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Férias de julho impulsionam expectativa de crescimento para bares e restaurantes em Minas; Copa do Mundo teve impacto abaixo do esperado no Sul de Minas

  • 10 de jul.
  • 4 min de leitura
Férias de julho impulsionam expectativa de crescimento para bares e restaurantes em Minas; Copa do Mundo teve impacto abaixo do esperado no Sul de Minas
Divulgação/Pesquisa da Abrasel aponta expectativa de crescimento nas vendas durante as férias de julho em Minas Gerais, enquanto empresários do Sul de Minas avaliam que a Copa do Mundo teve impacto abaixo do esperado no setor de bares e restaurantes.
As férias escolares de julho devem movimentar o setor de bares e restaurantes em Minas Gerais. Pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) aponta que 47% dos empresários esperam aumento no faturamento durante o período. Entre eles, 37% projetam crescimento de até 20% nas vendas em comparação com um mês comum, sem datas comemorativas ou grandes eventos.

Na comparação com as férias de julho do ano passado, o cenário também é otimista. Segundo o levantamento, 54% dos empresários acreditam que o faturamento será superior ao registrado em 2025. O aumento do fluxo de turistas e visitantes, aliado às mudanças na rotina das famílias durante o recesso escolar, é apontado como o principal fator para impulsionar o consumo.

De acordo com o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, o mês de julho promove uma redistribuição do consumo em diferentes regiões do país.

"Enquanto algumas cidades sentem a queda no movimento porque parte da população viaja, destinos turísticos vivem um dos períodos mais intensos do ano. Cidades associadas ao inverno, como Gramado, Campos do Jordão e Monte Verde, recebem mais visitantes e transformam essa sazonalidade em uma oportunidade para reforçar o caixa e compensar os meses de menor movimento", afirmou.

Setor apresenta sinais de recuperação
Os dados da pesquisa também mostram melhora nos resultados financeiros do segmento. Em maio, 42% dos estabelecimentos operaram com lucro, enquanto 43% registraram estabilidade financeira. Apenas 14% relataram prejuízo.

Na comparação entre abril e maio, 49% das empresas informaram crescimento no faturamento, 23% mantiveram estabilidade e 27% registraram queda nas receitas.

Apesar da melhora, desafios permanecem. O levantamento revela que 37% dos empresários não conseguiram reajustar seus preços nos últimos 12 meses. Outros 53% realizaram reajustes iguais ou inferiores à inflação, enquanto apenas 10% conseguiram reajustar acima dos índices inflacionários.

O endividamento também preocupa: 39% dos estabelecimentos possuem contas em atraso. Entre os principais débitos aparecem impostos federais, citados por 69% dos entrevistados, seguidos dos tributos estaduais, mencionados por 38%.

Para a presidente da Abrasel em Minas Gerais, Karla Rocha, o turismo desempenha papel estratégico para o fortalecimento do setor.

"Destinos como Monte Verde, Tiradentes, Ouro Preto e Diamantina recebem um fluxo maior de visitantes nesta época do ano, criando oportunidades importantes para bares e restaurantes ampliarem suas vendas. Ao mesmo tempo, estabelecimentos em grandes centros urbanos precisam buscar estratégias para manter o movimento. Essa dinâmica reforça a capacidade de adaptação dos empresários e a relevância do setor para a economia e o turismo do estado", destacou.
Copa do Mundo frustra expectativa de empresários no Sul de Minas
Embora grandes eventos esportivos tradicionalmente movimentem bares e restaurantes, o desempenho durante a Copa do Mundo não correspondeu às expectativas de muitos empresários do Sul de Minas.

Segundo relatos de associados da Abrasel na região, apenas os estabelecimentos que já possuíam tradição na transmissão das partidas conseguiram registrar resultados positivos.

O presidente da Abrasel no Sul de Minas, SEHAV e ACIV, André Yuki, afirma que diversos empresários investiram em televisores, telões, decoração e promoções, mas não obtiveram o retorno esperado.

"Os estabelecimentos que tiveram algum resultado positivo foram, em sua maioria, aqueles que já tinham tradição em exibir os jogos. Quem investiu recentemente para atrair o público relatou frustração com o movimento e o faturamento", explicou.

Segundo ele, houve mudança significativa no comportamento do consumidor.
"As pessoas passaram a reunir amigos e familiares em casa, impulsionadas pelas áreas gourmet, pelo acesso a TVs de alta qualidade e pela redução do poder de compra. Com cerca de 87% da população endividada, o consumidor está mais cauteloso na hora de gastar", afirmou.

Empresários de cidades como Varginha, Três Corações, Guaxupé, São Lourenço, Itajubá, Capitólio, Pouso Alegre e Elói Mendes relataram que, mesmo quando os bares estavam cheios, o consumo ficou concentrado em bebidas, reduzindo o ticket médio. Já restaurantes tradicionais registraram queda nas vendas durante os jogos, enquanto o serviço de delivery apresentou aumento na demanda.

Crescimento das apostas esportivas preocupa setor
Outro fator observado durante a Copa do Mundo foi a expansão das apostas esportivas online. Segundo levantamento da fintech Klavi, baseado em dados do Open Finance do Banco Central, o percentual de brasileiros que realizaram apostas durante o Mundial passou de 11% para 34,8%.

O valor médio apostado também aumentou significativamente, saltando de R$ 188 para R$ 524 por pessoa após a partida entre Brasil e Marrocos.

O crescimento desse mercado tem despertado preocupação por causa da ludopatia, transtorno caracterizado pelo impulso compulsivo de apostar. Pesquisa do Procon-SP aponta que 52,4% dos apostadores já comprometeram parte da renda ou recorreram a empréstimos para continuar jogando.

No setor de alimentação fora do lar, os reflexos também já são percebidos. Levantamento da Abrasel mostra que 87% dos empresários identificaram colaboradores com hábito de apostar e 63% afirmaram já ter observado impactos no ambiente de trabalho.

Entre os principais problemas relatados estão o aumento do endividamento dos funcionários (75%) e a realização de apostas durante o expediente (58%).

Diante desse cenário, a Abrasel orienta empresários a investirem em ações de educação financeira, acompanharem sinais como pedidos frequentes de adiantamento salarial e queda de desempenho profissional, além de encaminhar colaboradores para canais de apoio quando necessário. A entidade também disponibiliza uma cartilha com orientações práticas para prevenção e acolhimento durante grandes eventos esportivos.
Fonte: Ana Luísa Alves

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Gazeta de Varginha

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