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Magazine Luiza perde preferência do Citi, que passa a apostar em Alpargatas e outras varejistas após reeleição de Lula

há 8 horas
3 min de leitura
Magazine Luiza perde preferência do Citi, que passa a apostar em Alpargatas e outras varejistas após reeleição de Lula
FotoDivulgação/O Citi reduziu de R$ 14 para R$ 6 o preço-alvo das ações do Magazine Luiza e rebaixou sua recomendação para a companhia. Em contrapartida, elevou a avaliação da Alpargatas para Compra. O banco também apontou Smart Fit, Vivara e Lojas Renner entre suas empresas preferidas do varejo brasileiro.
O Citi revisou suas recomendações para empresas do varejo brasileiro e reduziu de R$ 14 para R$ 6 o preço-alvo das ações do Magazine Luiza (MGLU3). A mudança ocorreu após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva para um quarto mandato e a consequente reavaliação do cenário econômico pelo mercado financeiro. Na mesma análise, o banco melhorou sua avaliação para a Alpargatas (ALPA4), dona da marca Havaianas, que passou de Venda para Compra.

O Magazine Luiza também teve sua recomendação rebaixada de Compra/Alto Risco para Neutra/Alto Risco. Segundo os analistas do Citi, o elevado endividamento da companhia aumenta sua exposição aos custos de financiamento, especialmente diante da perspectiva de manutenção dos juros em patamares elevados por um período prolongado.

Mesmo considerando que a empresa apresenta condições competitivas mais favoráveis, o banco avalia que existem poucas perspectivas de fatores capazes de impulsionar uma valorização expressiva de suas ações no curto prazo.

A revisão das recomendações está relacionada à mudança nas expectativas do mercado após o resultado eleitoral. De acordo com os analistas, a reeleição de Lula provocou uma forte reprecificação dos ativos de risco brasileiros. Como reflexo desse movimento, as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2035 passaram de 12,7% para 15,5%.

Enquanto o Magazine Luiza perdeu espaço na avaliação da instituição, a Alpargatas passou a ocupar uma posição mais favorável. O Citi considera que a desvalorização recente das ações da companhia tornou sua relação entre risco e retorno mais atrativa.

Entre os fatores positivos apontados pelo banco estão a força da marca Havaianas, a presença internacional e a exposição da empresa às exportações. Os analistas também destacam a solidez financeira e o desempenho operacional da companhia, características que contribuem para um perfil considerado mais defensivo.

Embora as ações da Alpargatas sejam negociadas a preços superiores aos de algumas concorrentes, o Citi entende que essa diferença é justificada pela consistência dos resultados e pelas características do negócio.

A mudança representa uma inversão em relação à estratégia adotada anteriormente pelo banco. Entre o primeiro e o segundo turnos das eleições, o Citi havia elevado a recomendação do Magazine Luiza para Compra e rebaixado a avaliação da Alpargatas para Venda, considerando as expectativas do mercado naquele período.

Para 2027, o banco projeta um cenário de consumo pressionado pelos custos elevados do endividamento. Apesar das mudanças nas recomendações para as empresas, a instituição manteve a maior parte de suas estimativas para a economia brasileira.

A projeção do Citi indica crescimento de 1,4% para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2027. Para a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a expectativa é de encerramento do próximo ano em 4,3%.

Uma das alterações ocorreu na estimativa para o câmbio. O banco passou a projetar o dólar cotado a R$ 5,46 em 2027, acima da previsão anterior, de R$ 5,33. Já a projeção para a taxa básica de juros, a Selic, média em 13,5% foi mantida. A instituição também espera que os cortes nos juros ocorram de maneira gradual a partir do segundo semestre.

Nesse contexto, empresas com maior volume de dívidas tendem a enfrentar desafios adicionais, uma vez que permanecem mais expostas aos custos de financiamento. O Citi informou que elevou suas premissas para as despesas com o serviço da dívida, principalmente para companhias mais alavancadas, considerando o risco de um ambiente de juros elevados por mais tempo.

Diante das incertezas relacionadas à política fiscal brasileira e das perspectivas para o consumo, o banco também modificou sua estratégia para o setor varejista. Em vez de priorizar empresas mais sensíveis às oscilações do mercado, a instituição passou a favorecer companhias com demanda mais resistente, presença em diferentes regiões e exposição internacional.

A solidez dos balanços financeiros e a capacidade de distribuir dividendos de maneira previsível também estão entre os critérios considerados pelos analistas.
Nesse cenário, as quatro empresas preferidas do Citi no varejo são Smart Fit (SMFT3), Alpargatas (ALPA4), Vivara (VIVA3) e Lojas Renner (LREN3), nessa ordem.

Em relação à Lojas Renner, o banco reconhece o posicionamento da companhia no longo prazo, mas mantém ressalvas quanto ao desempenho das ações no curto prazo. Entre os desafios apontados estão a fraqueza do consumo e o avanço da concorrência internacional, fatores que podem continuar pressionando os resultados da varejista.
Fonte: BPMoney

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