Medidas de reciprocidade podem elevar custo de vida e produção, diz economista do Insper
há 4 horas
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A tentativa do Brasil de abrir negociações com os Estados Unidos para reverter o tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump pode trazer impactos para a economia brasileira caso avance para medidas concretas de reciprocidade. A avaliação é da economista e professora do Insper Juliana Inhasz, que aponta riscos de aumento do custo de vida e de produção no país. O governo brasileiro acionou a Lei de Reciprocidade e notificou o governo americano na quinta-feira (13), formalizando o processo.
Apesar dos possíveis ganhos táticos da medida como instrumento de negociação, Inhasz afirma que uma eventual adoção de contramedidas pode gerar custos para o próprio Brasil. Segundo ela, a reciprocidade pode encarecer importações utilizadas tanto para o consumo quanto para a produção, com possíveis reflexos sobre a inflação e a atividade econômica.
A economista também chama atenção para o risco de uma escalada entre tarifas e respostas comerciais. Na avaliação dela, uma sequência de medidas adotadas por um lado e posteriormente respondidas pelo outro pode reduzir o dinamismo do comércio, atingir setores considerados estratégicos e ampliar ineficiências na economia.
Inhasz compara esse processo a uma reação em cadeia, na qual a imposição de uma tarifa provoca uma nova resposta. Segundo a economista, esse tipo de movimento pode continuar até produzir perdas expressivas para a economia. Por isso, ela defende cautela na definição das medidas, especialmente para evitar uma resposta considerada desproporcional e capaz de ampliar custos e incertezas.
Entre os segmentos que poderiam sentir os efeitos de um eventual encarecimento de produtos americanos estão aqueles dependentes de importações e de cadeias industriais. A lista mencionada pela professora inclui máquinas e equipamentos, componentes químicos, tecnologia e outros insumos utilizados pela indústria brasileira.
O impacto poderia produzir um efeito contrário ao objetivo de proteção econômica, segundo a avaliação apresentada. Uma política destinada a proteger determinados setores poderia, ao mesmo tempo, pressionar empresas brasileiras que dependem de produtos importados para manter suas atividades.
A discussão ocorre após o Brasil formalizar o acionamento da Lei de Reciprocidade e notificar os Estados Unidos, em uma tentativa de criar condições para negociar o tarifaço. Para Juliana Inhasz, embora a iniciativa possa funcionar como instrumento de barganha, seus efeitos econômicos precisam ser considerados caso o processo avance para a adoção efetiva de tarifas ou outras contramedidas.
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