Fiscalização evita entrada de besouro com potencial para dizimar colônias de abelhas no Brasil
2 de mai. de 2025
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Divulgação
Besouro exótico que ameaça colmeias é barrado em aeroporto de Guarulhos.
Uma equipe do Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) interceptou no Aeroporto de Guarulhos (SP) a entrada do besouro Cryptophagus scanicus, espécie considerada exótica e com potencial para infestar criações de abelhas. A detecção aconteceu durante uma inspeção de rotina realizada em 17 de abril e impediu um possível risco sanitário ao setor apícola nacional.
O inseto foi identificado em favos de mel trazidos por um passageiro vindo da Bielorrússia. O material, que incluía também outros produtos de interesse agropecuário, foi apreendido por não atender às normas sanitárias brasileiras. Os favos apresentavam besouros adultos e larvas, que foram enviados ao Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA) de Goiás. A espécie foi confirmada por exame de DNA.
De acordo com Marcelo Mota, diretor do Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a entrada de favos de mel contaminados com o Cryptophagus scanicus representa um risco significativo, especialmente em cargas que não atendem aos requisitos sanitários do país. A legislação brasileira exige que todos os produtos apícolas importados estejam acompanhados de Certificado Veterinário Internacional, conforme determina a Instrução Normativa nº 21, de 2013.
Os besouros da família Cryptophagidae são conhecidos como “besouros de fungos de seda” e vivem em ambientes diversos, como colmeias, ninhos de outros insetos, madeira em decomposição, ninhos de roedores, lã e penas. Alimentam-se de esporos e hifas de fungos, podendo carregar esses agentes para os produtos e favorecer o crescimento fúngico.
A espécie não tem registro de presença no Brasil e é endêmica da Europa. Apesar de não estar na lista oficial de doenças de notificação obrigatória ao serviço veterinário, está sujeita a medidas de defesa sanitária animal por ser vetor potencial de agentes fúngicos perigosos, como o Ascosphaera apis — causador da doença da “cria-giz” — e o Nosema apis, responsável pela nosemose, que afeta o sistema digestivo das abelhas e pode enfraquecer as colônias.
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