Itamaraty convoca encarregada de negócios da Argentina para prestar esclarecimentos sobre passagem de Flávio Bolsonaro pelo país; relação diplomática já estava rebaixada
há 16 horas
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O Ministério das Relações Exteriores convocou na quinta-feira (29) a encarregada de negócios da Argentina no Brasil, María Emilia Cortés, para prestar esclarecimentos sobre a passagem de Flávio Bolsonaro pelo território argentino. A reunião foi conduzida pelo embaixador João Marcelo Galvão de Queiroz, responsável pelo departamento de América do Sul do Itamaraty, e classificada como rápida e direta: o governo brasileiro transmitiu formalmente a necessidade de explicações sobre como o senador derrotado conseguiu transitar pelo país vizinho e embarcar em voo rumo ao exterior, apesar de ter documentos apreendidos no Brasil.
O episódio agrava tensão diplomática que já vinha se deteriorando. Em agosto, o Itamaraty rebaixou a relação entre os dois países ao nível de encarregados de negócios — sem embaixador residente — em resposta a declarações públicas do presidente Javier Milei em apoio a Flávio e com críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A própria María Emilia Cortés assumiu a condução da embaixada justamente após a saída do titular, Daniel Raimondi. Agora, a convocação sinaliza que o governo brasileiro considera o ocorrido matéria de relevância bilateral, não apenas interna.
A trajetória confirmada por autoridades argentinas detalha a passagem: às 22h50 de terça-feira (27), Flávio, a esposa Fernanda e as duas filhas cruzaram a Ponte Internacional Tancredo Neves, de Foz do Iguaçu para Puerto Iguazú. Às 23h30, embarcaram em um jato privado operado pela empresa Baires Fly S.A., com destino declarado a Guayaquil, no Equador. Após uma parada de cerca de 30 minutos para reabastecimento, a aeronave seguiu para Miami, onde pousou às 10h31 da quarta-feira (28). O governo argentino havia negado publicamente a entrada de Flávio horas antes do registro oficial — contradição que alimenta as suspeitas de conivência.
A resposta oficial da Argentina ainda não foi divulgada. O caso levanta questões sobre o controle de fronteiras, a cooperação jurídica internacional e o uso de cidadania alternativa — Flávio apresentou passaporte italiano na travessia, enquanto a família usou documentos brasileiros. Enquanto isso, Flávio permanece nos Estados Unidos com autorização de permanência concedida pelo governo Trump. O Itamaraty aguarda esclarecimentos formais; a Argentina decide como responder. A relação entre os dois países, já fragilizada, enfrenta agora um dos seus testes mais duros.
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