Garimpo ilegal e poluição agravam situação do Rio Verde no Sul de Minas
gazetadevarginhasi
21 de ago. de 2025
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O Rio Verde, um dos principais mananciais do Sul de Minas e responsável pelo abastecimento de dezenas de cidades, preocupa ambientalistas diante da crescente degradação. Além da poluição por lixo e esgoto, ativistas denunciam o avanço do garimpo ilegal de ouro e outros metais, com uso de dragas.
O rio nasce na Serra da Mantiqueira, entre Itanhandu e Passa Quatro, e percorre 220 quilômetros, até desaguar no Lago de Furnas, entre Três Pontas e Elói Mendes. A bacia cobre quase 7 mil km², passando por 31 municípios.
Segundo o ambientalista Ronipeterson Landin, que já realizou seis expedições pelo curso do rio, o acúmulo de resíduos continua sendo um dos maiores problemas.
— “Encontramos geladeira, fogão, cama, televisão, garrafas pets e isopor. A situação do Rio Verde só tem piorado. Muitas cidades ainda despejam esgoto in natura diretamente no rio”, afirmou.
Garimpo ilegal preocupa
Outro ponto de alerta é a presença crescente de dragas usadas no garimpo ilegal. Ambientalistas denunciam que as máquinas sugam a areia do leito, separam o minério e devolvem rejeitos nas margens, em áreas de preservação, comprometendo fauna, flora e equilíbrio ecológico.
— “Isso prejudica o rio, que está pedindo socorro”, alertou Landin.
A Polícia Federal investiga a atividade. No início de agosto, uma operação conjunta com Polícia Militar Ambiental, Ibama e Agência Nacional de Mineração fiscalizou 15 pontos do Rio Verde, aplicou mais de R$ 2,5 milhões em multas, prendeu 13 trabalhadores e apreendeu uma draga — outras 12 foram destruídas.
Na semana passada, sete pessoas foram presas em flagrante em Conceição do Rio Verde por garimpo ilegal. No local, as autoridades encontraram alojamento improvisado, mercúrio e pequena quantidade de ouro.
O uso do mercúrio é considerado altamente nocivo. O sargento da Polícia Militar de Meio Ambiente, Diogo Daniel Sales Ferreira, explicou os riscos:
— “Dentro do rio, de forma ilegal, o mercúrio é misturado ao material e, ao ser queimado, pode se espalhar no ar, infiltrar no solo ou se dissolver na água. Isso contamina peixes, degrada o ambiente e provoca assoreamento”.
O professor Alexandre Augusto Barbosa, doutor em Engenharia Ambiental pelo Instituto de Recursos Naturais da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), reforçou os impactos.
— “Os metais pesados não são removidos nos tratamentos comuns de água. O mercúrio se acumula nas células humanas e pode causar doenças graves, como o câncer”, destacou.
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