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Fibromialgia passa a ter novas diretrizes de atendimento no SUS

  • 1 de mar.
  • 3 min de leitura
Fibromialgia passa a ter novas diretrizes de atendimento no SUS
Divulgação
Governo Federal amplia diretrizes para tratamento da fibromialgia pelo SUS.

A fibromialgia, síndrome clínica que afeta entre 2,5% e 5% da população brasileira, ganhou novas diretrizes anunciadas pelo Governo Federal com o objetivo de ampliar a visibilidade da doença e fortalecer o acesso ao tratamento por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo o reumatologista e presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia, José Eduardo Martinez, em entrevista ao programa Tarde Nacional – Amazônia, a fibromialgia é caracterizada por dores persistentes em todo o corpo, sem relação direta com inflamações ou lesões físicas.

“É a dor generalizada. Muitas vezes, se não na maior parte das vezes, essa dor vem acompanhada de fadiga, uma alteração no sono, distúrbios cognitivos, então esse conjunto de sintomas é o que a gente chama de fibromialgia”, explica o especialista.

Estudos revisados pela revista Rheumatology e pelo National Institutes of Health (NIH) apontam que mais de 80% dos casos atingem mulheres, principalmente entre 30 e 50 anos. A origem da doença ainda não é totalmente conhecida, mas fatores hormonais e genéticos estão entre as hipóteses investigadas.

Diagnóstico clínico
A fibromialgia não é considerada uma doença inflamatória. Ela provoca uma disfunção nos neurônios responsáveis pela percepção da dor, tornando-os excessivamente sensíveis. Entre os sintomas mais comuns estão dor constante no corpo, fadiga intensa, formigamento em mãos e pés, distúrbios do sono, sensibilidade ao toque e a estímulos ambientais, além de alterações de humor, dificuldades de memória, concentração e atenção.

De acordo com José Eduardo Martinez, o diagnóstico ainda representa um desafio para médicos e pacientes.

“O diagnóstico é puramente clínico, é o paciente contando para o seu médico o que ele sente e o médico reconhecendo os sintomas típicos da fibromialgia. Depois, é importante que se faça um bom exame físico, porque o paciente com fibromialgia pode ter outras doenças”.

O especialista ressalta que não existem exames laboratoriais específicos para confirmação da síndrome, sendo recomendada a avaliação por reumatologista ou atendimento inicial em unidades básicas de saúde para investigação adequada e exclusão de outras doenças, como a artrose.

Reconhecimento como deficiência
Em janeiro, a fibromialgia passou a ser oficialmente reconhecida como deficiência por meio da Lei nº 15.176/2025, sancionada em julho de 2025 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A medida garante às pessoas diagnosticadas o acesso a direitos previstos em lei, mediante avaliação pericial.

Entre os benefícios estão cotas em concursos públicos e processos seletivos, isenção de impostos na compra de veículos adaptados, possibilidade de aposentadoria por invalidez e auxílio-doença, além do Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas de baixa renda e pensão por morte em casos de incapacidade comprovada para o trabalho.

Tratamento multidisciplinar
Outra iniciativa anunciada pelo Ministério da Saúde prevê a implantação de um planejamento estruturado para o tratamento da fibromialgia no SUS. A proposta inclui capacitação de profissionais da saúde e oferta de atendimento multidisciplinar, com fisioterapia, acompanhamento psicológico e terapia ocupacional.

A prática regular de atividades físicas também é considerada uma importante aliada no controle dos sintomas e na melhora da qualidade de vida. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, tratamentos não medicamentosos são tão importantes quanto o uso de fármacos, que auxiliam na regulação da percepção da dor.

“Alguns pacientes desenvolvem ansiedade e depressão, provavelmente o médico reumatologista precisa do apoio de outros profissionais, seja o psiquiatra, seja o psicólogo, que trabalhem juntos, que conversem, por exemplo, um psiquiatra que converse com o reumato sobre os remédios, para não haver interação”, completou Martinez.
Fonte: AgBrasil

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Gazeta de Varginha

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