top of page
1e9c13_a8a182fe303c43e98ca5270110ea0ff0_mv2.gif

Juiz marca audiência para avaliar suspensão de site do Departamento de Justiça dos Estados Unidos após exposição de vítimas de Epstein

  • gazetadevarginhasi
  • há 26 minutos
  • 3 min de leitura
Reprodução
Reprodução

Um juiz federal de Manhattan informou que realizará, nesta quarta-feira, uma audiência para avaliar a possibilidade de suspensão do site do Departamento de Justiça dos Estados Unidos que hospeda milhões de arquivos relacionados ao caso de Jeffrey Epstein. A medida está sendo considerada após a divulgação indevida de nomes de vítimas, o que, segundo advogados que representam sobreviventes, provocou impactos profundos na vida de quase 100 pessoas.

De acordo com os advogados de um grupo de vítimas, a falha na omissão das informações pessoais fez com que a rotina dos sobreviventes fosse virada “de cabeça para baixo”. O argumento foi apresentado em uma carta enviada ao tribunal no domingo, na qual os representantes legais destacam a gravidade da exposição e os danos causados pela publicação dos arquivos sem a devida edição.

O pedido dos advogados foi apresentado depois que a procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, reconheceu formalmente ao tribunal, em carta encaminhada na segunda-feira, que o Departamento de Justiça trabalhou durante o fim de semana para corrigir os problemas. Segundo ela, o órgão “removeu vários milhares de documentos e mídias que podem ter incluído, inadvertidamente, informações de identificação de vítimas”. Bondi atribuiu o ocorrido a “diversos fatores, incluindo erros técnicos ou humanos”.

Na mesma manifestação, a procuradora-geral, ao lado de seu vice, Todd Blanche, e do procurador dos Estados Unidos em Manhattan, Jay Clayton, informou que os documentos retirados do ar passariam por novas edições antes de serem republicados. Segundo o texto, a expectativa era que o material revisado voltasse a ser disponibilizado “idealmente dentro de 24 a 36 horas”.

O embate entre os advogados das vítimas e o Departamento de Justiça ocorre após a liberação, na sexta-feira anterior, de cerca de três milhões de documentos, imagens, vídeos e outros registros relacionados a Epstein. A divulgação foi determinada com base em uma lei promulgada em novembro, que autorizou a publicação dos arquivos desde que as informações que pudessem identificar vítimas fossem devidamente editadas. Bondi afirmou ainda que o departamento mantém equipes dedicadas a acompanhar solicitações feitas por vítimas e seus advogados para reforçar proteções adicionais nos materiais divulgados.

Na carta em que solicitam a retirada temporária do site do Departamento de Justiça até que todas as edições adequadas sejam concluídas, os advogados também pediram a nomeação de um monitor independente para acompanhar o processo de revisão. Eles classificaram a situação como “uma emergência em curso que exige intervenção judicial imediata”.

“Para as vítimas de Jeffrey Epstein, cada hora importa”, escreveram os advogados Brittany Henderson e Brad Edwards. “O dano é contínuo e irreversível.”

A carta foi endereçada aos juízes Richard M. Berman, responsável por supervisionar o caso de Epstein, e Paul A. Engelmayer, que acompanha o processo de Ghislaine Maxwell, cúmplice do financista. Maxwell foi julgada, condenada e cumpre pena de 20 anos de prisão.

O juiz Berman determinou a realização da audiência em um breve despacho emitido na segunda-feira. No documento, ele afirmou reconhecer a “preocupação e a urgência” do tema e convidou os advogados a comparecerem acompanhados de seus clientes.

“Não tenho certeza do quão útil poderei ser”, acrescentou Berman, ao afirmar que incentivou os advogados das vítimas e o procurador Jay Clayton a trabalharem “para resolver as questões pendentes de boa-fé”.

Na manifestação enviada ao tribunal, Henderson e Edwards afirmaram que não existe “grau concebível de incompetência institucional suficiente para explicar a escala, a consistência e a persistência das falhas ocorridas — particularmente quando a única tarefa era simples: omitir nomes conhecidos de vítimas antes da publicação”.

Os advogados anexaram relatos de várias clientes do escritório. Uma delas, identificada como Jane Doe 2, afirmou que todos os seus e-mails foram publicados sem qualquer edição e que “vários artigos já foram publicados” sobre ela. Outra vítima, Jane Doe 5, relatou estar sendo assediada por veículos de imprensa e por terceiros e escreveu: “Por favor, imploro que apaguem meu nome!!!”.

Uma terceira mulher, identificada como Jane Doe 8, afirmou que suas informações bancárias privadas foram divulgadas publicamente e que precisou iniciar procedimentos para cancelar cartões e contas bancárias após a exposição.

Gazeta de Varginha

bottom of page