Gakiya afirma que classificação de PCC e CV como terroristas não trará benefícios ao Brasil
há 5 horas
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O promotor de Justiça Lincoln Gakiya afirmou que não vê benefícios para o Brasil na possível classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Durante participação no podcast “O Assunto”, ele declarou que a medida pode abrir espaço para ações militares secretas norte-americanas em território brasileiro.
Segundo Gakiya, as facções criminosas brasileiras não possuem motivação ideológica ou religiosa, característica normalmente associada ao terrorismo. O promotor afirmou que PCC e CV atuam com foco financeiro e econômico, voltados ao tráfico de drogas e a outros crimes organizados. Ele avaliou que a classificação não mudaria o combate às facções no Brasil e poderia gerar consequências diplomáticas e institucionais.
O governo dos Estados Unidos anunciou que PCC e CV passarão a ser classificados como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de 5 de junho. O comunicado foi divulgado pelo secretário de Estado Marco Rubio, que afirmou que as facções possuem milhares de integrantes e estão ligadas a ataques contra policiais, autoridades públicas e civis. Rubio também declarou que as atividades das organizações ultrapassam as fronteiras brasileiras e alcançam outros países da região e os Estados Unidos.
Lincoln Gakiya disse que existe preocupação com a possibilidade de a medida permitir operações conduzidas sem comunicação prévia às autoridades brasileiras. Ele citou ações recentes do governo norte-americano em outros países sob a justificativa de combate ao narcoterrorismo. O promotor afirmou que uma eventual atuação militar ou de inteligência em território nacional representaria risco à soberania brasileira.
Nos últimos meses, o governo brasileiro vinha tentando evitar a classificação das facções como organizações terroristas. A avaliação era de que a decisão poderia provocar sanções econômicas e financeiras, além de alterar o compartilhamento de informações entre os órgãos de segurança dos dois países. Especialistas também apontaram preocupação com a centralização dessas informações em órgãos militares e de inteligência dos Estados Unidos.
O anúncio ocorreu após encontros do senador Flávio Bolsonaro com autoridades norte-americanas em Washington. O parlamentar esteve com Donald Trump e Marco Rubio nos dias anteriores à divulgação da decisão. O governo brasileiro defende o combate às organizações criminosas por meio de cooperação internacional e asfixia financeira das facções, sem enquadrá-las como terrorismo.
Lincoln Gakiya é integrante do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e atua há anos em investigações envolvendo o PCC. O promotor já foi alvo de ameaças atribuídas à facção e esteve entre as autoridades mencionadas em investigações da Polícia Federal sobre planos criminosos ligados ao grupo.
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