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Juiz interrompe Nicolás Maduro durante audiência nos EUA após ex-presidente contestar acusações

há 1 hora
2 min de leitura
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


O ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro foi interrompido pelo juiz Alvin Hellerstein durante uma audiência realizada na quinta-feira (15), em um tribunal federal de Nova York, nos Estados Unidos. Maduro tentou fazer uma declaração contra o processo judicial que enfrenta no país, classificando as acusações como falsas, mas o magistrado interrompeu sua fala para registrar formalmente sua declaração de inocência.

A manifestação ocorreu durante a leitura de uma nova denúncia formal apresentada contra Maduro. Ao ser questionado sobre sua posição diante das acusações, ele respondeu por meio de um intérprete que se tratava de alegações já apresentadas anteriormente, acompanhadas, segundo ele, de acusações e testemunhos falsos.

Maduro afirmou que rejeitava integralmente o documento judicial. O juiz, porém, interrompeu a declaração e registrou que o venezuelano se declarava inocente. Essa foi a segunda vez que Maduro aproveitou uma aparição no tribunal para fazer uma manifestação pública sobre o processo.

A esposa dele, Cilia Flores, também se declarou inocente. Por meio de um intérprete, ela afirmou que era completamente inocente e que não era culpada das acusações apresentadas.

Depois das declarações, a audiência prosseguiu com discussões entre a acusação e a defesa sobre o calendário dos procedimentos que antecedem o julgamento.

Nova denúncia inclui acusação de conspiração para cometer tortura

Maduro e Flores se declararam inocentes de uma nova acusação de conspiração para cometer tortura, incluída em uma denúncia substitutiva anunciada na semana anterior.

De acordo com as acusações apresentadas pela Justiça dos Estados Unidos, os dois estariam envolvidos em um esquema relacionado à tortura de cidadãos americanos e de outras pessoas que estiveram sob custódia do governo venezuelano nos últimos anos.

As alegações fazem parte de um processo criminal mais amplo. Maduro já respondia a acusações relacionadas ao tráfico de drogas, e a nova denúncia acrescentou a suspeita de conspiração para cometer tortura.

As acusações ainda serão examinadas no decorrer do processo judicial. As declarações de inocência feitas por Maduro e Flores representam a posição dos réus diante das acusações, que não equivalem a uma condenação.

Julgamento é adiado para junho de 2027

O início do julgamento foi marcado para 14 de junho de 2027, duas semanas depois da data prevista anteriormente. A mudança ocorreu após a inclusão das novas acusações, que ampliaram o conteúdo do processo e exigem preparação adicional das partes.

Barry Pollack, advogado de Maduro, avaliou que o calendário é bastante exigente diante das novas alegações, apresentadas anos depois da denúncia original. Apesar da preocupação com o prazo, o defensor afirmou considerar possível cumprir o cronograma estabelecido.

A defesa deverá analisar os novos elementos da acusação e preparar os argumentos que serão apresentados durante o processo. O caso segue sob responsabilidade do juiz Alvin Hellerstein, no tribunal federal de Manhattan.

Defesa pretende questionar a validade do processo

Maduro deverá voltar ao tribunal em 17 de dezembro. Na ocasião, seus advogados apresentarão argumentos relacionados à imunidade, em uma tentativa de anular a denúncia.

A discussão deverá abordar se o venezuelano pode reivindicar proteção jurídica contra o processo nos Estados Unidos em razão de sua antiga posição política. A decisão caberá à Justiça americana.

Enquanto isso, Maduro e Flores continuam se declarando inocentes das acusações. O andamento do caso dependerá da análise judicial das denúncias, dos argumentos da defesa e das próximas decisões do tribunal.

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