Juíza Ana Reyes suspende corte de árvores em campo de golfe de Washington; 430 exemplares já foram removidos e novas remoções estão proibidas até 26 de outubro
há 4 horas
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A juíza federal Ana Reyes determinou na segunda-feira (12) a suspensão imediata de qualquer nova remoção de árvores no East Potomac Golf Course, em Washington, com vigência até 26 de outubro. A decisão veio após a retirada repentina de pelo menos 430 árvores durante o fim de semana, sem aviso prévio adequado. A magistrada abriu a audiência expressando profunda insatisfação com a postura do governo, afirmando que os advogados do Departamento de Justiça haviam perdido credibilidade perante o tribunal por terem comunicado a ação com menos de 24 horas de antecedência. "Mais do que apenas irritada e furiosa neste momento, estou profundamente decepcionada com o governo", declarou Reyes, que classificou a conduta das autoridades como "o pior possível" quando o procurador afirmou ter feito o melhor para avisar.
O cerne da disputa reside na verdadeira motivação por trás do corte das árvores. O Departamento do Interior apresentou a medida como mera execução de um plano de manejo florestal de longa data, datado de 2019, visando restaurar a aparência histórica do campo. No entanto, em decisão por escrito divulgada na noite de terça-feira (13), a juíza escreveu estar cética quanto a essa justificativa e concluiu que as autoridades se apressaram na execução porque o presidente Donald Trump exige celeridade em seu projeto de reformulação do campo de golfe, e não por zelo repentino por uma recomendação antiga. A reforma almejada pretende transformar o espaço público num campo de padrão profissional, com orçamento estimado entre US$ 20 milhões e US$ 49 milhões, e já havia gerado contestações judiciais e protestos de quem defende o acesso público ao local.
Os depoimentos prestados na audiência de mais de três horas trouxeram contradições e lacunas que reforçaram a desconfiança da magistrada. Funcionários do Serviço Nacional de Parques revelaram que o plano de remoção foi elaborado na semana passada por ordem de um dirigente político do Departamento do Interior, sem que os responsáveis técnicos tivessem conhecimento detalhado das negociações. Um dos servidores admitiu ter sido apresentado ao local pelo arquiteto de campos de golfe Tom Fazio, contratado para o projeto de Trump, mas negou ter conversado posteriormente com ele ou com a Casa Branca. Nenhum dos funcionários soube informar quanto a operação custará aos contribuintes. A juíza questionou ainda se declarações anteriores do governo, em que se afirmava não haver planos concretos de reforma, constituíram indução ao erro.
A juíza determinou que, na próxima audiência, compareçam um alto funcionário nomeado por Trump no Departamento do Interior e o diretor interino do Serviço Nacional de Parques para esclarecerem a cadeia de comando e as reais intenções da administração. Também estabeleceu que qualquer intervenção futura no campo — corte de árvores ou outra medida — deverá ser comunicada com 72 horas de antecedência enquanto o processo tramitar. O caso expõe um conflito entre a gestão federal e a Justiça em Washington, levantando dúvidas sobre transparência, uso de espaço público e a influência direta do presidente em projetos que envolvem recursos e patrimônio da cidade.
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