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Família questiona circunstâncias da morte de brasileiro que seria deportado da Turquia; Lucas Nascimento de Medeiros estava detido em centro de migração e foi encontrado morto em quarto de hotel

há 1 hora
2 min de leitura

Foto: arquivo pessoal
Foto: arquivo pessoal
Lucas Nascimento de Medeiros, de 33 anos, estava a passeio na Turquia quando se envolveu em uma discussão de cunho religioso e teve o rosto cortado. Ele procurou as autoridades locais para relatar o ocorrido, mas acabou detido e levado para um centro de detenção migratória em Esmirna, na costa ocidental do país. No último contato com a família, na quinta-feira (8), ele avisou que seria deportado para o Brasil entre o domingo (11) e a segunda-feira (12), compartilhando inclusive a localização do local onde estava custodiado. A família organizou-se para recebê-lo: a mãe foi ao Aeroporto Internacional de Guarulhos esperar o filho na data prevista, mas a companhia aérea informou que ele não havia embarcado. Horas depois, a ex-namorada de Lucas recebeu um e-mail comunicando que o brasileiro havia sido encontrado morto em um quarto de hotel na Turquia.

A notícia deixou os parentes confusos e desconfiados, pois não havia nenhuma explicação sobre como Lucas teria saído do centro de detenção e chegado ao hotel onde foi encontrado sem vida. O irmão da vítima, Marcos Medeiros, que mora em São Paulo, relatou que a família acreditava que ele permaneceria sob custódia das autoridades turcas até o momento do retorno ao Brasil. O Consulado-Geral do Brasil em Istambul confirmou a morte à Polícia Civil de São Paulo, conforme boletim de ocorrência registrado no 7º Distrito Policial da Lapa, mas não apresentou detalhes sobre as circunstâncias, a causa da morte ou o percurso que levou Lucas do centro de migração ao quarto de hotel. Uma das irmãs, que reside na Europa, deve viajar à Turquia para fazer o reconhecimento do corpo.

A família também relatou dificuldades e falta de apoio ao procurar autoridades brasileiras. Segundo Marcos, a Polícia Federal informou que não poderia atender ao caso por não haver relação com crime praticado em território nacional, orientando a família a buscar a Polícia Civil. Já a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo indicou que a competência seria da Polícia Federal e do consulado brasileiro em Istambul. O boletim de ocorrência registra que, em princípio, a investigação de fato ocorrido integralmente no exterior cabe às autoridades do país onde se deu o episódio, mas deverá ser encaminhada à instância competente para avaliar a necessidade de cooperação internacional. Marcos afirmou que apenas a Polícia Civil demonstrou disposição em auxiliar, e que o Itamaraty compartilha poucas informações.

O Ministério das Relações Exteriores, por meio de nota, informou que tem conhecimento do caso e que o Consulado-Geral do Brasil em Istambul mantém contato com a família prestando assistência consular. A pasta acrescentou que sua atuação segue a legislação nacional e internacional e que, em atendimento ao direito à privacidade, não divulga dados de casos individuais. A família segue sem respostas sobre o que aconteceu entre a última ligação de Lucas, na quinta-feira (8), e a notícia da morte, dias depois. A previsão de chegada ao Brasil, a ausência no voo, a descoberta em hotel e a falta de esclarecimentos oficiais formam o quadro de dúvidas que os parentes esperam ver respondido pelas autoridades turcas e brasileiras.

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