Justiça dos EUA exige dados sobre US$ 531 milhões enviados pelo Banco Master à OWS
há 14 minutos
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Divulgação/Entre 2018 e 2021, o banco enviou US$ 531 milhões, cerca de R$ 2,8 bilhões, à plataforma de criptomoedas. A ordem judicial reúne 16 exigências de documentos e informações para reconstruir o caminho dos recursos e esclarecer a quem pertenciam os valores.
Justiça dos EUA exige dados sobre US$ 531 milhões enviados pelo Banco Master à OWS.
A Justiça dos Estados Unidos determinou que a One World Services (OWS) apresente informações detalhadas sobre operações envolvendo o Banco Master. Entre 2018 e 2021, a instituição financeira enviou US$ 531 milhões, o equivalente a cerca de R$ 2,8 bilhões, à plataforma de criptomoedas.
Na época em que as transferências foram realizadas, o banco ainda operava sob o nome Banco Máxima, mas já estava sob o controle de Daniel Vorcaro.
Segundo informações do Estadão, o liquidante do Banco Master solicitou os dados à Justiça americana e recebeu autorização do juiz Scott M. Grossman, da Vara de Falências do Distrito Sul da Flórida.
A decisão estabelece 16 exigências de documentos e informações. O objetivo é reconstruir o caminho percorrido pelos recursos e esclarecer se os valores pertenciam ao patrimônio do próprio banco ou a clientes da instituição.
Justiça americana pede contratos, movimentações e mensagens
Entre os documentos solicitados estão contratos firmados com Daniel Vorcaro e empresas relacionadas a ele, registros dos serviços prestados pela OWS, ativos mantidos sob custódia e informações sobre movimentações financeiras.
A Justiça dos Estados Unidos também solicitou dados sobre a origem dos recursos e comunicações realizadas por meio de aplicativos como WhatsApp, Telegram, Signal e iMessage.
A apuração pretende identificar ainda possíveis relações entre as operações realizadas pela plataforma de criptomoedas e empresas ligadas ao grupo de Vorcaro.
Procurada pelo Estadão, a defesa do empresário informou que não comentaria o caso. A OWS Brasil não respondeu ao pedido de entrevista.
Banco Master realizou 331 operações com a OWS
A relação entre a OWS e o Banco Master já vinha sendo investigada por autoridades brasileiras.
Segundo informações divulgadas pelo Portal do Bitcoin em fevereiro, a Polícia Federal apurava operações cambiais realizadas pelo banco para a empresa entre dezembro de 2018 e abril de 2021.
A OWS atuava como uma mesa de operações de balcão, conhecida como OTC, realizando negociações de criptoativos diretamente com clientes de grande porte, fora do modelo tradicional das corretoras abertas ao público.
A Polícia Federal identificou 331 operações que teriam sido justificadas como aumento de capital de uma offshore da OWS localizada em Miami.
De acordo com as regras aplicáveis naquele período, cada operação exigiria uma ata societária que comprovasse o respectivo aporte. Segundo a investigação citada pela reportagem, entretanto, somente 15 atas teriam sido apresentadas às autoridades.
Os investigadores também identificaram indícios de enquadramento inadequado das remessas, situação que teria contribuído para a redução da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
OWS também é investigada por suspeitas de lavagem de dinheiro
A Polícia Federal também investigava a OWS por suspeitas de envolvimento em operações de lavagem de dinheiro relacionadas a organizações criminosas, incluindo o PCC e o Hezbollah, conforme informações divulgadas pelo Portal do Bitcoin.
De acordo com a investigação citada, a empresa teria utilizado contas mantidas no Banco Master para comprar criptomoedas em nome de pessoas e empresas que posteriormente foram condenadas por lavagem de dinheiro.
A PF também apurava se as operações foram realizadas sem toda a documentação exigida pelo Banco Central para transações cambiais dessa natureza.
A OWS foi ainda alvo da Operação Colossus, deflagrada em 2022. No conjunto das investigações relacionadas ao caso, a Polícia Federal acompanha movimentações financeiras que chegam a R$ 60 bilhões, sendo R$ 8 bilhões referentes a operações de câmbio.
Entre os nomes relacionados à investigação está Dante Felipini, conhecido como “Criptoboy”, apontado como cliente e parceiro da OWS. Em 2025, ele foi condenado a 17 anos de prisão por lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Liquidante amplia busca por ativos nos Estados Unidos
A determinação da Justiça americana envolvendo a OWS amplia os esforços para rastrear ativos e reconstruir movimentações financeiras relacionadas ao Banco Master fora do Brasil.
Segundo a Folha de S.Paulo, a EFB Regimes Especiais, responsável pela liquidação do banco no país, vinha intensificando a busca por bens relacionados a Daniel Vorcaro, familiares e sócios nos Estados Unidos.
Em outra frente, representantes do liquidante recorreram à Justiça de Falências do Distrito Sul da Flórida para obter contratos, escrituras, informações bancárias e mensagens relacionadas à compra de imóveis vinculados a empresas associadas ao círculo de Vorcaro.
Os pedidos abrangem operações realizadas desde janeiro de 2018.
Agora, uma das principais frentes da apuração envolvendo a OWS é determinar como os US$ 531 milhões enviados ao exterior foram utilizados e a quem pertenciam os recursos.
A investigação também busca esclarecer se os valores foram empregados na compra de ativos digitais no exterior e se houve irregularidades nos controles e procedimentos de conformidade adotados nas operações. As suspeitas continuam sob investigação.
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