Trégua intermediada por Melania Trump permite retirada de moradores de Oleshky, cidade ocupada na Ucrânia; cessar-fogo vai até domingo
há 14 horas
2 min de leitura
Reproduçãoq IA
Centenas de moradores de Oleshky, cidade ocupada na região de Kherson, no sul da Ucrânia, começaram a ser retirados nesta sexta-feira (30) graças a um cessar-fogo temporário negociado com a intermediação da primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump. A cidade está sob controle russo desde abril de 2022 e, nos últimos meses, ficou praticamente isolada: todas as rotas de fuga foram bloqueadas por campos minados e patrulhamento de drones. Cerca de 2 mil pessoas — entre elas 50 crianças — permaneciam presas no município, sem acesso a alimentos, medicamentos, eletricidade ou gás. A situação humanitária chegou ao ponto de moradores procurarem restos de comida e consumirem ervas, com corpos chegando a permanecer nas ruas.
A trégua entrou em vigor na terça-feira e foi ampliada para toda a região de Kherson, trazendo também alívio à capital regional, que sofria ataques quase diários. O acordo expira no domingo (1º). A operação de saída envolve 25 ônibus com capacidade total para 750 passageiros. O trajeto é complexo: os retirados partem em direção a Anapa, na Rússia; de lá, seguem de avião para Belarus e, finalmente, de volta para território controlado pela Ucrânia. A delegação ucraniana confirmou que há moradores que escolhem ir para a Rússia e outros que seguem para a Ucrânia — ambos os grupos têm garantia de trânsito seguro.
O ouvidor de Direitos Humanos da Ucrânia, Dmytro Lubinets, viajou pessoalmente a Oleshky para acompanhar a retirada, tornando-se o primeiro representante de alto escalão do governo de Kiev a entrar abertamente em área ocupada desde o início da guerra. Ele encontrou-se com sua homóloga russa, Yana Lantratova, e ambos apareceram juntos em vídeos conversando com moradores. Lubinets garantiu que também será enviada ajuda humanitária aos que decidirem permanecer: "Disseram-me que essa é uma escolha deles. Pelo menos vamos garantir que alguma ajuda chegue até lá", declarou.
A cidade, situada às margens do rio Dnipro, tem importância estratégica militar e foi severamente destruída. De cerca de 24 mil habitantes antes da guerra, aproximadamente 40% conseguiram fugir nos primeiros meses; milhares de outros escaparam depois, mas o bloqueio final deixou os mais vulneráveis presos. O presidente Volodymyr Zelensky acusou a Rússia de ter minado deliberadamente as rotas de saída para impedir a fuga de civis. A trégua de Oleshky é raro sinal de diálogo direto entre as partes em conflito; resta saber se abrirá caminho para negociações mais amplas ou se será apenas um momento de socorro isolado antes da retomada dos combates.
Comentários