Mensagens investigadas pela PF apontam que Daniel Vorcaro financiava rede internacional de prostituição e recrutava refugiadas
há 4 horas
4 min de leitura
Reprodução
Mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, indicam que ele teria financiado e participado da organização de uma rede internacional de prostituição, com recrutamento de mulheres estrangeiras, incluindo refugiadas da guerra na Ucrânia. As informações foram divulgadas em reportagem publicada em 13 de outubro de 2026.
Segundo as conversas analisadas, entre 2023 e 2025, Vorcaro discutia quais mulheres seriam selecionadas para eventos, quais permaneceriam no grupo e os valores envolvidos nas contratações. Ele também teria manifestado interesse em criar uma agência de modelos para centralizar a contratação das mulheres.
A investigação da PF busca esclarecer possíveis irregularidades na contratação dos serviços e a participação de estrangeiras na rede. Entre as mulheres mencionadas nas mensagens estavam russas, ucranianas, venezuelanas, argentinas e polonesas.
Entre os principais investigados estão Leonardo Serrano, proprietário de uma empresa de eventos, e Diogo Batista, promotor de eventos em São Paulo. As conversas indicam que ambos participavam da organização e da logística das contratações.
Mensagens mencionam refugiadas e termos depreciativos
De acordo com os diálogos analisados, Vorcaro e Diogo Batista utilizavam expressões depreciativas para se referir às mulheres e discutiam a distribuição delas conforme os eventos organizados pelo grupo. Em algumas conversas, as mais jovens eram chamadas de “creche”, enquanto outras eram descritas por termos que sugeriam uma relação de submissão.
Uma das situações investigadas envolve uma jovem ucraniana de 19 anos, que chegou ao grupo em outubro de 2023. Ela havia deixado seu país em meio à guerra e passou a integrar o círculo de mulheres recrutadas para os eventos.
Em novembro daquele ano, Diogo perguntou a Vorcaro sobre a presença de três refugiadas ucranianas. O ex-banqueiro respondeu que queria que uma delas permanecesse disponível para ele.
Na sequência, Diogo enviou informações do passaporte da jovem para organizar uma viagem ao Rio de Janeiro. Nas mensagens, ele afirmou que ela não poderia voltar à Ucrânia porque os pais consideravam melhor que permanecesse fora do país.
Os diálogos também mostram conversas sobre a possibilidade de colocar as mulheres em uma agência, formalizando a contratação dos serviços. Em janeiro de 2024, a ideia voltou a ser discutida, junto com a possibilidade de alugar um imóvel para hospedá-las.
Em março daquele ano, a jovem ucraniana estava entre as mulheres enviadas a um jantar de Vorcaro no Pappa Bar, localizado nos Jardins, na zona oeste de São Paulo.
Investigação apura participação em agência de modelos
A Polícia Federal também identificou negociações envolvendo a possível compra de 50% da Allure Eventos, uma agência de modelos pertencente ao empresário Felipe Nisti Cataldo. Em dezembro de 2023, Vorcaro teria recebido um contrato que previa o pagamento de R$ 1,5 milhão pela participação na empresa.
Os investigadores apuram se a agência seria utilizada para organizar e viabilizar as contratações das mulheres. A existência das negociações, por si só, não comprova que a aquisição tenha sido concluída ou que a empresa tenha sido efetivamente utilizada para fins ilegais.
Leonardo Serrano, por sua vez, era apontado como responsável pela logística de eventos internacionais. Segundo a investigação, ele contratava intermediários em diferentes cidades, organizava hospedagens, reservava passagens aéreas e administrava recursos destinados às mulheres.
As conversas citam eventos e viagens envolvendo São Paulo, Londres, Paris, Roma e Dubai. Em uma ocasião realizada em Londres, em abril de 2024, 99 mulheres teriam sido contratadas para trabalhar em um evento relacionado a Vorcaro.
Faturas somam aproximadamente US$ 70 milhões
A apuração identificou 21 faturas emitidas pela empresa SL Consulting entre abril de 2024 e março de 2025. Os documentos somavam aproximadamente US$ 70 milhões.
Segundo as informações divulgadas, a empresa era utilizada para cobrar despesas relacionadas a eventos, hospedagem, hospitalidade e fretamentos. Os investigadores buscam esclarecer a origem dos recursos, os destinatários dos pagamentos e a eventual relação entre as despesas e a contratação das mulheres.
A investigação também examina o papel dos intermediários e a maneira como os pagamentos eram organizados. A movimentação financeira identificada é um dos elementos utilizados para apurar a dimensão da rede e as responsabilidades de cada envolvido.
A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar possíveis irregularidades. No Brasil, a prostituição voluntária entre adultos não é, por si só, crime, mas práticas como exploração sexual de terceiros e determinadas formas de favorecimento da prostituição podem configurar delitos. A eventual ocorrência de tráfico de pessoas depende da análise dos elementos específicos previstos na legislação, incluindo as circunstâncias de recrutamento e possível coerção.
Vorcaro nega exploração de mulheres
Em manifestação divulgada por sua defesa, Daniel Vorcaro negou ter explorado ou desrespeitado mulheres. Ele afirmou que as mensagens divulgadas não teriam autoria, autenticidade ou contexto reconhecidos por ele.
O ex-banqueiro classificou as informações como uma narrativa falsa e declarou que a divulgação de mensagens privadas obtidas ilegalmente seria objeto de medidas judiciais. Também afirmou que pretende buscar responsabilização civil e criminal pelo caso.
As defesas de Leonardo Serrano e Diogo Batista não haviam sido localizadas nas informações divulgadas até a publicação da reportagem. A investigação segue em andamento, e as suspeitas atribuídas aos envolvidos ainda precisam ser apuradas pelas autoridades competentes.
Comentários