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Master propôs ao BRB oferta de crédito com base em benefícios sociais

  • 22 de abr.
  • 2 min de leitura
Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou irregularidades em operações envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, após a descoberta de fraudes em carteiras de crédito adquiridas pela instituição pública.
De acordo com o documento, o Banco Master apresentou, como alternativa, ativos vinculados a beneficiários de auxílio emergencial, empresas com baixo capital social e até um consórcio gestor de cemitérios em São Paulo.
Essas informações foram encaminhadas pelo BRB ao Coaf em novembro do ano passado. No mesmo período, o Banco Central determinou a liquidação do Banco Master, que era administrado por Daniel Vorcaro.
Relatório aponta problemas em créditos bilionários
O relatório de inteligência financeira, com 33 páginas, detalha inconsistências nos ativos apresentados e destaca irregularidades em direitos creditórios que somam R$ 6,6 bilhões.
Além disso, a investigação da Polícia Federal indica que o Banco Master estruturou carteiras de crédito consignado e posteriormente vendeu esses ativos ao BRB por R$ 12,2 bilhões.
Após questionamentos do Banco Central, o BRB recebeu autorização para substituir as carteiras consideradas problemáticas. No entanto, a medida não resolveu completamente as inconsistências identificadas.
Banco Central exigiu provisão bilionária
No início deste ano, o Banco Central determinou que o BRB realizasse provisão de pelo menos R$ 5 bilhões para cobrir possíveis prejuízos relacionados à operação.
Segundo o órgão regulador, esse valor pode ser ainda maior, dependendo da qualidade dos ativos envolvidos na negociação.
Acordo prevê transferência de ativos
Na segunda-feira (20), o BRB confirmou um acordo para transferir R$ 15 bilhões em ativos do Banco Master para um fundo gerido pela Quadra Capital.
A operação envolve, principalmente, créditos vinculados ao programa Credcesta, voltado a servidores públicos.
Carteiras envolvem beneficiários de auxílio
De acordo com o Coaf, quatro carteiras de crédito apresentadas ao BRB tiveram origem em empresas cujos sócios ou administradores receberam auxílio emergencial durante a pandemia. Juntas, essas operações somam cerca de R$ 768,3 milhões.
Essas carteiras foram estruturadas por empresas que adquiriram créditos e posteriormente os revenderam ao Banco Master, antes de integrarem a proposta de substituição dos ativos.
Casos específicos levantam suspeitas
Em três situações analisadas, aparece como beneficiário do auxílio Everton Mendonça Pereira, ligado a empresas como Gran Viver Urbanismo, RMEX Construtora e SEJ Consultoria.
Essas companhias são responsáveis por créditos que totalizam R$ 588 milhões. Além disso, Everton recebeu R$ 7,2 mil em auxílio emergencial entre abril de 2020 e janeiro de 2022, conforme dados do Portal da Transparência.
Outro nome citado é o de Natan Aparecido Barros, que também recebeu auxílio em 2020 e figura como presidente da Gran Viver Urbanismo. Já Everton aparece como diretor da empresa.
Empresa contesta apontamentos
Em nota, a Gran Viver afirmou que considera “imprecisas” as associações entre pessoas físicas e operações empresariais. A empresa também destacou que atua no setor imobiliário há mais de 45 anos.
O caso segue sob análise dos órgãos de controle e investigação, enquanto as autoridades avaliam os desdobramentos das operações financeiras.

Fonte: Revista Oeste

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