top of page
1e9c13_a8a182fe303c43e98ca5270110ea0ff0_mv2.gif

Hospitais de Taiz enfrentam escassez de combustível e insumos; bloqueios de estradas isolam pacientes e interrompem abastecimento médico

há 3 horas
2 min de leitura

Reprodução
Reprodução
Na cidade de Taiz, terceira maior do Iêmen, pacientes e equipes médicas enfrentam obstáculos crescentes para receber e prestar atendimento básico de saúde. Combates armados e bloqueios de estradas principais cortaram rotas de deslocamento, tornando perigoso ou impossível chegar aos hospitais. As próprias unidades de tratamento já operam em situação precária, com falta de combustível, medicamentos, materiais de diálise e suprimentos essenciais. O cenário se agravou após a reativação dos confrontos no mês passado, quando o conflito entre Estados Unidos e Irã no Golfo repercutiu diretamente no Iêmen, reacendendo disputas entre os rebeldes houthis, apoiados por Teerã, e as forças do governo iemenita, respaldadas pela Arábia Saudita.

A dificuldade de acesso afeta diretamente quem depende de tratamento contínuo e vital. Maamun Abdulwahad Naaman, de 35 anos, portador de insuficiência renal, relata que não consegue retornar ao seu vilarejo porque a estrada principal está tomada pelos combates. "Tenho medo dos tiros; a estrada não é segura devido aos confrontos armados entre os dois lados, por isso não podemos voltar para casa", afirmou. O paciente precisa fazer diálise duas vezes por semana e agora encontra-se retido na cidade, sem garantia de continuidade do atendimento. O chefe do centro de nefrologia do Hospital Al Thawra, Yussef al-Zakari, alertou que os insumos destinados ao procedimento na unidade têm validade estimada de apenas 14 dias, sem previsão de reposição.

O quadro de risco é amplo e atinge centenas de pessoas em situação de vulnerabilidade. O vice-governador de Taiz para assuntos de saúde, Ilan Abdul-Khaliq, detalhou que mais de 650 pacientes com insuficiência renal correm perigo, assim como bebês mantidos em incubadoras e pacientes internados em unidades de terapia intensiva. A cidade tornou-se um dos principais palcos da escalada recente: na semana passada, os Houthis fecharam a via que liga Taiz a Aden, deixando forças governamentais cercadas e interrompendo o fluxo de mantimentos e remédios. O isolamento prejudica não só quem busca atendimento, mas também a chegada de doações e envios organizados por organismos de socorro.

A situação humanitária extrapola os limites de Taiz e ganha dimensão nacional. O Programa Mundial de Alimentos (PMA) informou que cerca de 800 mil pessoas em todo o país ficaram sem acesso à ajuda essencial, com mais de 200 mil deslocadas nas últimas semanas. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) advertiu que os serviços de saúde, já fragilizados por mais de uma década de guerra, crise econômica e recorrentes epidemias, podem não ter capacidade para absorver um aumento de feridos caso os combates se intensifiquem. Estoque de farinha quase esgotado, fechamento de rotas de abastecimento e paralisia parcial do sistema de socorro desenham um quadro de urgência que se alastra a cada novo dia de conflito.

Comentários


bottom of page