa mortes no Brasil, com cerca de 20 mil óbitos por ano, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca).
Apesar disso, a doença apresenta altas chances de cura quando identificada nas fases iniciais. Ainda assim, muitas mulheres recebem o diagnóstico em estágios mais avançados.
Um dos principais desafios está no acesso ao rastreamento. Em um país de grande extensão territorial como o Brasil, a oferta de mamografia — principal exame utilizado para detectar o câncer de mama — ainda é desigual, principalmente em regiões mais afastadas e no sistema público de saúde.
Atualmente, no SUS, o rastreamento é recomendado para mulheres entre 50 e 69 anos. Em 2025, o Ministério da Saúde passou a ampliar o acesso ao exame para mulheres a partir dos 40 anos, mediante avaliação médica. No entanto, casos da doença vêm sendo registrados em mulheres mais jovens, muitas vezes de forma agressiva, o que levanta preocupação pela ausência de rastreamento em faixas etárias menores.
A tecnologia foi desenvolvida a partir de pesquisa da Faculdade de Medicina do ABC e utiliza uma técnica chamada biópsia líquida. O método busca identificar, no sangue, sinais moleculares associados ao câncer, ao invés de detectar o tumor por meio de imagens, como ocorre na mamografia.
O exame, denominado RosalindTest, analisa dois biomarcadores específicos: HIF-1α e GLUT1. Esses genes costumam apresentar alterações quando células tumorais passam por hipóxia, condição em que o tumor se desenvolve em ambiente com baixa concentração de oxigênio.
Segundo os pesquisadores, essas alterações podem ser detectadas no sangue antes mesmo de o tumor aparecer em exames de imagem. Nos estudos clínicos iniciais, o teste apresentou uma acurácia de aproximadamente 95%.
Caso os resultados sejam confirmados em etapas futuras, a expectativa é que o rastreamento do câncer de mama no Brasil possa seguir modelo semelhante ao adotado no câncer de próstata, que já conta com exame de sangue como ferramenta de apoio ao diagnóstico.
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