Irã e Estados Unidos intensificam ameaças antes do prazo de ultimato sobre o estreito de Hormuz
há 7 horas
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Irã e Estados Unidos elevaram o tom das ameaças na véspera do prazo estabelecido pelo presidente Donald Trump para a reabertura do estreito de Hormuz, ponto estratégico para o transporte global de petróleo e gás. O ultimato expira nesta segunda-feira (23), marcando o primeiro grande teste direto entre as partes desde o início do conflito, há cerca de três semanas.
Autoridades iranianas reforçaram publicamente que haverá retaliação caso os Estados Unidos cumpram a promessa de atacar instalações energéticas do país. O presidente Masoud Pezeshkian afirmou que ameaças externas aumentam a unidade interna e declarou que o estreito está aberto apenas para quem não viola o território iraniano, indicando resistência às exigências americanas.
Outros líderes iranianos também ampliaram o tom. O presidente do Parlamento, Mohammad Ghalibaf, disse que, em caso de ataque, infraestruturas de energia e petróleo na região serão consideradas alvos legítimos e poderão ser destruídas, o que, segundo ele, elevaria os preços da commodity por longo período. Ele ainda mencionou possíveis ações contra instituições financeiras ligadas aos Estados Unidos.
A Guarda Revolucionária declarou que poderá fechar o estreito de Hormuz caso haja ofensiva contra o sistema energético iraniano e afirmou que empresas com vínculos americanos no golfo Pérsico também seriam alvo. Um porta-voz militar chegou a citar possíveis ataques a usinas de dessalinização, essenciais para países da região, destacando a vulnerabilidade dessas estruturas a armamentos iranianos.
Na prática, o tráfego marítimo já apresenta impactos. Embora algumas embarcações ainda transitem por rotas controladas pelo Irã, há suspeitas de que áreas do estreito estejam minadas, o que contribui para a paralisação do comércio na região. O cenário aumenta a tensão nos mercados globais, diante da importância da rota para o fornecimento energético mundial.
Do lado americano, integrantes do governo indicaram possibilidade de intensificação das ações militares. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que, em certos casos, é necessário “escalar para desescalar”, sugerindo inclusive a hipótese de uma ação terrestre contra a ilha de Kharg, responsável por grande parte das exportações de petróleo do Irã.
Enquanto o prazo não se encerra, os confrontos continuam. Estados Unidos e Israel mantiveram bombardeios, e o Irã seguiu lançando mísseis e drones contra alvos ligados aos adversários. Também houve relatos de incidente com petroleiro próximo aos Emirados Árabes Unidos. Em meio às trocas de ataques, autoridades americanas negaram alegações iranianas sobre a derrubada de uma aeronave militar.
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